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Perda de olfato leva cientistas a tentar tratamento para a COVID-19

Foto: Unsplash.com
Investigadores acreditam ter descoberto a razão pela qual muitos dos infetados com COVID-19 perdem o olfato. Próximo passo é combater a infeção com tratamentos aplicados diretamente no nariz.

O estudo foi conduzido por Andrew P. Lane, diretor do departamento de otorrinolaringologia, e pelo investigador Mengfei Chen, ambos da Universidade de Medicina Johns Hopkins, nos EUA. As conclusões, publicadas esta quarta-feira, 19 de agosto, no ‘European Respiratory Journal’, deixam a esperança num possível tratamento para a COVID-19 através do nariz.

Os investigadores, que estavam a estudar tecidos removidos no decurso de cirurgias de narizes de pacientes, acreditam ter descoberto a razão pela qual muitos dos infetados com o novo coronavírus perdem o olfato, mesmo quando não têm mais sintomas.

As experiências revelaram a presença de níveis muito elevados da enzima ACE-2 na zona do nariz responsável pelo olfato e acredita-se que essa enzima é o “ponto de entrada” do vírus nas células, provocando a infeção. Por causa disso, os cientistas creem que isto ajuda a explicar a razão de a COVID-19 ser tão infeciosa, sugerindo que concentrar a atenção naquela zona do corpo pode resultar em tratamentos mais eficazes.

“Enquanto outros vírus respiratórios, regra geral, causam perda de olfato através da obstrução dos canais de circulação de ar, que inflamam, este vírus por vezes causa a perda de olfato na ausência de qualquer outro sintoma nasal”

Andrew P. Lane

A equipa de investigadores usou amostras de tecido retiradas da parte de trás do nariz de 23 pacientes em cirurgias para tratar tumores e outras doenças, tendo ainda estudado biopsias da traqueia de sete pacientes. Nenhum dos pacientes tinha COVID-19.

Desta forma descobriram que a maior concentração da enzima se encontra, de longe, na área da parte de trás do nariz responsável pelo olfato. O nível de concentração da enzima nessas células era 200 a 700 vezes superior à encontrada em outros tecidos retirados do nariz ou da traqueia. A enzima não foi detetada nos neurónios olfativos, as células nervosas que passam a informação dos cheiros para o cérebro.

“Os resultados sugerem que esta zona do nariz pode ser a porta de entrada do novo coronavírus no corpo”, disse Chen num comunicado partilhado pelas agências de notícias., acrescentando que esta é uma zona do corpo de fácil acesso para um vírus, podendo ser a explicação de ser tão fácil contrair COVID-19.

O próximo passo é focar o tratamento no nariz.

“Estamos agora a realizar mais experiências em laboratório para perceber se o vírus está, ou não, a usar estas células para entrar e infetar o corpo. Se for esse o caso, poderemos combater a infeção com tratamentos antivirais aplicados diretamente no nariz”

Andrew P. Lane

Note-se que a administração direta no nariz foi uma das formas de tratamento nos pacientes com H1N1 (gripe suína) em 2009, tal como a foto deste artigo demonstra.

Foto: Unsplash.com

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