O jiu-jítsu entrou na vida de Paula Figueiredo como uma paixão, mas rapidamente se tornou muito mais do que uma modalidade desportiva. Hoje, através da Academia de Jiu-Jítsu Ocupacional, a empreendedora luso-angolana utiliza esta arte marcial como uma ferramenta de inclusão, desenvolvimento pessoal e apoio às famílias.
As raízes angolanas e portuguesas sempre fizeram parte da identidade de Paula Figueiredo. Cresceu entre duas culturas e encontrou na educação a sua primeira vocação, antes de descobrir neste desporto um caminho para transformar vidas. “A educação foi a minha primeira vocação e o jiu-jítsu revelou-se uma escola de vida. Compreendi que ensinar é ajudar pessoas a descobrir a sua força interior”.

Foi precisamente essa visão que a levou a criar a Academia de Jiu-Jítsu Ocupacional, um projeto que nasceu da vontade de responder a necessidades concretas, sobretudo de crianças e jovens com necessidades educativas específicas. Ao longo do percurso, percebeu que as maiores vitórias não se mediam em medalhas ou competições, mas na evolução de cada aluno. “Ao observar cada um deles percebi que as maiores conquistas aconteciam na autoestima, na autonomia e na confiança. O tatami tornou-se um espaço de inclusão e desenvolvimento humano, onde cada pessoa é valorizada pelo seu potencial”.
Mas antes de assistir à transformação dos outros, viveu a sua própria. Diagnosticada com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (TDAH), encontrou nesta arte marcial uma ferramenta para gerir os desafios do dia a dia. A prática ajudou-a a organizar a multiplicidade de ideias, a fortalecer a autoestima e a combater a procrastinação, reforçando a convicção de que o desporto pode ser um poderoso instrumento de crescimento pessoal.

Essa preocupação com o desenvolvimento humano levou-a também a olhar para quem acompanha diariamente estas crianças. Foi desse contacto que nasceu o movimento Além do Cuidado, criado para apoiar mães e cuidadores frequentemente sobrecarregados. Através de iniciativas centradas no autocuidado, na saúde mental, no desenvolvimento pessoal e na criação de uma rede de apoio, o projeto procura lembrar que cuidar dos outros passa, inevitavelmente, por cuidar de si.
Para Paula Figueiredo, importa ainda desconstruir a ideia de que o jiu-jítsu se resume à competição ou à defesa pessoal. “É uma ferramenta educativa que desenvolve disciplina, respeito, empatia e resiliência. O nosso objetivo é formar pessoas, não apenas atletas”.
Movida pela vontade de criar respostas com impacto social, continua a desenvolver projetos onde educação, inclusão e desporto caminham lado a lado. “Acredito que o verdadeiro empreendedorismo social acontece quando colocamos as pessoas no centro de cada decisão e quando vivemos por um propósito de vida. É essa a missão que orienta todo o meu trabalho”.




