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EDITORIAL – EDIÇÃO 30 | JULHO 2022

O que é uma estrada? Rota, caminho, pretexto ou o próprio destino? Tudo isso e o que mais couber na mala. Impossível é não a fazer, os nossos olhos precisam de horizonte, de descobrir o que está para lá de cada curva, de cada colina. Em pleno pico do verão fomos até à zona mais verde de Portugal continental, respirar, contemplar, retemperar forças. Como já terão percebido temos uma edição muito minhota, colorida, montanhosa, carregada de afeto, água fresca e vontade.

É com os Caminhos de São Bento da Porta Aberta que o convidamos a abrir também as nossas páginas. Estamos no distrito de Braga afinal, terra das portas abertas, as de São Bento e as da própria cidade. O segundo maior Santuário português, em plena Serra do Gerês, merece bem a devoção que lhe é dedicada, com o seu espírito eternamente hospitaleiro. Seja pela fé ou pelo amor àquela terra, àquelas encostas verdejantes, àqueles rios, caminhos e memórias. Como devido é também o respeito aos peregrinos que fazem estes caminhos de uma assentada, madrugada fora, vindos do baixo Minho e dos concelhos vizinhos de Trás-os-Montes, para ali chegarem à luz reveladora do amanhecer.

É também do Minho (Viana do Castelo) que parte a Estrada Nacional 103, cruzando-o latitudinalmente até entrar em Trás-os-Montes, por Montalegre, e só terminar no nordeste extremo, em Bragança. É uma estrada cujo traçado é mais antigo que o próprio país, e que não podemos deixar de sugerir que a faça. Desde logo para se aproximar do Gerês, a partir de Braga, por Vieira do Minho, e daí um pulinho de carro até Rio Caldo, onde se encontra o Santuário de São Bento. Mas também para conhecer a fundo o vasto concelho de Barcelos, para se embrenhar nas Terras do Barroso (Montalegre e Boticas) e seguir por Chaves até ao Parque Natural de Montesinho.  

Este mês temos também, claro, o carisma e a iniciativa de mais Mulheres Inspiradoras que partilham connosco a sua visão do mundo empresarial e associativo.

E há um outro tema a merecer a nossa atenção, e que tudo leva a crer que crescerá nos próximos tempos no nosso país – o Turismo Industrial. Este baseia-se na evolução da paisagem industrial e na forma como podemos conhecer tão melhor uma cidade, uma região e um país através destes “monumentos” que nos remetem para a capacidade produtiva e trabalhadora de um povo. Para vidas de trabalho e sacrifícios geradores do progresso que vivemos hoje. Nesta edição destacamos esse lado menos conhecido de Almada. E deixamos ainda uma sugestão em registo de homenagem à resiliência da população de Vieira do Minho e Terras de Bouro (novamente o Gerês), com a impressionante obra de Vhils na barragem da Caniçada.   

Do litoral ao interior temos um país que nos encanta sempre que temos tempo para o ver realmente. “Territórios que não são rivais nem adversários”, como nos lembra a Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, na entrevista que nos concedeu para esta edição.