Cultura | Património

Salvaterra de Magos: “Capital Nacional da Falcoaria”

Salvaterra de Magos, a apenas 40 minutos de Lisboa, é por tradição um território que convida a ser visitado e que se orgulha de saber receber. É assim desde os tempos em que a família real ali mandou construir um imponente Paço Real, para nele passar longas temporadas marcadas pelas famosas caçadas e pela vasta programação cultural. Para além de ser a “Capital Nacional da Falcoaria” há muitos outros pontos de interesse a visitar nesta bela terra banhada pelo rio Tejo.

Um dos maiores legados da forte ligação da coroa a Salvaterra de Magos é a Falcoaria Real, construída no séc. XVIII, de arquitetura pombalina e inspirada nas falcoarias holandesas de setecentos, sendo hoje exemplar único na Península Ibérica.

A Falcoaria Real é visitada anualmente por milhares de turistas que tomam contacto com a sua importância histórica e com esta arte, reconhecida em Portugal como Património Cultural Imaterial desde 2016, por mérito da candidatura liderada pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, apresentada à UNESCO, juntamente com a Universidade de Évora e a Associação Portuguesa de Falcoaria. A par da componente histórica, o visitante tem também a possibilidade de descobrir esta prática conhecendo, com a ajuda de falcoeiros, as cerca de três dezenas de aves que integram o património vivo da Falcoaria Real de Salvaterra de Magos, numa visita de aproximadamente 60 minutos, que termina com uma demonstração de voo.

No concelho de Salvaterra de Magos, o Tejo conduz-nos a um ponto de inegável interesse turístico: a aldeia piscatória de Escaroupim. Fundada por pescadores avieiros oriundos da Praia da Vieira, no concelho da Marinha Grande, a aldeia tem uma identidade própria patente nas construções palafíticas pintadas de cores vivas e nas próprias embarcações tradicionais com que pescam no rio. Para se conhecer como viviam estes pescadores sugere-se uma visita à Casa Tradicional Avieira e ao Museu Escaroupim e o Rio, culminando com um passeio de barco no Rio Tejo.

Outro dos pontos de visita obrigatória no concelho é a vila de Glória do Ribatejo, com um património cultural riquíssimo e de uma beleza singular, patente na etnografia e tradições locais e que inspirou a primeira série portuguesa para a Netflix – “Glória”. Na visita, não podem faltar o Centro de Documentação e Estudos Etnográficos, a Casa Tradicional e o Museu Etnográfico de Glória do Ribatejo, onde se mergulha na preciosidade da arte de pormenor dos bordados glorianos, os quais integram a candidatura apresentada pela Câmara Municipal a Património Cultural Imaterial Nacional. O recém-inaugurado Espaço Jackson em Glória do Ribatejo e o Mercado de Cultura em Marinhais, espaços ao serviço da cultura e das comunidades, deverão também constar na agenda, assim como a Barragem de Magos, em Foros de Salvaterra, a Igreja Matriz, a Ponte Romana e a Casa Cadaval em Muge, entre muitos outros.

Da lezíria do Tejo à charneca, o concelho de Salvaterra de Magos aguarda a sua visita!

Sobre este autor

João Malainho

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