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Turismo do Algarve: um destino vínico de vanguarda

Foto de Hélio Ramos

“Receber bem” (à mesa, acrescentamos) é o mote da região do Algarve. E como é sabido, numa mesa portuguesa nunca falta pão e vinho. Os árabes já produziam vinho no extremo sul do país, mas, ainda assim, a região é considerada uma novata na vinicultura nacional. João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve, falou à IN sobre a evolução vitivinícola da região algarvia e sobre o seu impacto positivo para o turismo no principal destino de férias nacional.

João Fernandes, novo presidente do Turismo do Algarve. 23 Julho 2018. FOTO: VASCO CÉLIO/STILLS

No extremo sul de Portugal encontramos a região do Algarve, delimitada a norte por uma cadeia montanhosa que a separa da planície alentejana, a oeste e a sul pelo mar e a leste pelo Guadiana, que desenha a fronteira com Espanha. Mas é sobretudo a barreira natural da serra algarvia que abriga a região das influências setentrionais e que acentua o seu clima mediterrânico, quente e seco. Com uma elevada incidência de exposição solar, o tempero do ar marítimo e a variedade de solos, o Algarve torna-se assim um terroir único para os caprichos de Baco.

Região Demarcada desde 1980, o Algarve conta atualmente com mais de 30 produtores de vinhos elegantes e tão agradáveis ao paladar que ano após ano somam prémios em concursos nacionais e internacionais. Das suas quatro Denominações de Origem – Lagoa, Lagos, Portimão e Tavira – saem brancos de influência marcadamente atlântica, rosés, tintos leves e encorpados, espumantes e vinhos licorosos que acompanham bem qualquer sobremesa (sobretudo algarvia, como o bolo de amêndoa ou o afamado dom-rodrigo). As castas tintas Castelão e Negra Mole e as brancas Arinto e Syrah são as mais usadas nos néctares produzidos na região, que orgulhosamente exibem a certificação IG Algarve.

Nos últimos anos verificou-se um aumento do investimento na vinicultura da região, em concreto na inovação das adegas, na replantação das castas e no recurso a novas metodologias de produção de vinhos. O desafio é agora o desenvolvimento do enoturismo como produto turístico complementar ao tradicional “Sol e Mar”. A oferta do destino tem vindo a inovar-se e hoje em dia já é possível ao turista criar o seu próprio vinho, adotar uma vinha, fazer um tratamento de beleza à base de derivados da uva e do vinho, participar numa vindima ou pernoitar numa quinta produtora com provas de vinho associadas.

Percebendo a importância dos vinhos para o turismo da região, em 2014 o Turismo do Algarve definiu um plano de marketing onde a gastronomia e o vinho constavam como produto estratégico e transversal a toda a oferta. Nessa mesma altura era reeditado o guia de vinhos do Algarve, que reunia todos os produtores e néctares da região numa única publicação para turistas enófilos. “O Turismo do Algarve colocou os vinhos, assim como a gastronomia e o património, no centro da sua estratégia de marketing, enquanto produto prioritário para o desenvolvimento do turismo local. O Vinho Regional Algarve melhorou muito de qualidade e agora devíamos passar da lógica de produção para a da introdução do vinho na cadeia de valor como um espaço de hospitalidade”, refere o presidente do Turismo do Algarve, João Fernandes.

Em 2019 o Turismo do Algarve lançou uma nova publicação neste segmento – “Vinhos do Algarve, fruto do sol e da terra” – com uma maior centralidade nas quintas, nas histórias dos produtores, nas características dos vinhos, nas atividades de enoturismo que se desenvolvem nas próprias quintas e no storytelling que desperta também o interesse de quem as visita. Neste momento, em que Portugal se encontra no processo de passar de produtor de vinho a destino enoturístico, o Turismo do Algarve está a realizar um trabalho conjunto com o Turismo de Portugal para estruturar o produto a nível nacional. A ideia é tornar o país num destino de referência mundial no segmento de enoturismo.

“É muito interessante ver que em Portugal não há uma única região onde não haja oferta de enoturismo, ao contrário de outros países onde apenas uma parte do país proporciona essa vivência. Em Portugal, todas as regiões têm a oferta”, afirma João Fernandes. Colocar o país a comunicar a uma só voz para atrair mais turismo é o objetivo do trabalho em curso com o Turismo de Portugal. “Sempre que Portugal comunica em conjunto o Algarve sai beneficiado. Todos saem beneficiados. Temos tudo a nosso favor: destino seguro, aposta em territórios menos concentrados, o contacto próximo com a natureza e com as tradições”, adianta o presidente do Turismo do Algarve.

As experiências gastronómicas, e o enoturismo em particular, geram valor acrescentado ao produto turístico, estimulam o desenvolvimento local, ajudam a atenuar a sazonalidade e diversificam as economias rurais. Por isso João Fernandes deixa alguns conselhos aos que querem visitar o Algarve: “Descubram este segredo que é o nosso vinho, conheçam a casta Negra Mole, percorram uma refeição (desde os aperitivos ao digestivo) com a extensa oferta vinícola que temos, terminando com um bom medronho. Aproveitem para fotografar as cascatas que há no interior do território, façam passeios a pé ou de bicicleta e visitem pelo menos uma das nossas 30 adegas, que já têm um conjunto de atividades muito interessantes. Porque não participarem na pisa da uva, numa vindima ou até escolherem o blend que querem no vinho? Temos oferta muito variada e experiências que valem a pena”, conclui.

Aliando o bom clima à qualidade dos vinhos da região, provenientes de quintas e adegas contemporâneas, o Algarve é nos dias de hoje um destino vínico de vanguarda, que sabe (ainda e sempre) receber bem. Na serra, na praia e… à mesa.

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