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Azeite com o sabor a Trás-os-Montes

Há uma nova marca de azeite a nascer dos olivais de Trás-os-Montes. Luís Mila, CEO Da Doolibar, é o empresário responsável por este projeto e não esconde o orgulho do alcance internacional que o Azeite Gaiato já está a alcançar. Nesta entrevista genuína onde transparece o gosto pelo que faz e pela sua terra, revela-nos que espera que este Natal as pessoas possam já “cear com uma garrafa de Azeite Gaiato à Mesa”.

Quando nasceu a Doolibar? Peço-lhe que, resumidamente, nos conte um pouco da história da empresa.

A Doolibar nasceu em 2019 fruto do meu interesse pela indústria oleica. Tinha em mim uma visão diferente do mercado e foi numa altura em que começou a nascer a cultura internacional do Azeite Virgem Extra e da sua qualidade. Vi uma oportunidade de negócio em juntar uma área a que todas as gerações da minha família se dedicaram e decidi também eu juntar um pouco da minha maneira de ver o mundo à continuação do legado da Família.

Quantas marcas têm neste momento? Qual a especialidade de cada uma?

Atualmente a DOOLIBAR conta com mais de dez marcas implementadas em três continentes, estando com presença física e plantas de embalamento em Angola, Colômbia e Espanha. Para além, claro, da nossa principal em Macedo de Cavaleiros, Portugal. Tivemos a necessidade de criar várias marcas para diversos mercados e produtos pois o mercado assim o exigia, mantendo sempre a excelência e a qualidade em cada oleaginosa que embalamos. Cada produto nosso adequa-se ao mercado em que é trabalhado. Embora a qualidade de um azeite de excelência seja reconhecida em todo o mundo, muitos países têm hábitos alimentares distintos, o que dá um enorme trabalho ao nosso departamento de qualidade, pois tentamos ter um azeite que agrade ao maior número possível de pessoas.

Atualmente contamos com três focos de mercado:

Canal Horeca, tendo marcas já bem posicionadas e representada por grandes players do mercado nacional na área da distribuição alimentar, sendo a Talvila e Azeite Flor as marcas eleitas para este ramo de mercado.

Para o mercado externo, e com azeites mais selecionados, temos representação da Marca Flor com as seguintes marcas: Flor do Alqueva, Flor do Azibo e Flor de Monchique, onde selecionamos azeites de Trás-os-Montes, Alentejo e Algarve para criar uma gama de azeites que retratassem a cultura oleica portuguesa, onde disponibilizamos ao consumidor final as diferenças dos diversos azeites e variedades de azeitona cultivada em Portugal – este azeite destina-se a nichos de mercado.

Com a marca Gaiato estamos a implementar a grande distribuição, querendo que seja um bocado de Trás-os-Montes acessível nas grandes superfícies comerciais. Isto porque vimos, nestes anos de trabalho, que a nossa zona não se encontrava representada a grande escala nas estantes dos supermercados nacionais, sendo cerca de 92% deste mercado é representado por empresas do Sul do nosso país.

Quais são as suas expectativas para esta nova marca, o Azeite Gaiato?

Neste momento são elevadas, inclusive o Azeite Gaito já se encontra à venda no continente americano e também no africano, com o nosso azeite de primeiro preço – Azeite Gaiato Clássico. Através de algumas reuniões com parceiros nossos desses países onde debatia e pedia conselhos sobre esta ideia de lançar a marca, muitos motivaram-se em abraçar este projeto e, de uma forma bonita, “obrigaram-me” a avançar já com uma azeite de primeiro preço. Em Portugal o processo está um pouco mais atrasado pois estamos a viver momentos menos fáceis no que diz respeito à produção de azeite. Iremos lançar em dezembro as primeiras unidades para o mercado com uma edição especial do Azeite Gaiato – 1934 – para celebrar a renovação total que fizemos na quinta, data essa que simboliza o primeiro ano em que laborou o lagar que adquirimos e renovámos para ser o cerne desta marca.

O azeite transmontano é conhecido pela sua enorme qualidade. Quais são os fatores que contribuem para isso, na sua opinião, particularmente no vosso produto?

O Azeite Gaiato – 1934 – é um azeite unicamente de Vila Flor – claro que vamos ter outros lotes com azeites de outras zonas, mas sempre da região trasmontana. Trata-se de um azeite de olival tradicional, não sendo melhor ou pior do que os outros, torna-o num azeite diferente, num azeite com o sabor a Trás-os-Montes.

Para além de Portugal, estão também presentes em Espanha e na Colômbia, como já nos disse. Recentemente, julgo que abriram também parcerias nos EUA. A exportação para estes mercados vai ser fundamental para o crescimento da marca?

Sim, é verdade. Como disse anteriormente, um grande amigo e parceiro comercial nosso nos Estados Unidos abriu-nos a porta e abraçou este projeto de onde já saíram os primeiros contentores e a procura pelo nosso produto continua a crescer, estando mesmo a pensar abrir novas parcerias em outros estados norte americanos. Para nos é gratificante, aquando do momento da assinatura do contrato formal de representação, vermos o nosso produto em Times Square (Nova Iorque). Foi, sem dúvida, um momento que nunca irei esquecer na minha vida empresarial, uma surpresa feita pelo nosso parceiro que patrocinou uma marca trasmontana na praça onde se encontram as melhores marcas do mundo. Enche-me o peito de orgulho e mostra-me que estou a fazer um bom trabalho.

A sustentabilidade da vossa produção é também uma preocupação da empresa?

Sem dúvida, atualmente temos o nosso departamento de I+D+I a tentar melhorar alguns processos no lagar, pois há muitos subprodutos que poderíamos aproveitar no nosso olival ou até mesmo como biomassa. Também estamos a estudar já a viabilidade de produzirmos as nossas próprias embalagens de plástico 100% reciclado e, claro, o nosso objetivo principal é poupar mais o planeta do que o que possamos estragar com a nossa indústria. Isto é, todo o nosso grupo DOOLIBAR SGPS ser ecologicamente sustentável, fazendo o cálculo da nossa pegada em cada processo e plantarmos olival até que o saldo ecológico esteja a nosso favor.

Atualmente, creio que disponibilizam o azeite Flor em lata (500ml a 5L), Vidro (50cl a 1L), e também em Pet ( 75cl a 5L). Vai seguir a mesma estratégia com o Azeite Gaiato?

O azeite Gaiato vai seguir uma linha diferente, mesmo o azeite de primeiro preço será em garrafa vidro e 100% reciclável. Para estes primeiros anos apenas estamos a pensar nos formatos domésticos 250 ml, 500 ml 750 ml e ainda o de 1000 ml para o mercado Colombiano e Norte-Americano.

Quando e onde poderão os nossos leitores encontrar o Azeite Gaiato à venda ao público?

A partir de dezembro saem as primeiras unidades do lote comemorativo deste projeto, e esperamos dar a oportunidade às pessoas para que neste Natal possam cear com uma garrafa de Azeite Gaiato à mesa.

Diria que com os vossos azeites levam um bocadinho de Trás-os-Montes ao mundo?

Os nossos azeites levam um bocado de Portugal ao mundo, seja o Flor com azeites de todo Portugal, seja o Gaiato com azeite trasmontano. Em cada garrafa ou lata está um pouco de Portugal e do povo português.