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Bem-vindos à “nova” EPA Carvalhais / Mirandela

A Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural (EPA) de Carvalhais / Mirandela é um ativo essencial para o desenvolvimento de toda a região. Até porque é a única escola profissional pública do Alto Trás-os-Montes, com uma exploração agropecuária de 57 hectares. Com oito cursos profissionais nas áreas da Agricultura, tem vindo a apostar cada vez mais na Tecnologia e na Hotelaria. É uma “escola aberta à comunidade” aquela que nos recebeu, numa visita guiada pelo seu diretor, Marcelino Martins.

A autoestrada A4 rasga Trás-os-Montes na diagonal, de Vila Real a Bragança. A meio caminho, entre as duas capitais de distrito, situa-se estrategicamente Mirandela. Assim que se acaba de atravessar o túnel da Serra do Marão, rumando a Nordeste, é como se entrássemos num outro mundo. A partir das terras altas transmontanas o horizonte estende-se de tal forma que nos invade uma tranquilidade rara.
Já em Mirandela viramos em direção à EPA, instalada na Quinta de Carvalhais que impressiona, logo à chegada, pela sua dimensão e campos devidamente ordenados. Aí pastam tranquilamente algumas ovelhas, a um ritmo que nos lembra porque é que tudo o que é produzido por aqui tem tanta qualidade. Destacam-se também as estufas, impecavelmente novas, no meio do prado. Um dos resultados da nova direção, liderada por Marcelino Martins, que tomou posse em agosto do ano passado. “Apanhámos uma escola um bocadinho fechada. As estufas estavam completamente degradadas, agora estão novas,” começa por nos dizer.


O relatório de inovações nos últimos meses é extenso e revela o trabalho e empenho da atual direção. Desde logo a pensar na sustentabilidade ambiental, “vamos passar brevemente todas as bombas elétricas para painéis solares. É essa a nossa meta: energia limpa.” Para além do ambiente também o orçamento da Escola sai a ganhar, com a substituição da antiga caldeira a gás por uma caldeira que funciona a caroço de azeitona. “A despesa que tínhamos de dois mil euros passou para duzentos. Estamos a contribuir para o meio ambiente e para o bem da escola financeiramente”. O edifício da antiga escola também já está a ser utilizado e será cada vez mais rentabilizado. Em tempo recorde conseguiram fazer ali chegar a Internet, absolutamente necessária para as aulas de TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação). O refeitório mudou também de local, reabilitando instalações antigas e aumentando a sua capacidade de resposta. Se antes serviam apenas 50 alunos de cada vez, agora conseguem servir 150. Tudo isto em apenas seis meses, dando uma nova vida à EPA Carvalhais / Mirandela. “Estamos aqui para servir a escola, não é para nos servir a nós”, afirma Marcelino Martins garantindo ainda que “se nos deixarem continuar a trabalhar, cá estamos.”


Empregabilidade a cem por cento
Estamos na única escola profissional pública do Alto Trás – os- Montes, numa zona eminentemente agrícola, em que o sector primário tem um papel fundamental ao nível da empregabilidade. Neste contexto a relevância económica e social da EPA Carvalhais / Mirandela para toda a região é inquestionável. Mas, para além da agricultura, há outras vertentes que se têm revelado fundamentais. O curso de cozinha e pastelaria é um ótimo exemplo, ou não estivéssemos numa das melhores zonas do país no que à gastronomia diz respeito. Tivemos a oportunidade de visitar a cozinha, muito bem equipada e organizada, onde são confecionados pratos principais e sobremesas com profissionalismo e bom gosto. Para além disso, o diretor da Escola assegura que “temos técnicos de muita qualidade e estamos a apostar nessa área.” Os resultados estão à vista, também ao nível da empregabilidade, “a cada hora que passa ligam-nos para ver se temos disponibilidade de alunos que tenham terminado o curso.”
O curso de Técnico/a de Mecatrónica Automóvel é outro caso de sucesso, com uma empregabilidade de cem por cento. Com a formação de qualidade que aqui é dada, por técnicos especializados, todas as reparações de tratores e alfaias agrícolas da Escola são “realizadas em formação e contexto de trabalho.” A autonomia de toda a exploração é impressionante, assim como o bom ambiente entre professores e alunos, de que nos fomos apercebendo ao longo dos vários espaços que percorremos.
Nos cursos de agricultura “os alunos saem daqui com habilitação para estar à frente de uma quinta agrícola, saem a dominar qualquer alfaia agrícola e com a habilitação de carta de trator.”

O bom trabalho aqui desenvolvido nota-se também no aspeto dos animais. O ar sereno e bem tratado de cavalos, vacas, ovelhas e cabras da quinta não engana. Aproximam-se à nossa passagem, procuram interagir connosco, sinal óbvio de que estão habituados a uma presença humana afável. Não esquecer ainda o importante curso vitivinícola, com empregabilidade de cem por cento também. “Saem muito bem preparados, desde a poda da vinha, a dominar todo o conceito desde a produção do vinho até à garrafa.” Marcelino Martins resume a alta taxa de empregabilidade da escola numa só frase: “eu acho que hoje em dia só não trabalha na agricultura, só não tem trabalho numa oficina ou numa vinha quem não quiser.”


“Uma escola aberta à comunidade”
A Escola pretende ser um polo dinamizador da região, e já o é de facto, assumindo-se claramente na linha da frente ao combate à desertificação do Nordeste. Todos são bem recebidos aqui, “costumamos dizer que somos uma grande família”, diz-nos Marcelino Martins, manifestando a sua grande preocupação com todos os seus alunos. Há uma grande disponibilidade para ouvir toda a gente, alunos, funcionários, professores. “Todos têm uma palavra, todos têm a sua opinião. Somos uma equipa muito mais abrangente, sabemos ouvir as pessoas, temos a porta da direção sempre aberta, e é essa a nossa maneira de pensar e é essa a nossa forma de gerir esta escola.


O resultado é uma escola orgulhosamente aberta a toda a comunidade. As hortas comunitárias, um projeto antigo, vai regressar – há já muitas pessoas interessadas. Há também projetos que envolvem a Autarquia, como a abertura da futura escola de equitação de Mirandela. E “somos uma escola aberta a toda a gente que nos queira visitar” convida o diretor, lembrando ainda os “nossos produtos fantásticos” que aqui se produzem e que podem ser adquiridos na loja que fica logo à entrada das instalações.
A queijaria acabou de receber a certificação de nível um, o máximo, resultado de um investimento necessário e que já deu frutos. Produz-se aqui queijo de qualidade de cabra, ovelha e vaca. Há ainda vinho e azeite virgem extra, ou não estivéssemos em Mirandela, e até mel. “A apicultura vai ser uma das nossas bandeiras”. Em todos os produtos se nota a qualidade e o brio de quem aqui trabalha.
Os alunos que vêm de fora encontram aqui alojamento com pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar, tudo gratuito. As residências sofreram obras de melhoria nestes últimos meses, tendo sido tudo renovado. Desde os beliches ao aquecimento, água quente, canalização e saneamento. Os quartos têm agora um aspeto acolhedor e confortável, digno de receber jovens à procura de um futuro. A Escola recebe também alunos de Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Timor, por exemplo. Nem só para o mercado de trabalho saem daqui alunos, há também quem opte por seguir para o ensino superior. O Instituto Politécnico de Bragança (IPB), até pela proximidade, é o destino mais habitual. Por isso mesmo está na calha a elaboração de um protocolo entre a Escola e o IPB.

Sobre este autor

João Malainho

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