O turismo está a entrar numa nova fase. Já há muito tempo que a tecnologia tornou mais simples reservar um quarto, comprar um bilhete ou descobrir um restaurante. Mas agora, algoritmos e sistemas de inteligência artificial começam a participar nas escolhas que fazemos antes, durante e depois de uma viagem.
É esse o ponto de partida do Dia Mundial do Turismo 2026, que se assinala a 27 de setembro sob o tema «Agenda Digital e Inteligência Artificial para Redesenhar o Turismo». Um tema que nos chega quando o turismo deixou há muito de ser apenas uma questão de receber visitantes e passou a ter consequências profundas na vida dos lugares.
Portugal conhece bem a dimensão do fenómeno. O turismo trouxe investimento, emprego e atividade económica a muitas regiões e colocou o país no mapa das escolhas de milhões de viajantes. Mas trouxe também uma concentração crescente em determinados destinos e épocas do ano. O desafio está em fazer com que o turismo chegue mais longe e deixe mais valor onde chega.
É aqui que a tecnologia pode fazer a diferença. Conhecer os movimentos dos visitantes permite antecipar períodos de maior pressão, melhorar a gestão dos fluxos e orientar a procura para outros lugares. A inteligência artificial acrescenta capacidade de tratamento e interpretação de informação que seria impossível obter da mesma forma por meios convencionais.
Mas tecnologia não cria destinos. Pode é ajudar a encontrá-los, a promovê-los e também a geri-los. O que leva alguém a regressar a um lugar continua a estar noutra parte. Naquilo que um lugar nos deixa, no que nos faz sentir, na paisagem, na comida, na memória e, sobretudo, nas pessoas.
É uma distinção importante num país que tem feito do turismo uma das suas principais atividades económicas. O interior, por exemplo, continua a ter muito para mostrar. Há património fora dos circuitos habituais, paisagens que não aparecem nas primeiras pesquisas, gastronomias ligadas a lugares concretos, festas e tradições que ainda fazem parte da vida das comunidades. Levar visitantes até esses territórios não significa transformá-los para os tornar mais turísticos. Significa dar a conhecer aquilo que já existe.
O turismo a partir de 2026 será inevitavelmente mais digital. A questão está em garantir que, quanto mais sofisticadas forem as ferramentas que usamos para conhecer o mundo, melhor consigamos conhecer também os lugares que visitamos. Porque um destino é aquilo que encontramos quando chegamos, mas também quem nos recebe, quem trabalha para que a experiência aconteça e quem fica quando partimos.




