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“Conheça o nosso território da serra ao mar”

Rosa Palma é a presidente da câmara municipal de Silves há oito anos e, ao entrevistá-la, percebe-se que é uma autarca dedicada. A sua simpatia salta logo à vista, mas também podemos reconhecer um certo orgulho no seu município. A laranja do Algarve é reconhecida a nível nacional e internacional, e não é por acaso que Silves é a capital da laranja, trata-se do maior produtor de citrinos na região, representando cerca de 60% da produção de laranja algarvia.

“Não querendo desvalorizar de maneira nenhuma as outras laranjas que são produzidas, o que queremos é divulgar o território através da laranja”, conta-nos a presidente, acrescentando que é importante que haja uma certa curiosidade por parte das pessoas para visitarem Silves. É um concelho que vai da serra ao mar e, exatamente por isso, tem diferentes particularidades que tornam o seu território rico para a prática agrícola. Na serra, podemos encontrar sobreiros e vinhas, algo que também começa a ter a sua importância. É na zona do barrocal que podemos encontrar as grandes produções de citrinos que, segundo a autarca, “como temos aqui um microclima muito específico, a nossa laranja ganha componentes diferenciadoras”, e é por isso que é mais suculenta e doce.

Reconhecendo a importância dos produtores, Rosa Palma mostra que há um acompanhamento contínuo por parte da autarquia. “O poder local, sendo a entidade mais rápida a quem podem recorrer, tem estado ao lado deles na divulgação do seu produto e não só”, comenta a presidente. Para complementar esta parceria, a câmara criou a Mostra da Laranja, uma iniciativa que pretende mostrar as dificuldades enfrentadas pelos agricultores orientando-os para soluções, “mas para soluções são necessárias verbas e formas de financiamento. É por isso que nós envolvemos tudo nesta vertente”. A Mostra da Laranja é uma iniciativa que se faz há já seis anos, com uma duração de três dias e “dá resposta para todas as faixas etárias, doçaria, gastronomia e vinhos de Silves”.

O Algarve não é só praia. É necessário dar a conhecer este lado ligado ao setor primário, essencial à região, e Silves tem muita história e cultura para oferecer. É nesta linha de pensamento que foi criada a Rota da Laranja. Trata-se de uma aplicação interativa que pretende valorizar o património do concelho. Nela, podemos ouvir personagens da História a contar como ocorreram os principais episódios históricos de Silves, naturalmente, combinando a cultura da laranja. “Foi a forma que arranjámos para que a laranja pudesse ser falada continuamente.” A presidente só lamenta o facto de esta aplicação ter sido criada em fevereiro de 2020, momentos antes da pandemia. Na opinião de Rosa Palma, esta ferramenta poderá ser uma mais-valia e é necessário fazer um investimento nesta área. Mas, para isso, é também necessário esperar por melhores tempos, mais propícios ao sucesso desta rota.

Interessa também valorizar as outras produções, nomeadamente a cultura do abacate, em constante crescimento, benéfico para a economia local. Nas palavras da presidente, é um fruto de excelência que “vem por acréscimo, atendendo que o território é tão vasto, e tudo o que seja para rentabilizar e para reconhecer o território, é bem-vindo”.

Contudo, Silves não é apenas sinónimo de agricultura. O Geoparque Algarvensis, uma reserva natural que é reconhecida a nível nacional e onde já morou o Metoposaurus algarvensis, uma espécie única no mundo, é uma aposta de grande interesse. Rosa Palma diz que o parque “já tem o selo de Aspirante, nós pretendemos o selo da UNESCO, porque dá um reconhecimento e uma divulgação internacional”, mas vai contribuir também para que as pessoas locais se sintam valorizadas com estes conhecimentos. Para além de tudo isto, há também uma parceria com a Universidade do Algarve. Com estes feitos já foram atualizados estudos desde a geologia à flora, aves e fauna, que “permitam às pessoas visualizarem que este local que estamos a pisar agora não poderíamos estar a pisar, há uns milhões de anos atrás.”

O património de extrema importância para a autarca e, aliado a este vasto território, está também o interesse da população. Quando percorremos as ruas deste concelho, é bastante notório o esforço da presidente que, estando há oito anos no cargo, tem muito orgulho em Silves. As obras que são aqui feitas mostram-se muito complicadas e demoradas. Isto porque os trabalhadores estão muitas das vezes perante novos achados históricos e “este município tem apostado bastante no âmbito do património, no âmbito da arqueologia e do restauro”. É por todas estas razões que está a ser desenvolvido um centro científico e de interpretação de achados arqueológicos, para que outras universidades possam trabalhar neste local e descobrir o que ainda não foi descoberto.

O convite de Rosa Palma é bem claro: “descarregue a aplicação da Rota da Laranja, conheça, experiencie e viva algumas das situações com personagens da História através da realidade aumentada”.

Sobre este autor

João Malainho II

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