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EDITORIAL | EDIÇÃO 39 | SETEMBRO 2023

Setembro é um dos meses mais nostálgicos do ano. Ainda que a maior parte dos seus dias pertençam ao verão, será sempre visto e sentido como o mês da chegada do outono. Apesar de ser uma das estações em que a natureza nos presenteia com maior beleza, a sua vinda parece sempre indesejada, apenas porque é a despedida do verão. Uma chegada repentina, comparada à passagem do tempo, “das primaveras e invernos de uma vida inteira”, como canta Frank Sinatra em September of my Years (1965).

Num mês particularmente inspirador para a música, como a nostalgia que o carateriza, há quem nele tenha tido um dia para recordar, ainda que aparentemente efémero. É disso que nos fala One September Day (1965) de Nina Simone: “não o quente maio ou dezembro, nem junho ou novembro, mas um dia de setembro”.

Há ainda quem reaja de tal forma ao fim do verão que “já passou”, que peça para só ser acordado “quando setembro chegar ao fim” – os Green Day em Wake me Up When September Ends (2004). Para não ficarmos num tom demasiado depressivo, arriscando a indesejada letargia, talvez seja melhor deixarmo-nos ir pelo romantismo. September Morn (1978), de Neil Diamond, leva-nos até à reconciliação de um casal desavindo, ou talvez com o próprio mês. Não por acaso, aqui fala-se da manhã seguinte a uma madrugada passada a dançar, e não do ocaso que seria mais condizente com o outono.

Saltamos assim, das canções para a poesia, sempre com este mês em fundo, mas evoluindo nas suas cambiantes, ao sabor das palavras de Eugénio de Andrade:

“Tu és a esperança, a madrugada.
Nasceste nas tardes de setembro,
quando a luz é perfeita e mais doirada,
e há uma fonte crescendo no silêncio
da boca mais sombria e mais fechada.”

É com esta luz, perfeita e doirada de mais um outono, que o convidamos a folhear esta edição da nossa revista. Particularmente variada em temas, indo sempre ao encontro de histórias, testemunhos, ideias e experiências, que nos permitam descobrir a criatividade e a inovação, onde quer que estejam.