Mulheres Inspiradoras Mundo Empresarial

A janela como tela em branco

A Plano A – Calhas, Varões e Cortinados deu um novo passo naquele que tem sido um percurso consistente de sucesso: a abertura do seu espaço físico. A IN Corporate foi conhecer a loja em S. Mamede de Infesta, precisamente no dia da inauguração. Numa manhã ventosa de março, marcada por sentimentos ambíguos, encontrámos aconchego e ouvimos o testemunho assertivo de Cristina Pestana, a criadora e o rosto da empresa.

Tal como um cortinado bem concebido é capaz de realçar o melhor do espaço que ocupa, também a história de uma empresa pode fazer-nos olhar para aspetos da vida que são essenciais. No caso da Plano A há muito a dizer sobre afetos, cumplicidade, companheirismo e família (de sangue e não só). Se Cristina Pestana é hoje uma empreendedora de sucesso, deve-o ao seu marido. E a escolha da data da inauguração da loja física, a 3 de março, foi um gesto para com o companheiro de uma vida de 39 anos em comum, diz com comoção. “Hoje é um dia com um misto de emoções. Faz um ano que o meu marido faleceu e por isso eu fiz questão de abrir hoje. É uma forma de prestar uma homenagem porque foi ele o grande incentivador da Plano A.”

O espaço com uma localização privilegiada, “a meio caminho entre o Porto e Matosinhos”, foi encontrado pela filha que também se dedicou à decoração da loja. No primeiro piso peças e mobiliário antigo restaurado como uma mesa de telefone, uma senhorinha, cadeiras da saleta de um médico e o sofá dão um toque especial ao espaço dialogando com elementos modernos. A loja é partilhada com o projeto de
vestuário “Princess Mirror” de uma amiga “que faz parte da grande família do coração” da empresária. “Esta loja faz a passagem da casa para as pessoas da casa”. Há uma área de mobiliário e de decoração e outra que tem mais que ver com o lado pessoal, “porque nós também temos que nos sentir bem connosco próprios”, lembra. No showroom situado no andar de baixo, há amostras de tecido, “cortinas com vários feitios e várias formas de serem colocadas”. Numa área onde o toque é muito importante, esta é uma das grandes vantagens em ter-se um espaço físico, embora a loja online se mantenha em www.lojaplanoa.pt como essencial para a empresa.
Criada em 2017, a Plano A surge na vida de Cristina Pestana numa altura em que ficou desempregada depois de 25 anos a trabalhar na área de seguros, primeiro numa seguradora e depois numa corretora da área de franchising e numa holding que foi sujeita a uma reestruturação. Nesta situação adversa encontrou a energia e o apoio de que precisava, e no gosto pela área a motivação para tornar-se empreendedora.

A Plano A vende todo o tipo de produtos de decoração para janelas, como calhas, varões, cortinados e estores à medida para clientes particulares e empresas. Privilegia a qualidade quer na matéria-prima, que é sempre nacional ou da União Europeia, quer no fabrico. É aqui que entra outro elemento do mapa de afetos da empresa: a fábrica Carvalho, Ribeiro & Neves, Lda., de que o marido era sócio e com mais de 40 anos de experiência no mercado. Com ela mantém uma “ligação que “é impossível desvincular” até porque foi muito importante em todo o processo de criação da Plano A. “É uma fábrica de artigos para cortinados, portanto calhas, varões, argolinhas, deslizadores tudo é fabricado lá. Não tenho nesse ramo outro fornecedor e faço questão disso”, sublinha a empresária. Sempre presente nos projetos da Plano A, há agora a vantagem de serem vizinhos já que a empresa está sedeada em Leça do Balio.
A Plano A tem também um serviço de consultadoria gratuito, aliás Cristina Pestana anda sempre com o telemóvel e o iPad onde tem o seu portefólio. Em Lisboa, onde vai uma vez por mês e já fez grandes projetos, terminou recentemente o de uma residência sénior em Belém. Quando é impossível deslocar-se pessoalmente aos locais, fala com o cliente por telefone e envia as amostras por correio. “Tenho uma única cliente em Lisboa que tem feito tudo às cegas. Ela só me diz “olhe quero um tecido assim e eu digo ok”. [Depois] dá-me as medidas e eu mando-lhe as calhas e os cortinados pela transportadora e ela só me diz “Perfeito, era isto que eu queria”. E é ótimo porque também nos dá uma confiança muito grande sabermos que conseguimos satisfazer as pessoas sem que elas tenham aquela necessidade imperiosa de ver”, refere com orgulho a empresária.

Cristina Pestana conhece bem o seu público-alvo: entre os 30 e os 45 anos, de classe média alta. Tem havido uma procura crescente por parte de seniores que, já mais desafogados das despesas com os filhos, trocaram as casas demasiado grandes só para dois por “apartamentos à beira-mar com muita luz e rodeados de água”. Um tópico que nos leva à pandemia, uma fase em que a loja online teve um enorme incremento em termos de procura e venda. “Porque as pessoas estavam em casa e começaram a olhar para dentro de casa, sentiram necessidade de ter conforto”, justifica. O teletrabalho, com a presença de
câmaras em casa, também teve o seu peso.
A conversa com uma especialista tinha de passar pelas tendências – afinal há imensas possibilidades ao nível dos tecidos, efeitos e aberturas de cortinados. Além do clean usase o natural, “tudo o que não envolva tinturarias”, por causa da sustentabilidade, realça. Isto apesar de Portugal ter “na sua área têxtil tem uma vasta gama de empresas que fazem estampagem com tintas naturais que ficam lindíssimas”.
Percebe-se que a preocupação está na melhor adequação possível ao espaço e ao cliente. “Os estores de bandas podem ser usados em salas, por que não? Já temos feitos vários trabalhos e ficam bem desde que se escolha a tela certa, a tela exata”, exemplifica.
Quanto à imagética das cidades modernas com edifícios completamente transparentes, a empresária associa-a mais a países do Norte da Europa pelo máximo aproveitamento que têm de fazer da luz solar. Até porque “Nós gostamos da nossa privacidade, de estarmos no nosso cantinho sem que ninguém dê por ela”, afirma. “Há uma diferença imensa no ambiente de uma divisão quando se põe a cortina e os próprios clientes dizem-me isso. Dizem mesmo “já tenho uma casa nova” e é verdade porque abafa o som, corta o eco e depois dá conforto. Mesmo ao nível da temperatura do corpo, porque a cortina não é só para tirar o frio, é também para tirar calor no próprio verão”, aponta.

Sobre este autor

João Malainho

Adicionar Comentário

Escrever comentário