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EDITORIAL – edição 26 | fevereiro 2022

Numa das mais bem conseguidas capas de um álbum de banda desenhada que eu me lembre, lia-se que tinham sido necessários entre outros, 14 litros de tinta-da-china, 38 quilos de papel, 16 fitas de máquinas de escrever e 67 litros de cerveja (!) para a sua realização. O álbum em questão era “Astérix e Cleópatra” (1963), com o humor refinado de Goscinny na escrita e o traço inimitável de Uderzo no desenho. É que nesse mesmo ano estreava nos cinemas o épico Cleópatra, com Elizabeth Taylor como imperatriz do Egipto. Era o filme mais caro de sempre até então, o que motivou essa muito acertada e hilariante entrada do álbum do herói Gaulês.

Veio-me isto à memória porque de cada vez que levamos a cabo uma empreitada, ao vê-la completa, é inevitável que nos recordemos dos recursos necessários para aí chegar. E se é certo que não temos, à semelhança de grande parte das empresas portuguesas, recursos comparáveis aos dos estúdios clássicos de Hollywood, que nunca nos falte o engenho, a astúcia e o otimismo dos nossos amigos Gauleses. Para além disso temos uma edição recheada de mulheres carismáticas. Como poderá ver nas nossas páginas, a começar pela capa, o nosso país pode bem orgulhar-se das muitas gestoras e profissionais altamente qualificadas que tem, não só cá dentro como pelo mundo fora. Sim, porque nesta edição vai encontrar casos de sucesso de portuguesas também na Europa e em África.

Retomando a ideia de empreitada, para completarmos esta edição foram também necessárias muitas horas de trabalho e muitos quilómetros de estrada. Foram muitas as idas a Tomar, e disso damos conta nesta revista. A candidatura da “Festa dos Tabuleiros” a Património Cultural Imaterial Nacional e, futuramente, da Humanidade foi o mote para muitas conversas, entrevistas, pesquisas, fotografias e viagens. Percorremos o concelho de uma ponta à outra, fomos muito bem acolhidos na Câmara Municipal, nas Freguesias e nas principais instituições da cidade, escolas e empresas. Provámos os Vinhos do Tejo e a cozinha ribatejana, tornámo-nos clientes habituais da restauração da cidade, onde passámos a ter a “nossa mesa” à espera.

Sentimos o espírito tomarense, fraterno e solidário da Festa e a alma nabantina. O resultado está nas suas mãos, espero que tenhamos conseguido refletir esse significado. Até porque há uma mensagem muito bonita a passar, de profundo respeito pelo “outro”, de dádiva e generosidade que, mais do que nunca, temos o dever de preservar.

Sobre este autor

João Malainho

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