No ano em que se assinalam os 40 anos da morte de Jorge Luis Borges, a Quetzal publica pela primeira vez, num só volume, O Livro dos Prólogos. A obra reúne textos escritos entre 1923 e 1974 e recupera uma dimensão essencial do autor argentino, para quem a literatura, a crítica e o ensaio nunca foram territórios estanques, mas formas sucessivas de entrar na grande biblioteca do mundo.
Com tradução de Jorge Melícias, O Livro dos Prólogos chegou às livrarias a 3 de junho e inclui o “Prólogo dos Prólogos”, texto em que Borges reflete sobre uma forma literária muitas vezes vista como marginal, mas que, nas suas mãos, se torna pensamento, leitura e criação. “Que eu saiba, ninguém formulou até agora uma teoria do prólogo”, escreve o autor, dando ao género uma espessura própria e retirando-o do lugar meramente introdutório.
A edição reúne prólogos dispersos ao longo de mais de cinco décadas, revelando Borges no diálogo com alguns dos grandes nomes da literatura universal. Cervantes, Walt Whitman, Paul Valéry, Lewis Carroll, Kafka, Shakespeare e Melville atravessam estas páginas, não como referências decorativas, mas como presenças convocadas por uma inteligência crítica que transforma cada aproximação num pequeno ensaio sobre a literatura, o tempo e a memória.
No texto de abertura, escrito em 1974, Borges observa que “o prólogo, quando os astros são favoráveis, não é uma forma subalterna do brinde; é uma espécie lateral de crítica”. A frase ajuda a enquadrar o livro e o próprio lugar do escritor argentino na literatura do século XX. Um autor que fez da ficção um labirinto de ideias e da crítica uma extensão natural da imaginação.
Nascido em Buenos Aires, em 1899, e falecido em Genebra, em 14 de junho de 1986, Jorge Luis Borges publicou o seu primeiro livro em 1923, mas o reconhecimento internacional consolidou-se em 1961, com o Prémio Formentor, que partilhou com Samuel Beckett. Poeta, ficcionista, ensaísta, crítico e professor de literatura, dirigiu ainda a Biblioteca Nacional de Buenos Aires entre 1955 e 1973. A nova edição da Quetzal dá continuidade à série de capas retiradas do tríptico As Tentações de Santo Antão, de Hieronymus Bosch, exposto no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Com 312 páginas, O Livro dos Prólogos integra o catálogo da editora numa altura em que a obra de Borges volta a ser evocada enquanto uma das construções literárias mais influentes do século XX.




