Educação

“Neste momento já temos na escola filhos de antigos alunos”

Nasceu pouco tempo depois de terem aparecido as primeiras escolas profissionais e é hoje uma instituição de referência ao nível desta via de ensino. Adaptada às necessidades do mercado laboral e aberta à comunidade, a Escola Profissional de Tomar (EPTomar) tem na satisfação dos alunos o seu melhor indicador de qualidade.

A caminho dos 30 anos, a EPTomar nasceu com o lema “Escola Profissional para aprender a aprender e aprender fazendo”. Assente na visão de que a escola deve funcionar como uma oficina, surgiu para colmatar “a brecha que se abriu no sistema educativo nacional” com o fim dos cursos técnico-profissionais. “Enquanto mentores da ideia do projeto da EPTomar achávamos que era uma componente extremamente importante na formação dos jovens, por um lado, e por outro na estruturação do próprio tecido económico porque mão de obra qualificada é sempre uma mais-valia”, conta o diretor Horácio Silva.

Atenta às necessidades do mercado de trabalho, a escola tem uma oferta ampla de cursos de nível IV de dupla certificação com equivalência ao 12º ano. Inclui um centro de formação contínua e uma academia de línguas virada para o tecido social e empresarial da região. “Tendo recursos físicos materiais e humanos, não faria sentido que não os utilizássemos em prol da comunidade”.

A criação de “todas as formas de pontes” possíveis é fundamental até porque na opinião de Horácio Silva as escolas profissionais de um modo geral mostram mais abertura à comunidade do que o contrário. Para a EPTomar este não é um problema já que tem protocolos assinados com mais de 100 empresas e entidades nacionais e internacionais. Neste âmbito a aposta recai sobre “três percursos distintos”: a cooperação com empresas e entidades onde a Escola vai fazer formação e que vêm fazer formação à Escola em setores como as artes gráficas, informática ou hotelaria. A formação em contexto de trabalho e a rede de parcerias internacionais. Desta rede beneficiam o pessoal formador e os alunos que têm experiências de formação no exterior, uma prática corrente no âmbito de programas como o Sócrates, Leonardo Da Vinci e, agora, o Erasmus.

No ano passado a Escola recebeu o Selo de Conformidade EQAVET, o que na prática significa que está alinhada com as normas utilizadas para a certificação do ensino e formação da União Europeia. “Com o selo de conformidade podemos dizer «nós temos um trabalho com qualidade reconhecida», não obstante essa qualidade – e essas são as medalhas que normalmente ostentamos – ser a opinião de todos aqueles que por aqui vão passando. Neste momento já temos na escola filhos de antigos alunos, o que é bom sinal”, realça o responsável.

Para Horácio Silva a opção pela via profissionalizante é “extremamente vantajosa” até para o prosseguimento de estudos. A “ideia estigmatizante do curso profissional como fim de linha hoje está completamente ultrapassada”. Não só “uma boa percentagem de alunos” que terminam o ensino profissional vão para o ensino superior e com sucesso, “como os outros alunos vão para o mercado profissional e também com sucesso porque, no mínimo, já sabem o que querem fazer”, defende.

Quanto ao papel da EPTomar na Festa dos Tabuleiros, como está no ponto de partida do cortejo assume-se como “uma das primeiras montras da festa”. Também ajuda a “engalanar a cidade” na zona onde está inserida – o casco histórico – que é o centro da celebração e onde há cada vez menos moradores.

“O ambiente social no concelho em ano de festa é diferente do ambiente social no concelho nos outros três anos”, diz Horácio Silva, acrescentado “que é pena que não sejamos capazes de manter aquele espírito de cooperação, solidariedade, entrega e dádiva”.

Sobre este autor

João Malainho II

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