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Algarorange: Não há Algarve sem Laranja

Em quatro anos de existência a Algarorange tem lutado por promover, divulgar e valorizar a excelência dos citrinos do Algarve. Em entrevista à IN Corporate, o engenheiro José Oliveira, presidente da direção, falou-nos das preocupações e do futuro de um dos setores mais importantes da região.

Mesmo tratando-se de um projeto recente a associação tem deixado a sua marca e conseguiu que a importância do setor fosse reconhecida, quer ao nível dos outros setores da economia, quer ao nível das entidades administrativas que gerem a região. “Foi dada importância ao setor, isto foi muito positivo da parte da associação”, salientou José Oliveira.

A Algarorange é hoje constituída por doze associados: Cacial, Frusoal, Frutalgoz, Frutas Lurdes, Frutas Tereso, Matinhos Hortofruticultura, Frutarade, Lisboa Correia, Machado & André, Martifruta, Cordeiro & Filhos e Mediterrâneo Dourado. Promover a qualidade da laranja no exterior é o principal papel da associação. “Quanto mais as grandes empresas exportarem mais os outros têm mercado cá dentro.” A Alemanha é um dos países para onde os citrinos são comercializados. “Nós aqui, na Algarorange, conseguimos abrir uma linha de exportação para a Alemanha, de uma cadeia de distribuição que é o Lidl.” A Cacial, a Frusoal e a Frutalgoz são as entidades participantes até agora. “Estas três empresas exportaram para a Alemanha, o ano passado, 1600 toneladas. Este ano já foram ultrapassadas as mil toneladas.”

A laranja é uma bandeira do Algarve, e a sua qualidade é reconhecida internacionalmente. “Os citrinos do Algarve representam já quase 90% da produção nacional. O equilíbrio entre o açúcar, a acidez e o sumo faz a diferença.” Uma das principais preocupações atuais do setor é a água, um recurso natural fundamental para a produção. “No problema da água coloca-se também a eficiência, e o setor tem dado passos substanciais nesse campo, quase todos os pomares hoje são dotados com rega gota a gota.” Para o presidente da associação todos têm de estar alinhados no objetivo de reduzir o consumo de água, e critica o timing das decisões. “As medidas que estão a ser tomadas agora deviam ter sido tomadas há muitos anos”. José Oliveira defende soluções a longo prazo. “Do ponto de vista estratégico, nós continuamos a dizer que temos de ter mais condições de retenção de água. Reclamamos a barragem da Foupana e Açudes na Serra Algarvia. A água que cai aqui na Serra Algarvia vai diretamente para o mar.” O presidente acredita que a solução passa por estender os perímetros de rega, de maneira a integrar o mais possível a agricultura do centro do Algarve, ou fazer outro perímetro com novas captações, designadamente na barragem da Foupana.

Para o futuro, a associação pretende conseguir a gestão da indicação geográfica protegida, para a divulgar e haja mais produção certificada, de forma que o consumidor tenha a garantia da qualidade dos citrinos da região. “O consumidor quando vai às compras e vê uma certificação que garante a qualidade do produto fica mais descansado. Nós pretendemos promover em massa a indicação geográfica protegida.” A ideia passa por fazer com que os produtores adotem metodologias de trabalho de acordo com as certificações e preocupações ambientais.

Sobre este autor

João Malainho II

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