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Qualidade de vida reconhecida em Boticas

As montanhosas terras de Barroso são uma das zonas mais bonitas e fascinantes do nosso país. Para além do ar puro com toques de urze, giesta ou carqueja, ali respira-se também qualidade de vida. Um reconhecimento que chega ao Município de Boticas através do galardão de Autarquia + Familiarmente Responsável, atribuído já pelo oitavo ano consecutivo.

Boticas não quer ser só um concelho magnífico para se visitar mas também uma ótima opção para ali viver. O Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis não deixa espaço para dúvidas ao atribuir ao Município, há já oito anos consecutivos, a distinção de Autarquia + Familiarmente Responsável. “Demonstra que estamos no caminho certo no que diz respeito à implementação de políticas de apoio às famílias”, começa por nos dizer Fernando Queiroga, o Presidente da Câmara de Boticas que foi reeleito para o seu terceiro mandato.

O Observatório é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas que pretende distinguir e dar visibilidade às autarquias que mais colaboram no combate ao envelhecimento e desertificação. Algo absolutamente essencial quando pensamos nos territórios do interior. Fernando Queiroga reconhece “que ainda há muito trabalho pela frente no que concerne à captação e fixação de população”, mas está confiante no trabalho do seu executivo. Até porque não tem dúvidas de que “Boticas é um concelho extraordinário para se viver e para constituir família, pois temos algo que nos tempos que correm é muito valioso, a qualidade de vida.”

Foram 81 os municípios cujas políticas foram reconhecidas como familiarmente responsáveis. A “Bandeira Verde com Palma” é reservada às autarquias que consigam manter ou melhorar as sua medidas de apoio às famílias durante três ou mais anos consecutivos. É o que acontece com Boticas, que de destaca na zona do Alto Tâmega como única autarquia com essa distinção.

Para aqui chegar muito contribuíram medidas como o “Enxoval Bebé” que atribui mil euros por cada nascimento no concelho, o Cartão Social do Munícipe e outros incentivos à natalidade. “As nossas crianças e jovens contam com a ajuda do município desde que nascem até que concluem o ensino superior e os nossos idosos contam com o apoio da autarquia para fazer face às despesas mensais com a medicação, com o consumo de água, ou próteses, por exemplo.” Apoios estruturais ou ajudas pontuais, tudo faz a diferença quando é aplicado no momento certo, e é nisso que o Presidente da Câmara garante continuar a “trabalhar todos os dias”.

Respostas aos efeitos da pandemia
Os últimos dois anos representaram um desafio enorme para o poder local, primeiro ponto de contacto com as populações tão fortemente atingidas pela pandemia da Covid-19. Os sucessivos confinamentos abalroaram os alicerces da economia, com consequências que só não foram ainda mais dramáticas graças ao apoio das autarquias. Fernando Queiroga lembra que nesse período foram implementadas medidas de apoio “mitigadoras, não apenas para as famílias, mas também para os comerciantes do concelho.” Houve lugar a redução e mesmo isenção “dos consumos de água ao longo dos meses mais críticos em que estivemos em confinamento obrigatório e em que muitos negócios foram obrigados a suspender a sua atividade.”

Sem um poder local forte e autónomo o interior do país estaria ainda mais desertificado, seguramente. A proximidade às populações, sobretudo nos concelhos menos urbanos, é fundamental, como refere o Autarca: “temos conhecimento de causa, sabemos as nossas fragilidades, vamos ao terreno constatar in loco aquilo que é ou não preciso fazer e agimos mediante o que é mais ajustado à nossa realidade e necessidades.”

Emprego, Turismo e Futuro
Para continuar o bom trabalho e para que as famílias se possam fixar neste concelho, mantendo viva a vila de Boticas, mas também as belíssimas aldeias serranas do seu território, é fundamental a criação de emprego e a captação de investimento. São essas as grandes prioridades do Presidente da Câmara para este seu último mandato, ciente de que só assim pode continuar a haver fixação de população no interior. Sempre com o pensamento no bem-estar dos seus munícipes, afinal “o património mais valioso que temos e que devemos preservar.”

Continuar a desenvolver o turismo é outro foco da Autarquia. A beleza natural de toda esta região ajuda muito nesse campo, mas se a isso somarmos a riqueza da gastronomia e a qualidade inexcedível dos seus produtos endógenos, torna-se um destino irresistível. Os enchidos e o fumeiro local dispensam apresentações e o Cozido à Barrosã é um verdadeiro festim de sabores no prato. Há ainda o mel, de caraterísticas únicas e relevância vital para a economia local e o Vinho dos Mortos – um verdadeiro ex-libris de Boticas, que acabou por resultar das invasões francesas no início do séc. XIX. Não podemos sair do Barroso sem falar da bela raça a que esta terra dá o nome – a Barrosã. Bovinos dóceis com grande capacidade de trabalho e uma carne absolutamente deliciosa.

Tudo isto, e muito mais que aqui não cabe e que deixaremos para outra oportunidade, justifica que o Barroso (Boticas e Montalegre) sejam reconhecidos como Património Agrícola Mundial. Uma zona que, se ainda não conhece, tem mesmo de visitar. Só assim para experienciar a proverbial hospitalidade destas terras, onde sempre se abria a porta e colocava mais um lugar à mesa a qualquer estranho que por ali passasse.

Sobre este autor

João Malainho II

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