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Programa Alimentar Mundial, das Nações Unidas, vence o Nobel da Paz deste ano

O Comité Norueguês do Nobel atribuiu o Prémio Nobel da Paz de 2020 ao Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM), pela sua liderança no combate à fome em todo o mundo e pelo papel fundamental no apoio às populações que vivem em zonas de conflito.

O Programa Alimentar Mundial (WFP, na sigla em inglês) viu o seu trabalho hoje reconhecido pelo comité norueguês do Nobel, sendo-lhe atribuído o prémio para a paz, “pelos seus esforços para combater a fome, pela sua contribuição em melhorar as condições para a paz em áreas afetadas por conflitos e por agir como uma força motriz nos esforços para prevenir o uso da fome como uma arma de guerra e conflito”.

Em 2019, o programa, ligado às Nações Unidas, assistiu cerca de 100 milhões de pessoas em 88 países. O comité Nobel destaca que a pandemia aumentou a necessidade de auxílio alimentar. “A comida está menos disponível para algumas populações por causa do vírus”, disse, em Oslo, a presidente do comité, Berit Reiss-Andersen.

O Programa Alimentar Mundial tem o objetivo de erradicar a fome e malnutrição. No site da organização é referido que 690 milhões de pessoas vão para a cama de estômago vazio apesar do mundo produzir comida suficiente para todos. 

O diretor executivo do Programa Alimentar Mundial, David Beasley, mostra-se honrado e lembra que o prémio é para uma “família” que trabalha nos locais mais complicados do mundo para combater a fome das populações.

“A pandemia do novo coronavírus contribuiu para um forte aumento no número de vítimas da fome por todo o mundo”, lamentou, elogiando de seguida o Programa Alimentar Mundial por “ter demonstrado uma capacidade impressionante de intensificar os seus esforços” durante esta crise.

“Até ao dia em que tenhamos uma vacina médica, a comida é a melhor vacina contra o caos”, defendeu a organização.

O Comité Nobel Norueguês relembra, no seu texto de atribuição do prémio, que “a ligação entre a fome e o conflito armado é um círculo vicioso” e que acontece em países como o Iémen, República Democrática do Congo, Nigéria ou Burkina Faso.

“A guerra e o conflito podem causar insegurança alimentar e fome, tal como a fome e a segurança alimentar podem causar conflitos latentes que originam o uso de violência. Nunca atingiremos o objetivo de abolição da fome se não pusermos fim à guerra e ao conflito armado”.

O laureado com o Nobel da Paz recebe dez milhões de coroas suecas, quase um milhão de euros, um diploma, e a famosa medalha com o relevo do perfil de Alfred Nobel. A cerimónia de entrega será a 10 de dezembro em Oslo.

O Comité Nobel Norueguês espera, com a escolha de atribuir o prémio ao PAM, “virar os olhos do mundo para os milhões de pessoas que sofrem ou enfrentam a ameaça da fome”.

“O Programa Alimentar Mundial desempenha um papel-chave na cooperação multilateral para tornar a segurança alimentar um instrumento de paz e contribuiu fortemente para a mobilização de Estados-membros das Nações Unidas no sentido de combater a fome como arma de guerra e conflito”.

A organização “contribui diariamente para o avanço na fraternidade de nações que Alfred Nobel [químico e inventor sueco que doou a sua fortuna para criar o Prémio Nobel] dizia ser a sua vontade”, escreve o comité.

“O trabalho do Programa Alimentar Mundial para o benefício da humanidade é um esforço que todas as nações do mundo devem ser capazes de defender e apoiar”, acrescenta.

Havia 211 pessoas e 107 organizações nomeadas para o Nobel da Paz deste ano.

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Jorge Teixeira

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