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Por Tarouca, um Caminho entre a História e a Natureza

Portugal, apesar da pequena dimensão, é constituído por um mosaico com variações e contrastes bruscos. Até mesmo entre a rota milenar de Santiago nos deparamos com uma enorme diversidade de gentes e tradições. Percorrer o caminho das Torres é também conhecer o interior do país e as raízes históricas do reinado portucalense. Esta rota inicia-se em Salamanca e rompe as fronteiras portuguesas em Almeida. Já no distrito de Viseu, demarcamos um pequeno segmento deste caminho – aquele que atravessa o concelho de Tarouca.

A ponte fortificada de Ucanha é a imagem do caminho das Torres e uma das razões deste trilho ser tão único. O esplendor de uma das mais belas pontes medievais do país concilia-se com a imponência da torre fortificada, erguida em 1465. Mas os encantos de Tarouca não se reservam apenas a Ucanha e expandem-se em cada recanto do concelho. Descobrir Tarouca é percorrer tempos, deixados nos lugares certos pelas memórias das suas gentes.

Da gastronomia aos vinhos, da alma tarouquense às tradições cisterciense, este percurso é uma autêntica montra cultural do Vale do Varosa. Neste trilho vivem-se experiências que marcam quem por ali passa. No Concelho de Tarouca o caminho inicia-se a sudeste do concelho, em Granja Nova, passando pela icónica Ponte Fortificada de Ucanha, seguindo até Gouviães e Eira Queimada, para depois entrar no Concelho de Lamego.

Entre os trilhos ainda existem alguns fragmentos de calçadas romanas e uma paisagem autêntica desenhada ao ritmo do caudal do rio Varosa. Cruzar Tarouca é conhecer um vale cheio de encantos. Por ali, se às pedras dessem voz, elas poderiam contar como viram erguer-se Portugal e serem esquecidas entre as serras Beirãs e as colinas do Douro.

No entanto, por Tarouca vale a pena fazer um pequeno desvio para conhecer um pouco mais da alma tarouquense e da origem de Portugal. Património de passagem obrigatória é o Mosteiro de S. João e Tarouca, o primeiro da ordem de Cister em Portugal e também a primeira obra mandada edificar por D. Afonso Henriques. Também o imponente Mosteiro de Salzedas requer uma visita. Estes monumentos históricos contam as raízes da nação, mas não só. Estes mosteiros cistercienses são também casa de abrigo de obras do pintor renascentista Vasco Fernandes, mais conhecido por Grão Vasco, e de trabalhos de Bento Coelho da Silveira ou Pascoal Parente. Já por Dálvares pode visitar a Casa do Paço, uma das antigas casas de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques, agora convertido no museu do espumante. Bem perto deste património pode recarregar energias no Albergue de Dálvares ou escolher outras alternativas espalhadas ao longo de todo o concelho.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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