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Alte: natureza, arte e tradição

Falamos de uma freguesia onde prima a cultura algarvia e onde a água é a imagem de marca. Alte é uma pequena aldeia que se localiza no interior do Algarve, no concelho de Loulé. O Presidente da Junta de Freguesia, António Martins, dá-nos a conhecer a beleza desta aldeia, com as suas caraterísticas distintas e encanto natural.

Ainda com traços da arquitetura tradicional algarvia, Alte transpira tradição e conta com uma fauna e flora diversificada que inspira por quem lá passa. Localizada numa região onde o solo é carateristicamente seco, tem uma enorme ligação com a água, mesmo apresentando duas realidades distintas. Por um lado, encontramos a serra que é seca no verão e extremamente fria no inverno, chegando a apresentar temperaturas negativas. Por outro, tem uma ribeira que nunca seca, uma caraterística que não se vê na região algarvia. Um dos seus pontos turísticos é a queda de água do Vigário, uma cascata lindíssima, de cortar a respiração.

Infelizmente a aldeia sofre de desertificação, no entanto, recebe dezenas de milhares de turistas ao longo do ano, “a população residente está a baixar muito rapidamente e há o contraste de recebermos muitos turistas, que por um lado traz riqueza e por outro uma grande pressão sobre as estruturas que temos”, afirma António Martins. Apesar da desertificação a vida cultural da aldeia é bastante ativa mantendo festas tradicionais e juntando algumas inovações que fortalecem a riqueza da freguesia. Uma das maiores tradições é o Carnaval, um dos mais antigos do país que se mantém muito típico e popular. No Natal algo de diferente acontece, poderá fazer a Rota dos Presépios, onde são visitados os presépios deixados à porta de casa, nas igrejas e até mesmo na farmácia local. Alguns são tipicamente algarvios, enfeitados com cearinhas e laranjas. Nesta época tem a oportunidade de assistir a concertos ao vivo promovidos pela divisão de cultura da Câmara Municipal, e ainda existe uma fogueira à porta da igreja na noite de Natal. Por fim, ainda se cantam as Janeiras na serra algarvia, tudo isto acompanhado por música natalícia nas ruas da freguesia.

Outra das particularidades de Alte é a escola profissional, a única no país sediada numa aldeia. Há um grande investimento neste setor: existe transporte para os alunos poderem estudar perto de casa, que percorre várias localidades da região. “É um polo que dá trabalho às pessoas da terra, o segundo maior empregador da freguesia, também permite que os jovens possam estudar na zona”, acrescenta o presidente. Os alunos desta escola também participam nas festividades de final de ano, organizando um mercadinho de Natal.

Para quem viaja pelo Algarve, pode usufruir da Via Algarviana – uma rota pedestre – durante o ano todo, cujo percurso passa por Alte. Esta rota traz muitos turistas estrangeiros que passam pela belíssima freguesia e inspiram-se com o seu encanto. Talvez seja por isso que a quantidade de moradores estrangeiros continue a aumentar na aldeia.

Também faz parte dos eventos anuais de Alte a semana cultural, que se inicia por volta do dia 25 de abril e termina no dia 1 de maio. Nesta semana pode contar, logo no primeiro dia, com uma prova de BTT, animação nas fontes e um concerto dedicado ao 25 de abril. No resto da semana existem exposições, concertos e, no próximo ano, contará com o dia das comunidades estrangeiras. No seu último dia, a tradição dita uma dedicação ao Folclore.

A grande particularidade cultural de Alte é o seu próprio festival, o Festival Fusos. Tem lugar no primeiro ou segundo fim de semana de junho e é onde os artistas mostram a sua criatividade. Há uma mistura de artes, ou seja, existe uma fusão de música com pintura, dança com escultura, tudo depende da criatividade entranhada nos artistas participantes.

A cultura não fica por aqui. No verão, a aldeia não para e podem contar com as típicas festas tradicionais, com muitas animações espalhadas pela rua, concertos, teatro e claro, com o festival. Com especial atenção, o “Ao Luar Teatro – Teatro Regional da Serra do Caldeirão” viaja pelas aldeias da região para levarem o espetáculo aos lugares mais reservados e isolados. Enquanto passeia pela freguesia pode encontrar diversas esculturas artísticas que dão personalidade ao local. Em execução, existe um circuito de água pela freguesia, que contará com locais de lazer e cada um com uma peça de arte diferente.

Os projetos da junta passam pelo desenvolvimento local, pelo turismo e pela cultura. A aldeia recebe muitos turistas, mas que apenas estão ali de passagem. A ideia passa por inverter esta lógica e atrair turistas para o interior e para passarem uns dias em Alte, usufruindo da genuinidade local. O objetivo não é ter um turismo em massa, mas um turismo controlado que possa criar postos de trabalho, dinamizar a economia e permitir vender os produtos locais como o medronho, o artesanato e o azeite.

“É uma aldeia com natureza, arte e tradição, em que nós queremos preservar essas vertentes. Queremos oferecer a quem nos visita tudo isto. Venham ver a nossa cultura, que é muita e rica, venham aprender as nossas tradições”, convida António Martins

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Sara Dâmaso

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