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Caminhar por Terras de Oiro em Vila Velha de Ródão

Os peregrinos que percorram a Via Portugal Nascente do Caminho de Santiago a partir do Algarve ou Alentejo, são surpreendidos na chegada à Beira Baixa pela beleza deslumbrante das Portas de Ródão, uma imponente garganta escavada pela ação vigorosa do Tejo, ao longo de milhares de anos, na crista quartzítica das duas margens do rio, nos concelhos de Nisa e Vila Velha de Ródão.

Classificadas como Monumento Natural e geossítio do Geopark Naturtejo, as Portas de Ródão albergam a maior colónia de grifos do país e são um local privilegiado para observar 116 espécies de aves, muitas delas em vias de extinção ou raras. Trata-se dum lugar único que convida à contemplação e ao contato com a Natureza e é o ponto de partida para os 16 quilómetros que constituem a Via Portugal Nascente no concelho de Vila Velha de Ródão, um trajeto linear de dificuldade média, que se se completa em cinco a seis horas.

Devidamente assinalado, inicialmente por estrada municipal e depois por terra batida, o itinerário oferece aos peregrinos uma oportunidade para viver algumas experiências diferenciadoras, incluindo a possibilidade de fazer um desvio até ao cais de Ródão, para realizar um passeio de barco junto às Portas de Ródão ou visitar o Posto de Turismo, onde é possível provar e adquirir os produtos Terras de Oiro, a marca territorial do concelho que reúne sob a mesma designação produtos típicos como o azeite, queijo, mel, enchidos ou bolaria tradicional.

Se até Sarnadas de Ródão o percurso é marcado pelas vistas de cortar a respiração, uma vez na aldeia, os peregrinos não devem deixar de conhecer o Núcleo Museológico do Azeite, um antigo lagar recuperado que complementa o Lagar de Varas, em Vila Velha de Ródão, documentando todas as frases do fabrico de azeite, desde a entrada da azeitona até à saída do líquido dourado.

Aproveitando a passagem junto à autoestrada, é possível agendar uma prova de vinhos na Adega 23, um projeto de produção de vinhos diferenciadores, instalado num edifício de arquitetura ousada, que herdou o nome a partir da via rápida que atravessa a propriedade.

Chegados a Amarelos, última localidade do caminho no concelho antes de entrar em Castelo Branco, os viajantes encontram alojamento na Associação Cultural e Recreativa de Amarelos e podem cozer o seu pão no forno comunitário, que a Padaria Canelas e Coelho prepara mediante encomenda.

Pelas emoções que desperta em quem o percorre, este troço da Via Portugal Nascente assume-se assim como, mais que uma peregrinação religiosa, um acontecimento cultural ímpar, propiciador de experiências inesquecíveis à espera de serem de serem descobertas pelos peregrinos.

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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