Vânia Fonseca construiu um percurso profissional marcado pela diversidade, entre a criação de negócios, a consultoria, a estratégia, o marketing, a tecnologia e o desenvolvimento empresarial. À frente da Bávia, continua a encontrar na curiosidade e na vontade de criar o impulso para abraçar novos desafios e transformar ideias em projetos com propósito.
Para Vânia Fonseca, ter diferentes áreas de atuação não significa falta de foco. Pelo contrário, é precisamente nessa diversidade que encontra uma das principais fontes de aprendizagem. “Gosto particularmente de trabalhar em áreas diferentes porque existe uma ligação entre todas elas: a vontade de criar, estruturar e transformar ideias em projetos concretos”, explica. Para a empreendedora, esta multiplicidade permite cruzar conhecimentos e encontrar novas perspetivas. “A diversidade não é, para mim, dispersão. É uma forma de continuar a aprender”.

A formação ajuda a compreender esta forma de encarar o trabalho. Entre a engenharia informática e o marketing, encontrou duas dimensões que hoje considera fundamentais. A primeira ensinou-a a pensar de forma estruturada e orientada para a resolução de problemas. A segunda aproximou-a das pessoas, dos comportamentos, da comunicação e do posicionamento. “Hoje percebo que essa combinação é uma das características que mais define a minha forma de trabalhar. Gosto de ter visão, mas também gosto de perceber como concretizá-la”. É uma combinação que a leva a não recear entrar em áreas novas. Quando não domina determinado tema, procura aprender, encarando o desconhecido como um desafio.
Essa curiosidade está também na origem das novas oportunidades que aceita. Ao longo da entrevista, admite ter dificuldade em permanecer demasiado tempo num lugar onde sente que já não está a aprender ou a construir. Ainda assim, não basta uma ideia parecer interessante para avançar. Procura perceber se existe uma oportunidade real, se há espaço para acrescentar valor e se acredita verdadeiramente naquilo que está a construir. “Para mim, um projeto tem de ter propósito, identidade e potencial de evolução”, resume.
“A diversidade não é, para mim, dispersão. É uma forma de continuar a aprender”
Uma carreira feita de diferentes caminhos
A diversidade de responsabilidades trouxe também uma aprendizagem sobre a forma de gerir o próprio tempo. Para Vânia Fonseca, já não basta falar em gestão de tempo: é necessário gerir energia, foco e prioridades. Procura distinguir aquilo que é estratégico e exige a sua intervenção direta daquilo que pode ser delegado ou adiado.
O empreendedorismo ensinou-lhe ainda a importância de saber dizer não. “Produtividade não significa fazer mais coisas. Significa fazer melhor aquilo que realmente importa”. É neste percurso diversificado que surge a Bávia, uma marca que traduz de forma particularmente clara a sua visão. A experiência de construir e fazer crescer a empresa ensinou-lhe que levar avante um projeto de beleza vai muito além do desenvolvimento de produtos ou de uma identidade visual.

O caminho trouxe também a necessidade de lidar com a incerteza e com decisões para as quais nem sempre existe uma resposta evidente. Em determinados momentos, é preciso acreditar numa ideia antes de existirem resultados capazes de a validar. E é aí que identifica uma das maiores aprendizagens da experiência enquanto empreendedora: a persistência. “Há momentos em que é necessário ajustar, recomeçar, mudar uma estratégia ou simplesmente continuar quando os resultados ainda não são visíveis”. Ao mesmo tempo, a Bávia mostrou-lhe que é possível fazer crescer uma marca sem perder a sua essência. É essa ambição que está por trás do conceito Bávia Beyond Beauty, que procura posicionar a marca para lá da beleza e criar um universo próprio, com identidade e experiência.
O percurso até aqui não foi construído apenas através de escolhas confortáveis. A empreendedora não identifica um único momento de viragem, mas antes um conjunto de decisões em que optou por sair da sua zona de conforto. Em várias ocasiões, poderia ter escolhido o caminho mais previsível, mas decidiu avançar na direção daquilo que queria construir. “Crescimento profissional raramente acontece quando tudo está confortável”. Para a própria, é quando somos obrigados a questionar o que conhecemos, assumir riscos e tomar decisões sem todas as garantias que mais crescemos.
Hoje, essa experiência influencia também a forma como avalia novas oportunidades. Procura acreditar na iniciativa, identificar um potencial real de criação de valor e encontrar alinhamento com a sua própria visão. A possibilidade de evolução é igualmente importante. “Nem todas as oportunidades são necessariamente oportunidades para nós”, sublinha, numa altura em que considera o tempo um dos seus recursos mais valiosos.
O futuro além da beleza
Se há algo que parece certo no próximo capítulo de Vânia Fonseca é que continuará a existir espaço para novas ideias. A empreendedora quer continuar a desenvolver a Bávia e levar o conceito Beyond Beauty para novas dimensões, cruzando beleza, lifestyle, formação, experiência e empreendedorismo.
Uma das iniciativas que está atualmente a ganhar forma é a Bávia MyAcademy, um conceito de formação que pretende acrescentar uma nova dimensão ao universo da marca, centrada no conhecimento, na aprendizagem e na partilha. Em paralelo, pretende continuar a crescer noutras áreas empresariais e estratégicas, mantendo o interesse por inovação, tecnologia, comunicação e construção de negócios.

Mais do que definir um destino exato para os próximos anos, prefere manter aberta a possibilidade de continuar a descobrir novos caminhos. “Não tenho uma ideia rígida de onde quero estar daqui a dez anos. Tenho, sim, uma certeza: quero continuar a construir coisas em que acredito, rodear-me de pessoas que acrescentem valor e continuar a desafiar-me”.
É talvez essa capacidade de continuar a procurar, aprender e experimentar que melhor define o seu percurso. Afinal, como a própria resume, “sucesso não é chegar a um determinado ponto. É continuar a evoluir sem perder aquilo que nos fez começar”.




