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Cerveja Trindade: Frescura e irreverência para o seu verão

A Central de Cervejas e Bebidas é uma referência na indústria cervejeira em Portugal reconhecida principalmente pela cerveja Sagres. Mas neste mundo de cervejas, há opções para todos os gostos. No portfólio das cervejas artesanais destaca-se a Trindade, uma cerveja para todos os momentos. Beatriz Rocha, responsável pelo departamento Craft da Central de Cervejas, falou à IN sobre a nova tendência das cervejas artesanais e sobre o palato distinto da Trindade.

IN: Portugal assistiu em anos recentes a um verdadeiro boom no universo das cervejas artesanais. A que se deveu este despertar da consciência artesanal?

Beatriz Rocha (BR): Penso que se deveu a vários fatores. Por um lado, este movimento que começou já nas décadas de 70 e 80 em países como EUA ou UK – começaram a surgir pequenas cervejeiras com marcas locais que foram crescendo e foi apenas uma questão de tempo até o mesmo acontecer na Europa. Por outro lado, as pessoas procuram cada vez mais produtos e experiências diferentes – algo que vemos em várias categorias, não só cerveja. Há abertura para explorar coisas diferentes, há uma valorização do que é artesanal, do que é produzido localmente e o mesmo se reflete nesta bebida.

Beatriz Rocha, responsável pelo departamento Craft da Central de Cervejas

IN: Neste campo das cervejas artesanais destacam-se a Cerveja Trindade. O que a torna tão distinta?

BR: A Cerveja Trindade é distinta por ser uma cerveja histórica que já existiu. Fundada em 1836 em Lisboa e, ao que tudo indica, provavelmente a primeira cerveja de Lisboa. Ao sabermos da história desta cerveja quisemos recuperar a mesma respeitando a sua origem, intimamente ligada a Lisboa e aos azulejos portugueses.

Ao desenvolver a imagem a marca tivemos como inspiração o seu fundador, Manuel Moreira Garcia, um galego que veio viver para Lisboa e que tinha uma grande paixão por azulejos. Para criar os nossos rótulos desenhámos adaptações de alguns dos mesmos que foram encomendados por Manuel Garcia.

As variedades que temos – uma Vienna Lager (Áurea), uma American Wheat (Fénix) e India Pale Ale (Profana) – foram pensadas de modo a entregarem uma experiência sensorial diferente, mais rica em aromas e sabores, e por outro lado acessíveis ao paladar dos portugueses.

IN: É sobretudo o método de produção que torna a cerveja artesanal distinta?

BR: É principalmente na escala de produção. Os ingredientes base da cerveja – água, malte, lúpulo e levedura – e as principais etapas de produção da cerveja são algo que se encontra em processos artesanais ou industriais. E em ambos os casos há rigor no processo e um trabalho do Mestre Cervejeiro em manter a qualidade do produto consistente. A diferença, falando no caso de Portugal, é que as cervejeiras artesanais têm capacidades de produção mais pequenas e daí alguns dos processos ainda serem bastantes manuais (processo de enchimento por exemplo), ao contrário das industriais onde tudo já está automatizado.

IN: A tradição mediterrânica é mais vinícola, enquanto a cerveja era mais conotada com os ‘povos do Norte’. Entre as escolas alemã, belga, inglesa e a norte-americana, há espaço para um estilo de cerveja português?

BR: Claro que sim. Algo que temos visto a acontecer um pouco por todo o mundo é o surgir de novos estilos de cerveja, muito potenciados pelas comunidades de cervejeiros artesanais locais. Temos o caso do Brasil que propôs um novo estilo, Catharina Sour; na Nova Zelândia, a New Zealand Pilsner. Estes novos estilos não são, na maioria dos casos, receitas revolucionárias e completamente diferentes – normalmente são adaptações de um estilo já existente, mas que acabam por celebrar ingredientes nativos da região, como frutas, lúpulos, etc.

Por isso Portugal não tem que ser exceção e é sempre uma possibilidade.

IN: Os portugueses já se aperceberam das qualidades da cerveja artesanal? IPA, Pilsener ou Puro Malte, a cerveja artesanal é para todos os momentos?

BR: É importante referir que a quota de cerveja artesanal em Portugal é ainda muito pequena, abaixo de 1%. Isto indica que o consumo de cerveja artesanal representa pouco volume no total de consumo de cerveja. Apesar disto, verificarmos que os portugueses já têm conhecimento de que existem diferentes estilos de cerveja, facto que temos vindo a comprovar através de estudos com consumidores de cerveja. Estilos como é o caso de India Pale Ale e Stout já são reconhecidos por várias pessoas que, talvez ainda não tiveram oportunidade de provar, mas já ouviram falar via amigos, familiares ou comunicações de marcas.

Os momentos de convívio com amigos ou família, fora ou dentro de casa, são os eleitos para o consumo de cerveja, o que não é exceção para as cervejas artesanais. Pelo simples facto da maioria das cervejas artesanais serem mais caras, a maioria dos portugueses refere que consomem em ocasiões mais especiais ou pontuais. Mas no geral diria que sim, a cerveja artesanal é tão variada que acaba por se adaptar a todos os momentos – e quem prova uma boa cerveja vai certamente repetir a experiência!

Sobre este autor

Jorge Teixeira

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