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Alvito: Uma passagem pelo coração do Alentejo

De entre os caminhos que em Portugal conduzem até Santiago de Compostela, importa destacar o Caminho Nascente que envolve o Alentejo e o Ribatejo. Através de um percurso singular por entre azinheiras e oliveiras milenares, descobrimos uma paisagem natural deslumbrante. A flora e a fauna que nos surpreendem ao longos dos trilhos por entre planícies sem fim, convidam à paragem e incitam-nos à reconciliação com a natureza. Esta aproximação às coisas simples da vida traz-nos de volta ao essencial e devolve-nos o tempo para olharmos para nós próprios na relação com os outros. Esta é a essência do caminho, é dimensão espiritual que insistentemente procuramos numa reconciliação connosco próprios e com as eternas questões que afligem desde sempre o Homem: o Ser e o Amanhã.

É neste caminho que no verde da primavera ou nos ocres do estio, emoldurados no céu azul descobrimos ao virar de uma curva ou depois de um cabeço, Alvito de branco resplandecente num fim de tarde. Imagem linda e que não mais se desvanecerá dos nossos olhos. Depois de tanto caminhar aproveite para descansar. O Palácio de Água de Peixes é uma oportunidade para descobrir o que de melhor tem a arquitetura manuelina de inspiração mudéjar refletida nas janelas do pátio fronteiro ao palácio e particularmente da capela palaciana. Depois deste repouso atreva-se a ir até Alvito e vai ver que a viagem vale a pena. De repente, o Castelo, qual Alhambra surpreende-o por entre o relevo do terreno. Persiga essa imagem e vai ver que Alvito vale mesmo a pena. Pela singularidade das suas ruas, de casas humildes maquilhadas com elegantes pórticos manuelinos; pelas suas igrejas, e tantas e tão ricas, de azulejos azuis e amarelos e talhas douradas, abóbodas artesoadas, gárgulas fantasmagóricas e anjos e santos de composições fresquistas dos séculos XVI e XVII.

E claro, o Castelo. Exemplar magnífico de arquitetura civil que estabelece uma simbiose perfeita entre a fortaleza e a casa solarenga do Séc. XVI. Do alto das muralhas comtemplam-nos cinco séculos de história de uma das mais ilustres famílias da nobreza portuguesa: os Lobos da Silveira, que foram os primeiros barões de Portugal instituídos em 1475 por D. Afonso V. Hoje o Castelo é uma hospedaria, alberga uma pousada e permite ao viajante horas inesquecíveis de descanso no conforto das suas salas e na atenção simpática dos seus colaboradores. O Castelo ao longo dos séculos foi palco de alguns acontecimentos como o nascimento do príncipe D. Manuel, filho de D. João III em 1531, de várias visitas reias como D. Pedro V, D. Luís e da família real, D. Carlos, D. Amélia, D. Luís Filipe e D. Manuel.

D. Carlos e D. Amélia foram visitas frequentes do Castelo a propósito de grandes caçadas que faziam nas terras do Marquês.

O descanso na Pousada do Castelo, é uma oportunidade para descobrir os sabores de Alvito: gastronomia e vinhos. Dos vinhos, o Alvitus; da gastronomia o ensopado de borrego ou feijão com carrasquinhas ou açorda de cação ou de catacuzes… e para terminar os doces: o pão de ló ou os bolos folhados, doces tentações que nos deixam com vontade de regressar.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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