Mulheres Inspiradoras

Cuidar da saúde para transformar a forma de viver

Mais do que um método, Rita Bonaparte encontrou no biofeedback uma nova forma de compreender a saúde. Hoje, através do Centro de Biofeedback by Rita Bonaparte, procura demonstrar que prevenir pode ser tão importante quanto tratar.

O ritmo acelerado do quotidiano leva muitas pessoas a só pararem quando a doença as obriga, mas Rita Bonaparte acredita que é possível fazer diferente. Através do biofeedback, ajuda quem a procura a compreender os sinais do próprio organismo antes de se transformarem em problemas mais sérios, promovendo uma relação mais consciente com a saúde. “O maior desafio para não chegarmos à doença é o compromisso connosco próprios. Podemos ler muitos livros sobre saúde, mas as coisas só se transformam quando passamos à ação”.

A fundadora do Centro de Biofeedback explica que o seu trabalho vai muito além da utilização de uma tecnologia ou de um método terapêutico. O objetivo é ensinar as pessoas a desenvolverem uma maior capacidade de observação sobre si mesmas e a assumirem um papel ativo no respetivo bem-estar. Na sua perspetiva, o corpo comunica constantemente. O problema é que nem sempre estamos disponíveis para o escutar. “Andamos muitas vezes em piloto automático. Se não sentimos o corpo, quando damos por nós já estamos doentes”.

É precisamente essa mudança de paradigma que procura promover. Em vez de esperar que os sintomas apareçam para agir, defende uma abordagem preventiva, capaz de identificar desequilíbrios antes de se instalarem. Uma visão que considera ainda pouco enraizada em Portugal, mas que acredita ganhar cada vez mais espaço.

Da prevenção à consciência

Criar um centro dedicado ao biofeedback significou introduzir uma abordagem ainda não muito conhecida junto dos portugueses. O desconhecimento inicial trouxe desafios, mas nunca colocou em causa a convicção de que existia espaço para um projeto centrado na prevenção e no autocuidado.

Para Rita Bonaparte, esta técnica terapêutica não pretende substituir outras áreas da saúde. O seu propósito é complementar os cuidados existentes, oferecendo às pessoas ferramentas para compreenderem melhor aquilo que o corpo lhes comunica e desenvolverem hábitos que contribuam para um maior equilíbrio físico e emocional.

A profissional faz igualmente questão de sublinhar a importância do rigor científico associado à prática. O equipamento utilizado por si é certificado e validado cientificamente, assegurando uma utilização sem efeitos secundários conhecidos. Considera ser uma garantia essencial para quem procura um acompanhamento sério, sustentado e complementar aos restantes cuidados de saúde. “Gostava que o centro se tornasse uma filosofia de vida. Que as pessoas viessem aqui ganhar consciência, reconhecer quem são e aprender a responsabilizar-se pela própria saúde”.

Essa responsabilidade individual é uma das mensagens que mais procura transmitir. Ao longo da entrevista, regressa várias vezes à importância de abandonar a pergunta «porquê?» e substituí-la por «para quê?». Acredita que essa mudança de perspetiva permite olhar para as dificuldades de forma mais construtiva e encontrar oportunidades de crescimento mesmo nas experiências mais exigentes. “O Centro quer trazer esta consciência de compromisso e responsabilidade. Quanto maior a consciência, maior a responsabilidade”.

A visão para o futuro acompanha esta filosofia. Rita Bonaparte espera que a técnica deixe de ser encarada como uma resposta apenas para quem já enfrenta um problema de saúde e passe a integrar naturalmente as rotinas de prevenção. “Espero que, no futuro, assim como lavamos os dentes, façamos biofeedback”, afirmou, entre risos.

O crescimento do Centro acompanha essa ambição. Nos próximos anos, pretende alargar o projeto, formar mais especialistas e criar novos espaços pelo país onde as pessoas encontrem tempo para parar, refletir e cuidar de si.

Liderar começa pelo exemplo

Empreender na área da saúde implica gestão, acompanhar diariamente pessoas com diferentes necessidades e continuar a investir na própria formação. Rita Bonaparte reconhece que esse equilíbrio nem sempre é simples e admite que também ela precisou de aprender a respeitar os próprios limites.

Recentemente, decidiu interromper a rotina durante alguns dias para reorganizar ideias. Considera que essa capacidade de parar é indispensável para quem lidera um projeto que exige presença, disponibilidade e clareza nas decisões. “Quando sinto que não estou a conseguir controlar tudo, afasto-me. Desligo. É quando volto mais tranquila que surgem as melhores ideias”.

Essa aprendizagem foi construída também através dos momentos menos fáceis. Recorda o período em que estava prestes a abrir o centro e viu o negócio do primeiro espaço cair inesperadamente, depois de todo o investimento já realizado. Hoje encara esse episódio como uma etapa necessária do percurso. “O castelo desmanchou-se, mas reconstruí um outro diferente, com janelas que antes nem sabia que existiam”.

Ao longo dos anos, foi definindo os princípios que orientam todas as decisões, independentemente do contexto. A verdade, o amor e a coerência são, diz, valores inegociáveis. “Se eu não for coerente, não faz sentido. O que penso, o que falo, o que sinto e o que faço têm de estar alinhados”.

É essa coerência que procura levar para o Centro de Biofeedback e para a relação que estabelece com quem acompanha. Mais do que tratar sintomas, quer contribuir para uma mudança de mentalidade em torno da saúde, mostrando que prevenir, escutar o corpo e assumir responsabilidade pelas próprias escolhas pode fazer toda a diferença.

No final da conversa, deixa aquela que considera ser a principal missão do seu percurso. “Quero trazer consciência às pessoas para que não baixem os braços, mesmo quando atravessam momentos muito difíceis. A maior dor que possamos viver traz sempre uma mensagem”. É uma ideia que resume a forma como encara a vida e o trabalho que desenvolve diariamente. “A vida conspira sempre a nosso favor e está constantemente a enviar-nos sinais”. Aprender a escutá-los, acredita, pode ser o primeiro passo para transformar não apenas a forma como lidamos com a doença, mas também a forma como escolhemos viver.

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