Nasceu de um sonho guardado durante mais de uma década e da vontade de devolver tempo à infância. Ao lado da filha, Sara da Conceição Matias criou o Little People, um Centro de Estudos e ATL, onde cada dia é pensado para estimular a curiosidade das crianças e transformar pequenas descobertas em grandes aprendizagens.
Este desejo acompanhou-a durante 15 anos. Inicialmente pensado como Benjamim, o projeto evoluiu para o Centro de Estudos & ATL Little People. O que mudou na sua vida, ou em si, para encontrar a coragem de o concretizar?
O sonho nunca deixou de existir. Durante quinze anos acompanhou-me em silêncio, à espera de que eu estivesse preparada para lhe dar vida. O que mudou não foi o sonho, fui eu. Compreendi que a coragem não chega antes da decisão, nasce quando decidimos avançar, apesar dos receios. Hoje sei que aqueles anos não foram de espera, mas de preparação. O Little People nasceu no momento em que a mulher que o sonhava se tornou capaz de o concretizar.

Almeirim foi a cidade escolhida. O que acredita ter trazido de novo à comunidade?
Almeirim foi uma escolha de coração e de responsabilidade. Precisava de estar mais próxima da minha família e encontrei em Almeirim o lugar certo para concretizar este projeto. Mais do que abrir um Centro de Estudos, quis criar um espaço onde aprender e crescer caminhassem lado a lado com o brincar, a autonomia e a felicidade. Acredito que o Little People trouxe uma forma mais próxima e humana de olhar para a infância, sempre em parceria com as famílias.

Por vezes, a ideia de frequentar um ATL não entusiasma as crianças, por o associarem a mais regras e rotinas. Como tenta contrariar a ideia de que as crianças devem estar constantemente ocupadas ou orientadas, valorizando também o “brincar ao ar livre” e a sua autonomia?
Acredito que as crianças não precisam de estar constantemente ocupadas para aprender. Muitas das aprendizagens mais importantes acontecem quando têm tempo para brincar, explorar, imaginar e descobrir o mundo ao seu próprio ritmo. No Little People procuramos esse equilíbrio: há tempo para estudar, mas também para brincar, criar amizades, resolver conflitos e desenvolver autonomia. Porque uma infância bem vivida é, muitas vezes, a melhor preparação para a vida adulta.

Beatriz, a sua filha, é assistente social e partilha consigo esta missão. Que valores procuram transmitir não só às crianças, mas às famílias?
Ter a Beatriz ao meu lado é um privilégio. Mais do que mãe e filha, partilhamos a mesma forma de olhar para as crianças e para as famílias. Queremos que cada criança se sinta valorizada, respeitada e feliz, e que cada família encontre em nós confiança, proximidade e verdade. Acreditamos que educar é uma parceria e que os valores que transmitimos todos os dias são tão importantes como qualquer aprendizagem escolar.




