Arquitetura, Design e Decoração Mulheres Inspiradoras Tecido Empresarial

Soraia Pereira – Projetar sonhos e torná-los realidade

Determinada, genuína, curiosa e expressiva, assim é Soraia Pereira. Uma mulher apaixonada pela arquitetura e pelas causas humanitárias, sempre com novos projetos em mente. Em entrevista à IN Corporate, a arquiteta dá a conhecer o seu percurso profissional e a empresa que criou juntamente com o pai, a Arco Vertical. Há já um novo projeto a caminho – Soraia Pereira vai abrir o seu próprio restaurante.

A escolha do percurso profissional não foi uma tarefa fácil para Soraia Pereira. Aluna exemplar, sempre teve gosto pelas artes, mas acabou por ingressar em medicina. Um caminho que viria a mudar um ano depois, quando decidiu optar pela arquitetura. “Eu sempre fui muito dada às artes. Gostava de estar em casa a pintar e, mesmo na pré-primária, ou ia jogar futebol ou ia para a secretária para pintar.”

Fascinada por criar mundos e criar condições dignas para as pessoas, Soraia Pereira sempre idealizou uma arquitetura de ajuda humanitária. “A parte da arquitetura que me seduzia era fazer as missões humanitárias para reconstruir as cidades nos países que, quando eu tinha cinco anos, via que estavam completamente destruídos.” O pai da arquiteta trabalhava numa empresa de construção civil há mais de 20 anos mas um acidente grave de trabalho mudou o rumo da família e Soraia decidiu ingressar no mundo de trabalho para conseguir pagar os estudos. Foi nessa altura que, juntamente com a ajuda da mãe e do irmão, incentivou o pai a investir e a abrir a Arco Vertical. “O meu pai não queria muito porque estávamos em crise, foi em 2012, e ele tinha um pouco de receio.” Mas esta foi uma aposta que se mostrou certeira. Hoje a empresa emprega mais de vinte trabalhadores e disponibiliza serviços de Construção Civil desde a carpintaria à eletricidade e à serralharia. Um trabalho com êxito que é visível também pelos projetos que a empresa tem neste momento em mãos. É o caso de uma obra pública, um supermercado em Vila Nova de Gaia ou as obras de recuperação em condomínios. “Fomos começando a escavar caminho, fomos tentando entrar no meio da reabilitação e não só nos condomínios. E agora temos essas duas vertentes.”

Ligação entre a arquitetura e o cinema
O cinema é outra das paixões de Soraia Pereira, motivo que a levou a fazer uma pós-graduação em cinematografia. A arquiteta acredita que estes são dois mundos interligados. “Eu gosto muito de cinema e idealizo muito. A brincar fiz uma curta com os meus amigos e comecei a estudar certos filmes e o modo como o cinema se inspirava na arquitetura e vice-versa.”

Mulher num mundo de homens
A construção é uma área ainda muito associada aos homens e Soraia Pereira confidencia que ainda sente algum preconceito. “Todos os dias sinto que este ainda é um mundo muito ligado a homens. Acham que por sermos mulheres não percebemos tanto. Mesmo as gerações atuais têm esse discurso, não é uma questão de idade, é mais uma questão de educação e sociedade.” A arquiteta considera que ainda é difícil um homem negociar contratos com uma mulher. E deixa um conselho a todas as que trabalham nesta área. “Têm de mostrar que são capazes, que são determinadas, de fazer frente, que não são submissas e sempre, mostrar sempre o nosso ponto de vista. Ninguém nasce ensinado, e eu aprendo todos os dias.”

Conseguir que todos os projetos que têm em mãos se concretizem é o principal desígnio de Soraia Pereira. “Para já ficava muito contente se as obras que estão a decorrer terminassem bem”. A somar a arquiteta gostaria de continuar a abrir o leque de clientes e abraçar projetos diferentes.

Novo restaurante a caminho
A título pessoal a empreendedora pretende abrir um restaurante. “Gostava de num ano ter o meu restaurante aberto. A minha chegada recente do Irão proporcionou-me arriscar e já dei início ao plano de negócios. Quero juntar arquitetura, pintura, cinema, artes e gastronomia.”
A arquiteta pretende também fazer arquitetura humanitária. “Antes do covid eu tinha-me inscrito para fazer seis meses em Moçambique. Estavam a pedir voluntários para reconstruir as casas e isso era o que me seduzia. Tenho 32 anos e ainda sou muito nova, espero conseguir, tenho muito para ajudar e terra para pisar”.