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Dona Niza, o início de uma tradição

O gosto de João Raposo pelo processo de produção de vinho foi herdado da família e recentemente foi materializado com a criação da Obserpolis. O empresário lagoense criou vinho Dona Niza em homenagem à sua mãe e tem-se destacado pela essência de um vinho branco carregado de alma.

A entidade Obserpolis, lda é uma empresa situada no Carvoeiro, em Lagoa, no Algarve, e nasceu há seis anos, fruto de uma ideia jovem. O administrador, João Raposo, demonstrou desde cedo o seu interesse pelo vinho, por volta dos dezasseis anos, “na altura do liceu quando comecei a querer ter o meu dinheiro, comecei a trabalhar na adega de Lagoa na altura das vindimas”. O interesse pelo mundo dos vinhos foi crescendo. A dinâmica e o processo das vindimas – desde a receção das uvas aos lotes selecionados dentro da adega – sempre despertaram o interesse de João Raposo.

Os terrenos vêm da herança dos seus pais e o nome é em homenagem à sua mãe “era uma vinha já com muitos anos, e resolvi dar continuidade à vinha, fazer um projeto e dar uma marca que foi eleita com o nome da minha mãe que era Dionísia, onde nós metemos o nome de Dona Niza, como eu tratava a minha mãe”, explicou.

A empresa é um projeto familiar, que conta com ajuda externa profissional “quando entrei nisto só gostava de beber vinho, não percebia nada de agricultura, nem de instalação, tive de investigar e de pedir ajuda e fazer formações a nível profissional para poder aplicar os fitofármacos de forma correta, nem demais nem de menos”, confessa.

A produção da empresa tem passado por cerca de seis a oito mil garrafas por ano. O engarrafamento está a cargo da Única, cooperativa da Lagoa, e a distribuição é da responsabilidade de um agente de vendas que faz a distribuição pelos supermercados Intermárche da zona, a única grande superfície em termos de divulgação do vinho. Além desta grande superfície a distribuição é feita em duas mercearias em Lagoa e uma garrafeira em Lisboa.

João Raposo sublinha que o que o move é ter um feedback positivo. Para já, estão no mercado dois vinhos brancos monocastas: crato e arinto. Enquanto o vinho produzido com a casta de crato é mais robusto e distinto, o vinho produzido através da casta arinto é um vinho de forte personalidade, o que o levou a ganhar o prémio de medalha de ouro dos vinhos do Algarve. Destaca-se ainda a vinha, localizada a poucos quilómetros da costa do Algarve, portanto, o mar tem também o seu papel na caracterização de um vinho que é certamente distinto.

Tomás Raposo, filho de João Raposo, estuda atualmente em Engenharia no Reino Unido e partilha já algumas responsabilidades com os pais na venda e na organização tendo também a ambição de, futuramente trabalhar para fazer crescer o negócio da família: “Há de chegar a minha vez de liderar também”, vincou.

O futuro próximo passa agora pela reconstrução da casa, “o meu irmão é arquiteto, o meu sobrinho mais velho é arquiteto e assim mantemos tudo na família.” Acrescenta ainda que o crescimento tem de ser feito com calma, para não esgotar a terra e a paisagem.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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