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“Não existe melhor sensação do que trabalhar no que se gosta”

Mais do que prestar serviços de contabilidade e consultoria fiscal, a Finpartner assume-se como uma verdadeira parceira dos seus clientes nas mais importantes decisões de gestão. O rosto desta empresa, com clientes espalhados por todo o mundo e uma forte aposta na tecnologia, é Daniela Esteves. Uma líder de inegável sucesso, que gosta verdadeiramente daquilo que faz e conhece bem todos os degraus até ao topo da hierarquia. Para além de nos revelar as novidades de uma empresa em constante atualização, quisemos perceber como vê o atual panorama empresarial em Portugal e a capacidade de atração de investimento do nosso país.

A Daniela Esteves entrou para a Finpartner como estagiária e ficou como técnica de contabilidade. Seguiu-se o cargo de contabilista sénior e chefe de equipa, sendo promovida a Diretora Operacional. Em março de 2020 torna-se Administradora da empresa. Tudo isto em apenas oito anos, num trajeto completo da base até ao topo. Como é ser a protagonista deste percurso?
Estou muito contente com o percurso que trilhei e estou igualmente grata a todos aqueles que apostaram em mim e me apoiaram, desafiando-me constantemente a ambicionar e a querer fazer mais e melhor pela Finpartner. Tem sido um caminho desafiante mas muito enriquecedor. Considero ter tido uma oportunidade, que não é muito comum no nosso tecido empresarial, de começar na base e chegar ao topo. Esse percurso permitiu-me adquirir um know-how de todas as áreas da empresa, o que me proporciona uma compreensão mais alargada da dinâmica de toda a nossa organização, o que é sem dúvida um ponto forte na liderança e na gestão da mesma.

Quais são os maiores desafios de liderar uma empresa com mais de 2 mil clientes?
Os desafios são muitos e variados, mas são eles que nos ajudam a melhorar como um todo, bem como o serviço e acompanhamento que procuramos dar a cada um dos nossos clientes. O facto de termos uma grande carteira de clientes composta por, na sua maioria, nacionalidades estrangeiras, permite-nos ter contacto com culturas muito diferentes bem como sistemas fiscais muito distintos do nosso. Esse facto obriga-nos a um estudo constante e mais aprofundado da realidade dos mesmos além-fronteiras, tendo muitas vezes que fazer-se a ponte com diferentes entidades estrangeiras bem como ter um cuidado redobrado na explicação de certos temas fiscais e contabilísticos. Ambicionamos ser um parceiro para os nossos clientes, o que obriga, sem dúvida alguma, a estarmos mais atentos e disponíveis, providenciando um acompanhamento mais próximo e a apresentação de soluções custom made. Isto porque as necessidades de um cliente não são necessariamente iguais às de outro. Todos estes desafios abrem-nos horizontes que nos permitem crescer como profissionais e como organização.

Como carateriza os clientes da Finpartner?
Os nossos clientes, tal como referi anteriormente, são maioritariamente estrangeiros. Trabalhamos com empresas estrangeiras que abrem filiais ou sucursais em Portugal, mas também com pessoas singulares que pretendem investir em Portugal seja em nome pessoal ou através da criação de novos negócios. São clientes com um forte espírito empreendedor e dinâmico e possuem igualmente um elevado grau de exigência que imprimem nos projetos que desenvolvem.

Ao olharem para os vossos clientes como parceiros e contribuindo ativamente em decisões de gestão imagino que sintam o sucesso deles como vosso também. É mesmo assim?
Sem dúvida que sim. Um dos nossos principais objetivos é ser um verdadeiro parceiro de negócios dos nossos clientes, indiscutivelmente isso exige de nós uma maior dedicação e envolvência nos projetos de cada um deles. Ficamos sempre muito satisfeitos ao ver o crescimento e os sucessos que conseguem alcançar. Nestes últimos tempos, em que com a pandemia muitos negócios foram afetados, foi com especial satisfação que vimos negócios a conseguirem manter-se e alguns deles mesmo a prosperar e ganhar dimensão numa altura tão conturbada como a que vivemos. Esta proximidade e diversidade de experiências que temos oportunidade de acompanhar é algo que muito valorizamos e que nos ajuda a criar conhecimento mais especializado e procurar continuamente a melhoria do serviço que prestamos, tornando-o mais completo e abrangente.

A tecnologia está no vosso ADN e lançaram mesmo uma aplicação própria para facilitar a relação com os vossos clientes. Entendem que a capacidade de inovação e a adaptabilidade são absolutamente fundamentais para a boa gestão de uma empresa atualmente?
A tecnologia, de uma forma global, está cada vez mais presente e é sem dúvida o futuro de toda e qualquer organização que queira prosperar e ser competitiva no mercado. Com a chegada da pandemia veio confirmar-se a importância do uso das novas tecnologias, tendo obrigado a uma adaptação muito rápida à nova realidade com que nos temos deparado nestes últimos dois anos. Na Finpartner consideramos que a tecnologia e a inovação, na nossa área de atuação, são essenciais, pois são de uma forma inquestionável uma excelente ferramenta de automatização de tarefas e procedimentos, mas também de comunicação e de reforço de proximidade com os nossos clientes. Com a transição tecnológica o papel do contabilista é mais do que registar documentos e responder a obrigações fiscais, sendo premente manter-nos a par de todas estas novas mudanças e usá-las de forma a tirar o máximo partido delas. É por isso que trabalhamos continuamente no desenvolvimento de mecanismos que nos permitam reduzir tarefas consumidoras de tempo e que nos aproximem dos nossos clientes.
Um desses exemplos é a nossa APP, que foi concebida com o intuito de ser um canal alternativo de comunicação com o cliente e que tem vindo a evoluir neste último ano. Alguns exemplos das suas funcionalidades são a possibilidade de partilhar documentos bilateralmente, fazer pagamentos, consultar conteúdos informativos, ou utilizar o gamification. Esta funcionalidade trata-se de um jogo que desenvolvemos para os nossos clientes, com a finalidade de incentivar determinados comportamentos ou ações, com o intuito de ganhar pontos que, posteriormente, podem ser trocados por prémios.
Colocámos recentemente novas ferramentas na APP que, no nosso entender, são uma mais-valia para o cliente, tais como o simulador de salários, o simulador de IRC e a nossa assistente virtual, a Finny, que alerta os clientes de prazos e outros conteúdos relevantes, sempre com mensagens personalizadas. A ideia é que a nossa APP continue a evoluir tornando-se a cada vez mais interativa e útil para o nosso cliente.

A internacionalização foi sempre um objetivo da empresa? O que motivou essa aposta?
Sim, a internacionalização foi sempre um dos objetivos da Finpartner. Desde o início que queremos afirmar-nos com uma prestação de serviços diferenciadora e personalizada, atendendo que o mercado da contabilidade estava estagnado em Portugal, havendo muito pouca valorização dos serviços que prestamos, almejámos sempre o mercado internacional e foi essa a estratégia que temos vindo a seguir. Ao longo dos anos conseguimos compor uma carteira de clientes essencialmente estrangeiros, que acabou por nos ajudar a criar o know-how diferenciador que hoje imprimimos no serviço que prestamos e que é reconhecido pelos nossos clientes. O salto seguinte será consolidar o nome da nossa marca e criar uma presença permanente no estrangeiro.

Há muito interesse de investidores estrangeiros em Portugal? Quais são os fatores de atratividade do nosso país?
O nosso país é bastante atrativo no que toca ao investimento estrangeiro, o que é bastante benéfico para a nossa economia e isso espelha-se nos números. De acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal e pelo Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) nos primeiros 11 meses de 2021, as transações acumuladas do Investimento direto em empresas em Portugal foram de 6 203 milhões de euros, o que demonstra um crescimento significativo quando comparado com o período homólogo em que se registou um investimento direto de 3 690 milhões de euros. Também recentemente Portugal foi classificado no 10º lugar das economias mais atrativas para o investimento estrangeiro.As razões são variadas, desde a qualidade de vida com um ótimo clima, estabilidade social e segurança, bem como um povo bastante hospitaleiro. Passando pela qualidade dos nossos profissionais, não só nas áreas técnicas, mas também pela capacidade demonstrada na adaptação a contextos multiculturais e multilinguísticos. E claro está, outra das razões passa pelos incentivos fiscais disponibilizados, como por exemplo o Golden Visa ou os Residentes não Habituais. A constante aposta na inovação e tecnologia, impulsionada pelos nossos jovens empresários, como o exemplo claro das três empresas portuguesas que ganharam o estatuto de unicórnio, bem como a organização de eventos em grande escala como o Websumit são uma janela de novas oportunidades que devem continuar a ser exploradas. Contudo, existem temas que temos que melhorar como país e que incidem essencialmente no excesso de burocracia e na complexidade do nosso sistema fiscal, fatores que podem desencorajar alguns investidores.

Quando olhamos para a equipa da Finpartner vemos que é composta maioritariamente por mulheres. Podemos dizer que é uma empresa marcadamente feminina ou é algo que não tem impacto na “personalidade” da empresa?
É verdade, as nossas equipas são maioritariamente constituídas por elementos femininos, não foi algo que tenha sido feito propositadamente. Creio que se prende com a realidade que temos no nosso país, pois pegando nos números de 2020 partilhados pela Pordata, 58% dos diplomados de ensino superior em Portugal são do sexo feminino, o que necessariamente se traduz em mais candidatos femininos. Indiscutivelmente que esta composição confere, necessariamente, características associadas normalmente ao sexo feminino no nosso clima organizacional. Nomeadamente no que toca, por exemplo, à gestão de tarefas, ao foco e atenção ao detalhe, à criação de imagem positiva e sua comunicação, importantíssimo na nossa estratégia de marketing, entre outras. Mas a realidade é que cada um dos nossos colaboradores, sejam eles mulheres ou homens, aportam sempre novas características que nos enriquecem como equipa, e nos tem ajudado a crescer como um todo e consequentemente a criar oportunidades para todos eles.

Como mulher, gestora e líder, de que forma olha para o mundo corporativo atual e para as mulheres neste meio? Sente que Portugal pode ser competitivo no mercado global?
No meu entender existe muito a fazer no que toca à igualdade de género no mundo corporativo de uma forma transversal. Ainda recentemente este tema surgiu no discurso da presidência francesa do Conselho da União Europeia por Emmanuel Macron, presidência que se iniciou em janeiro de 2022 e que durará 6 meses. No parlamente europeu, Macron abordou o tema das desigualdades salariais entre homens e mulheres, bem como a introdução de quotas para mulheres nos conselhos de administração das empresas, como uma das prioridades que quer desenvolver durante a presidência.
A implementação de quotas é uma medida que tem vindo a ser discutida no Parlamento Europeu, mas que não tem tido a aderência dos 27. Contudo, na minha opinião não se trata de uma questão de imposição de quotas, mas sim de mudança de mentalidades e isso leva o seu tempo. Tem de ser dadas as mesmas oportunidades a ambos os sexos e não limitar a aposta com base no género. Deve-se igualmente não limitar a escolha para um determinado cargo em apenas e só a experiência, mas também ver um pouco mais além, e aferir o potencial que cada candidato tem.
Os números dos mais recentes estudos não são animadores, e de acordo com a 15ª edição do Relatório de Desigualdade Económica de Género de 2021, o fosso da desigualdade agravou-se com a pandemia, estimando-se agora que serão necessários em média cerca de 136 anos para atingir a paridade entre géneros na economia. Portanto, o caminho é longo para atingirmos a igualdade de género que ambicionamos. Em Portugal começam-se, na minha opinião, a registar sinais de pequenas mudanças e quero acreditar que em breve começaremos a ver resultados mais claros e animadores de que estamos a caminhar num bom sentido.

A Daniela Esteves chega a uma posição de topo numa empresa de referência no setor da contabilidade e gestão ainda muito jovem. De que forma vê o seu futuro e o da Finpartner?
O Futuro da Finpartner passará indiscutivelmente pela tecnologia e pela mudança de paradigma no que toca ao papel do contabilista. Passa igualmente pela internacionalização da marca, esse é um dos nossos maiores reptos. Quanto a mim, neste momento, a minha ambição é continuar a trabalhar no projeto Finpartner, contribuir ativamente para o crescimento da empresa e para o meu próprio crescimento, bem como o de cada um dos profissionais que trabalham comigo. O futuro está repleto de oportunidades novas e desafiantes e eu pretendo continuar a trilhar o caminho que me levou até aqui e continuar a apreender todos os dias e a fazer o que gosto. Pois, a meu ver, não existe melhor sensação do que trabalhar no que se gosta, com pessoas que nos ensinam todos os dias e poder participar em projetos que nos desafiam diariamente.

Sobre este autor

João Malainho II

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