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Palmela, tesouro entre Tejo e Sado

A Ordem de Santiago radicou-se em Palmela desde o século XII e, entre os finais do século XV e 1834 – data da extinção das Ordens Religiosas -, manteve sede no castelo. A forte ligação da vila e da fortificação à milícia santiaguista constituiu o ponto de partida para o desenvolvimento de um trabalho do município de Palmela, com o intuito de valorizar e promover o Caminho de Santiago.

Palmela e o seu Castelo, na serra da Arrábida, constituíram ponto obrigatório de contemplação e passagem dos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela. Num momento em que o município continua a trabalhar, em parceria com Setúbal e a Associação de Peregrinos Via Lusitana, na definição do traçado que inclui parte da Península de Setúbal, o Presidente Álvaro Balseiro Amaro mostra-se entusiasmado com a adesão à Federação Portuguesa do Caminho de Santiago e confiante no seu impacto positivo, com reflexos na atratividade do território e na autoestima local.

O município trabalhou afincadamente neste objetivo de fazer reviver o Caminho de Santiago, dando sequência a uma ambição antiga da população, que sempre se sentiu intimamente ligada ao Caminho e orgulhosa desta herança, ou não tivesse Palmela sido sede da Ordem de Santiago até à sua extinção, no século XIX. Trata-se de um importante vetor de desenvolvimento sustentável e integrado, desde logo, pelo aumento da atratividade junto de um segmento de visitantes com interesse no touring cultural e que, em Palmela, é muito bem complementado pelos produtos enoturismo, gastronomia e turismo de natureza.

Esta relação deixou uma marca profunda na identidade cultural, sublinhando-se o Castelo e a Igreja de Santiago, onde está sepultado o último Mestre da Ordem, D. Jorge. Através do Gabinete de Estudos sobre a Ordem de Santiago, o Município tem promovido, nas últimas décadas, várias iniciativas científicas com especialistas internacionais, que têm resultado numa profusa produção bibliográfica sobre o tema das Ordens Militares. Este é um “tesouro” que continua a renovar-se, com a abertura de linhas de investigação.

O Município de Palmela pretende assim avançar com a sinalização do caminho e captar fundos para a criação de um albergue municipal. Entretanto, foi concluída uma longa intervenção de reforço das encostas do Castelo, e está em conclusão a empreitada que o tornou acessível a todos os públicos e, em breve, haverá uma intervenção na Torre de Menagem, a nível estrutural e de musealização. Estes investimentos fazem parte de um plano de conservação contínua e promoção deste monumento, cuja fruição plena de ser assegurada às futuras gerações.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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