O Algarve continua a ser a principal referência das férias dos portugueses, mas os sinais para o verão de 2026 apontam para uma procura mais partilhada e menos concentrada nos destinos tradicionais. A costa alentejana ganha força, o turismo rural mantém apelo junto de famílias e grupos de amigos, e as viagens associadas a atividades como o surf ou o golfe vão ganhando relevância.
De acordo com dados divulgados pela Airbnb, relativos a pesquisas e reservas efetuadas no primeiro trimestre de 2026 para estadias entre 21 de junho e 22 de setembro, os hábitos de férias dos portugueses continuam a evoluir. Portimão mantém a liderança entre os destinos nacionais mais procurados, confirmando o peso do Algarve, mas Odemira e Porto Covo surgem em destaque na costa alentejana, ao lado de Olhos de Água e Tavira.
A tendência não aponta para uma substituição simples do Algarve. Mostra antes um alargamento do mapa de férias. A procura por praias menos urbanizadas, alojamentos com mais espaço, estadias em grupo e maior contacto com a natureza ajuda a explicar o crescimento de destinos que combinam costa, paisagem e uma relação mais tranquila com o território.
As viagens partilhadas são um dos sinais mais claros desta evolução. As reservas para grupos aumentaram 28% e as reservas familiares cresceram 24%, segundo os dados da plataforma. Casas maiores, estadias com amigos e férias intergeracionais ganham relevância num contexto em que o custo da viagem, o conforto e a possibilidade de partilhar despesas pesam cada vez mais na decisão.
O turismo rural acompanha essa mudança. Odemira, Alcobaça e Terras de Bouro na serra do Gerês aparecem entre os destinos rurais em destaque, reforçando a procura por lugares com menor densidade urbana, natureza próxima e capacidade para acolher famílias ou grupos. A ideia de férias deixa assim de estar presa apenas ao alojamento junto à praia e passa a integrar espaço, privacidade e ritmo mais lento.
Também as férias com atividade ganham terreno. Vila do Conde, Figueira da Foz e Ponta Delgada surgem entre os destinos portugueses em destaque junto a zonas de surf, enquanto o golfe mantém peso no Algarve e na Madeira.
Fora de Portugal, as reservas internacionais cresceram 28%, acima do aumento registado nas viagens domésticas, que se situou nos 25%. Madrid, Londres e Sevilha destacam-se entre os destinos com maior crescimento junto dos viajantes portugueses, confirmando o peso das escapadinhas urbanas e da proximidade europeia.




