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Prémio Leya 2021 para José Carlos Barros

Leya

Numa decisão tomada por unanimidade, José Carlos Barros é o vencedor desta edição de um dos principais prémios de língua portuguesa. As Pessoas Invisíveis é “Um livro que tem a particularidade de dar a palavra a quem não a costuma ter”.

O prémio Leya voltou a ser atribuído após uma interrupção de dois anos, em 2019 porque as obras a concurso não corresponderam aos padrões de qualidade exigidos e, em 2020, devido à pandemia. O galardão distingue romances de ficção inéditos e tem por objetivo incentivar a produção de obras originais de escritores de língua portuguesa. Além da publicação do livro, o vencedor ganha um prémio pecuniário no valor de 50 mil euros.

“As Pessoas Invisíveis é uma viagem por vários tempos da história recente de Portugal desde a década de quarenta do século XX narrado a partir de uma personagem ambígua, Xavier, que age como se tivesse um dom ou como se precisasse de acreditar que tivesse um dom. Dos anos 40 do século XX, com a ambição do ouro, a posição de Salazar face à Guerra, a guerra colonial com todas as questões que hoje levanta, o nascimento e os primeiros anos da democracia”, justifica o júri no comunicado publicado no site da Leya.

Sublinham ainda a particularidade do livro “dar a palavra a quem não a costuma ter” como os habitantes do mundo rural ou os negros das colónias. “São seres quase diáfanos que sublinham uma sensação de quase perdição que atravessa todo o livro e constitui um dos seus pontos mais magnéticos”, destacam.

Em 2018 o vencedor tinha sido Itamar Vieira Junior, com Torto Arado, e que viria a ganhar, em 2020, os dois mais importantes prémios literários do Brasil: Jabuti e Oceanos. 

O júri era composto por Ana Paula Tavares (escritora e poetisa angolana), Isabel Lucas (jornalista e crítica portuguesa), José Carlos Seabra Pereira (professor de literatura portuguesa), Lourenço do Rosário (professor de letras em Moçambique), Nuno Júdice (poeta e escritor português) e Paulo Werneck (editor, jornalista e tradutor brasileiro), além de Manuel Alegre, presidente do júri. Foi aliás o poeta e escritor português quem telefonou ao vencedor deste ano.

José Carlos Barros tem obra publicada em prosa e poesia: em 2009 venceu o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama com o livro “Sete Epígonos de Tebas”. Com o romance “Um Amigo Para o Inverno foi finalista do Prémio Leya 2012.

Nascido em Boticas a 19 de julho de 1963, licenciou-se em Arquitetura Paisagista pela Universidade de Évora. Atualmente vive no Algarve, em Vila Nova de Cacela e tem-se dedicado a vários projetos de ordenamento do território e conservação da natureza. Foi também deputado do PSD entre 2015 e 2019 e ocupou cargos autárquicos, tendo sido vice-presidente da Câmara de Vila Real de Santo António.

Sobre este autor

João Malainho

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