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Ensino especializado em Castelo de Paiva para ‘Lá’ da música

Com 32 anos de existência, a Academia de Música de Castelo de Paiva tem escrito a sua chave de sucesso nas pautas da escola e da vida profissional dos estudantes. Mesmo com a especificidade do ensino artístico, que é prático, conseguiram superar as dificuldades devido à distância imposta pela pandemia e planeiam agora o projeto educativo dos próximos cinco anos. Estivemos à conversa com o diretor Agostinho Vieira.

A Academia de Música de Castelo de Paiva, tal como as escolas de ensino especializado de música, distingue-se por ensinar alunos autónomos e responsáveis. Prova disso é a quantidade de estudantes (atuais e antigos) cujo percurso profissional tem sido de mérito e até premiado. Considera que é isso que vos distingue?

De entre a missão e os valores que a Academia defende e visa alcançar, priorizamos a formação dos alunos, criando condições para que atinjam resultados de excelência e acedam a carreiras de mérito de projeção nacional e internacional.

Salientamos a oferta de música de conjunto em orquestras, ensembles, música de câmara, concretizada em grande escala. As aulas individuais complementam-se no trabalho de orquestras salientando-se, nesta vertente, a Orquestra de Sopros que recentemente obteve o 1º Prémio no Concurso Internacional de Bandas “Filarmonia D’Ouro”, secção académica, ocorrido no Europarque [em Santa Maria da Feira].

Refira-se também a participação do Coro de Câmara no Grand Prix of Nations Gothenburg-Suécia 2019 & 4th European Choir Games, onde obteve uma medalha de ouro e duas de prata. Depois da participação nos World Choir Games em Sochi, Federação da Rússia, o Coro confirmou a excelência do trabalho que realiza.

Individualmente, muitos dos alunos e antigos alunos têm alcançado prémios e lugares de prestígio um pouco por todo o mundo, participando em concursos ou integrando orquestras de vanguarda. Perante os resultados alcançados a responsabilidade aumenta de ano para ano obrigando ao aperfeiçoamento das metas previstas no Projeto Educativo que são cada vez mais ambiciosas e seletivas.

Alfredo Soares e Andreia Pereira

Apesar da pandemia, conseguiram terminar o ano letivo 2019/2020 com as audições habituais, ainda que virtualmente, naquilo que pareceu um regresso à normalidade. Essa transição das aulas presenciais para as aulas à distância foi feita de que forma?

A transição das aulas presenciais para o ensino à distância constituiu um momento de inegável dificuldade na sua implementação, por ser um campo desconhecido para o qual não estávamos preparados. As aulas síncronas e assíncronas tiveram uma forte adesão da maioria dos alunos que usaram a Plataforma Teams na sua plenitude. A experiência viria a revelar-se positiva pela adesão dos diferentes atores que interagem na escola, professores, alunos, famílias. Salienta-se a especificidade do ensino artístico que é essencialmente prático, com uma forte interação professor/aluno. As aulas de Música de Conjunto foram outra dificuldade sentida no E@D, para as quais foi preciso encontrar estratégias diferenciadas. Se identificamos benefícios no E@D, é óbvio que não poderá substituir o ensino presencial.

Na Monografia dos 25 anos da Academia, o recentemente falecido professor Manuel Rocha – presidente da direção no biénio de 2008/2010 – apontava como uma das explicações do vosso sucesso o facto de ter “alunos vocacionados e interessados, professores bem preparados e disponíveis, funcionários zelosos e acolhedores”. A equipa sempre foi uma prioridade? Atualmente quantos elementos a compõem, como é constituída e como é escolhida?

Numa organização complexa como é a escola, os recursos humanos são fundamentais para o seu desempenho. Focada no compromisso, competência e cooperação a estratégia passa por atribuir a elaboração do Plano de Atividades aos docentes que se envolvem na execução dos projetos que eles próprios delineiam.

A maioria dos cerca de 40 docentes permanece há mais de dez anos na escola, sendo esta uma garantia de responsabilização perante a escola e a comunidade. Uma escola que não aposta na estabilidade do corpo docente coarta a possibilidade de caminhar para a excelência.

O pessoal não docente é de uma doação extraordinária. Quando o trabalho assim o exige, não há horários, não há domingos nem feriados. Todos se empenham em torno do superior objetivo focado na formação e aprendizagem dos alunos.

Recebem alunos do concelho e dos concelhos vizinhos e têm ensino articulados com outros estabelecimentos de ensino. Quais são as vossas ofertas educativas e artísticas?

O ensino articulado obriga à celebração de Acordos de Colaboração com os Agrupamentos de Escolas e Escolas não Agrupadas (AE/ENA) da rede pública. No presente ano letivo a Academia estabelece acordos com dez AE/ENA. O ensino articulado envolve alunos do Curso Básico e Curso Secundário, que têm acesso a cursos de instrumento, canto e composição.

Com 32 anos de existência, nasceram para – não só, mas também – perpetuar a raiz popular do meio musical paivense. Como orquestram o futuro?

Como dizia Confúcio: “Se queres prever o futuro, estuda o passado”. Esta máxima, de sabedoria inquestionável, é fulcral na programação e planificação da escola que queremos. A escola está a preparar o Projeto Educativo 2020-2025, documento que define as metas do quinquénio e requer a participação da comunidade educativa. Sustentados na realidade do presente, caminharemos, firmemente, na peugada do futuro.

Academia de Música de Castelo de Paiva

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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