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“Temos que pegar naquilo que pensamos ser uma desvantagem e usar como ferramenta”

A Casaparasi é uma agência imobiliária que vai ao encontro às necessidades e preferências do cliente e acompanha-o em todo o processo de aquisição e/ou de venda do seu imóvel. Sandra Lopes fundou esta agência em 2015, em conjunto com Francisco Gaspar, com quem forma equipa desde 2013. Em entrevista, a diretora da agência realça a importância de simplificar o trabalho dos seus clientes.

A Casaparasi surgiu em 2015, como tem sido o percurso da empresa?

O percurso tem sido, o que penso ser, o normal de uma empresa destas, retirando talvez, a carteira de clientes, ou seja, já havia uma base trabalhada por mim do meu trajeto profissional anterior. O objetivo era solidificar o nome CASAPARASI e colocá-lo no topo das pesquisas de quem procura investir no imobiliário, seja para residência ou investimento. Considero que tem sido um percurso positivo.

Atuando numa área tão importante para diversas famílias, que procuram o seu lar de sonho, qual é a missão da Casaparasi, e como é que mudam a vida dos vossos clientes?

A missão é mesmo essa: ajudar e ser parceira nessa mudança de vida, da melhor forma, tentando que essa procura não seja um problema. Os clientes já têm outros problemas e não queremos ser mais um, queremos ser a solução e que, quando pensem em imobiliária, seja de uma forma agradável, sendo a nossa imagem a primeira a vir à cabeça. Cada cliente é UM(A) cliente… todos são diferentes e devem sentir isso mesmo, que não são mais um, mas sim um. Porém concretizar isto não é uma tarefa fácil porque com o aumento da procura, pode ser complicado manter determinado serviço, e é essa a luta maior.

Por norma, nos últimos anos, o mercado imobiliário é caracterizado pela falta de oferta. Como descreve o mercado na vossa zona de alcance? Para viver ou para investir, Ponte de Sor é uma localidade atrativa?

A nossa zona de alcance tem um mercado igual à da maior parte do país, ou pelo menos das zonas centrais: muita procura e pouca oferta. São zonas com pouco mercado imobiliário. Atuamos numa área importante para diversas famílias, as que já cá residem e aquelas que querem vir residir. Ponte de Sor é uma localidade atrativa para viver e investir, não sou só eu que o digo, os clientes com quem converso ou fecho negócio têm o mesmo parecer. Cada vez mais famílias, com filhos em tenra idade, querem deixar as grandes cidades onde sentem que não têm qualquer qualidade de vida. Em regiões como Ponte de Sor não se perde tempo no trânsito e o que se ganha serve para passar com quem se queira. Além disso a região oferece as mesmas regalias que existem nas grandes cidades, e se quiserem alguma coisa que aqui não encontrem, em poucos minutos o encontram nas localidades à volta, sendo que Lisboa está a pouco mais de hora e meia.

O investidor consegue realizar o seu investimento a um custo mais baixo, que em Lisboa, Porto ou Algarve, e obter um rendimento positivo. Sendo uma zona de interior do país obtém ainda outros tipos de vantagens, muitas vezes pouco promovidas e até desconhecidas.

Sendo o mercado imobiliário muito competitivo, quais são as principais características da Casa Para Si que a diferencia de outras imobiliárias?

Concordo com a afirmação, o mercado imobiliário é muito competitivo, diria agressivo demais. Quero acreditar que as diferenças assentam no tratamento que os clientes recebem, sentindo confiança e deixando tudo esclarecido para que não existam dúvidas em alguma questão, ao longo da negociação, ou assuntos com ‘sombras’. Procuramos ser o mais claros e elucidativos possível, sem zonas cinzentas. Procuramos criar um serviço o mais profissional possível e ao mesmo tempo familiar.

Enquanto mulher e enquanto empreendedora, pode nos contar como começou a sua experiência e quais as maiores dificuldades que enfrentou? Acredita que o empreendedorismo para a mulher tem alguns obstáculos diferenciados?

A minha experiência na área imobiliária iniciou-se no final de 2007, vinda da área do jornalismo. Entrei num mundo semelhante, em termos de competitividade agressiva, mas com conceitos diferentes. Confesso que a minha experiência de jornalismo e de radialista foi, e é, uma ferramenta essencial. A minha entrada neste mundo foi através de uma das marcas chamadas ‘grandes’, a imobiliária RE/MAX, onde fiz toda a aprendizagem e formação. Foram cerca de cinco anos para retirar e apreender tudo que considerei útil para poder utilizar nesta profissão. O que fiz a seguir foram mais quatro anos a solidificar toda essa aprendizagem e aumentar o conhecimento no mercado e dar-me ao conhecer a mim e à minha forma de estar e trabalhar. A seguir foi altura de apostar na profissão e na marca que queria criar.

As maiores dificuldades foram sempre aproveitadas para aprender com elas, como ainda hoje o faço. Não é fácil, mas é dos pontos mais importantes para conseguir seguir sempre em frente.

Nesta área lidamos com pessoas com personalidades muito distintas e por vezes pouco versáteis, pouco pacientes. Para mim essa é a pedra mais difícil de limar; a seguir a parte financeira, não sendo um trabalho com ordenados fixos, por vezes não é fácil de gerir, por diversas razões, pode correr-se o risco de estar vários meses sem conseguir realizar o fecho de um negócio mas continuamos sempre a ter as despesas mensais; a outra dificuldade é a burocracia… a experiência que tenho tido leva me a apontar que seremos um dos países mais burocráticos, às vezes temos boas pessoas e consegue-se resolver um problema , outras vezes temos pessoas menos boas e criamos um problema em cima do problema existente… estas são as dificuldades de qualquer Ser, Homem ou Mulher.

Agora, se o empreendedorismo para a mulher tem alguns obstáculos diferenciados? Infelizmente tenho que dizer que sim… por mais que se diga que não há diferenças, o facto de se criarem leis da paridade, na minha opinião, diz tudo. Continua e haverá sempre diferença, resta saber se essa diferença pode ser uma dificuldade – e por vezes, no caso das mulheres pode -. É preciso ter muita determinação. O que temos como desvantagem também podemos usar como vantagem, há que ser criativo ou criativa – esta pandemia veio realçar esse ponto.

Existem características mais particulares ao género que ajudam a mulher a entrar no mercado e empreender de forma diferenciada?

Temos que pegar naquilo que pensamos ser uma desvantagem e usar como ferramenta. As mulheres conseguem ser mais intuitivas que os homens, realizar mais tarefas em simultâneo que os homens (existem registos de estudos científicos a prová-lo). Quando digo isto, não digo que não existam homens com estas características ou mulheres sem elas, refiro-me à maioria. Esta são duas características que considero serem as principais, se forem bem desenvolvidas são uma vantagem no mercado imobiliário (e talvez em todas as outras profissões) e poder aproveitar o tempo de forma positiva, um bem essencial nesta área.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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