Mundo Empresarial

Fitolivos: em prol de uma agricultura mais sustentável e de resgate do ambiente

No mercado há seis anos a Fitolivos centra-se na nutrição foliar e na bioproteção das culturas do olival, amendoal, citrinos, hortícolas, frutos vermelhos e relvados. A empresa rege-se pela consciência, pelo respeito, integridade e equilíbrio do planeta, de forma a não comprometer os recursos naturais de gerações futuras. A In Corporate Magazine esteve à conversa com António Coelho, o gestor da Fitolivos, para conhecer o percurso e os projetos futuros da empresa

Apaixonado pela área da nutrição e das plantas, António Coelho trabalhou como gestor da região do Algarve e do Alentejo, durante 18 anos na Bayer, na área de proteção de plantas, e sete anos no Grupo Sapec Agro também na mesma área e ainda na nutrição foliar. Com uma longa experiência na área da protecção de culturas, em 2016 decidiu mudar o rumo da sua vida e criou a Fitolivos. “A minha filosofia na altura foi mudar o meu estilo de vida e ao mesmo tempo mudar a minha conceção de olhar para a agricultura”. Ao longo dos anos visitou feiras, frequentou formações, seminários e percebeu a crescente exigência do mercado agrícola na premente obtenção de resíduos zero. “Quando visitei algumas feiras na Alemanha, Espanha, Itália e Estados Unidos vi que o futuro ia já muito avançado na área do resíduo zero e do orgânico e preocupação com a sustentabilidade”.

A empresa apresenta-se no mercado com o lema de trabalhar uma agricultura de resíduo zero e ao mesmo tempo uma agricultura orgânica. Através da nutrição, bio estimulação e ativação e reforço das múltiplas estratégias próprias paras as plantas, as culturas oferecem colheitas de grande qualidade, livres de riscos para a saúde e para o meio ambiente. Em 2019 adquiriram as instalações onde ainda hoje se encontram e, em 2020, em plena pandemia e com o objetivo de chegarem a todo o país, decidiram contratar quatro agrónomos. “Entraram e tiveram formação online em casa e praticamente trabalharam sempre em pandemia. A minha ideia quando criei a Fitolivos não era ter operadores de armazém, ou escriturários, mas sim agrónomos, que tenham uma função completa, porque tem de se passar informação em permanência.”

Seguindo a política de resíduo zero, a Fitolivos criou uma aliança com a Arvensis. A ideia assenta no princípio de o resíduo zero ser uma alternativa para a alimentação saudável e um desejo de mudança para a realidade agrícola a partir dos seus fatores de produção. Uma aliança que permitiu o lançamento de um catálogo de nutrição em olival, onde consta toda a informação sobre como e quais são os produtos a usar na obtenção de azeite com resíduo zero. A Arvensis está presente em vários países permitindo alargar os horizontes e conhecer novas perspetivas. “Esta empresa está em mais de cinquenta países no mundo e traz-nos sempre alguma perspetiva do que se faz no Peru, na Colômbia, Itália ou na China. (…) E logicamente também estão em Espanha, que é neste momento o país da Europa que tem mais área em agricultura biológica.”

As parcerias estendem-se também a empresas da Irlanda, da Holanda e da Polónia. “Trabalho com uma empresa da Irlanda de algas marinhas da Irlanda do Norte”. A ideia é usar as algas na agricultura. “Também trabalho com uma empresa da Polónia de biotecnologia, temos alguns produtos completamente diferentes. Depois trabalho também com uma empresa da Holanda, já a pensar na sustentabilidade, no orgânico.” O desígnio passa por captar essas empresas que não existiam em Portugal.

O fundador da Fitolivos acredita que hoje a agricultura biológica já não é moda, mas sim uma certeza. “De há quatro anos para cá começou a mudar-se a mentalidade, e já há novos players, novos agricultores, novas empresas agrícolas que estão a fazer já agricultura biológica.” O engenheiro alerta para a exigência do mercado, que cada vez mais procura frutos sem resíduos. Atento aos problemas do sector, António Coelho defende que tem de haver uma mudança de mentalidade. “Hoje as pessoas têm um problema, querem um produto que o resolva. Vamos trabalhar primeiro na área de fortalecer e nutrir as plantas, para terem menos problemas.” Quanto às pragas, uma das maiores preocupação para o sector, António Coelho defende a utilização de parasitas, parasitóides, feromonas e trampas, armadilhas para captar os insetos. “Temos de evoluir na monitorização de algumas pragas, temos de trabalhar mais com bio controle, que passa por controlar a praga com outros insetos. Ao retirar a praga da cultura o inseticida mais amigo do ambiente resolve o problema. E é este mecanismo todo que tem de ser introduzido.” E acrescenta que tem de haver informação e formação para ajudar os agricultores a tratar as pragas mais complicadas. Um trabalho que António Coelho já está a desenvolver em parceria com algumas revistas, designadamente a Agrotec, a Voz do Campo e a Frutas e Legumes, onde promove artigos sobre vários temas com a premissa de passar informação útil que ajude os agricultores a usar as novas técnicas. “Nós somos parceiros da Algarorange e estamos disponíveis para passar a informação a um vasto número de agricultores”, admite o engenheiro, que alerta, no entanto, para a necessidade de uma maior união dos agricultores e das empresas do Algarve neste caminho.

Recentemente a empresa começou a realizar um grande trabalho, já com biofertilizantes à base de bactérias que se vão instalar no solo com condições óptimas de temperatura. “Já tenho este ano clientes, tenho à volta de mil hectares de olival e já só se faz bio fertilização em termos de alimentação olival. É mais um passo que estamos a dar na sustentabilidade. “A inovação e o espírito inovador de António Coelho não tem fronteiras. Prova disso é a linha de produtos bio em pequenas embalagens para pequenas hortas ou pequenos agricultores. A ideia é criar uma linha de parceiros distribuidores que sejam parceiros da Fitolivos, que queiram trabalhar de acordo com a mesma filosofia. “Temos estado a fazer parcerias com pequenas revendas. Criámos agora uma revenda distribuidora no Fundão que nunca trabalhou com produtos químicos, e quando apresentamos este projeto ele aceitou logo.” António Coelho pretende a curto prazo desenvolver ainda mais esse mercado.

A larga experiência no sector leva o gestor a considerar a laranja do Algarve a melhor do mundo. “Não se come laranja igual à do Algarve em lado nenhum do mundo. Já comi laranja de África do Sul, Argentina, Uruguai, Brasil, Egipto, Espanha. A laranja algarvia é única. “

Relativamente a projetos futuros, o gestor da Fitolivos pretende melhorar a empresa a nível organizacional com a contratação de mais um técnico. A somar, almeja desenvolver cada vez mais o mercado do Algarve, uma vez que considera que a nível dos resíduos zero e da agricultura orgânica ainda há muito por fazer. António Coelho pretende também construir uma estrutura em Ferreira do Alentejo, de raiz, com projetos na área da nutrição, da bio proteção e do resíduo zero. Com a garantia de que a empresa estará sempre disponível, António Coelho deixa uma mensagem: “a Fitolivos já tem um site com os contactos, qualquer agricultor pode entrar em contacto connosco.”

Sobre este autor

João Malainho II

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