A economia portuguesa deverá crescer 2% em 2026, acima da média prevista para a Zona Euro, mas mantém uma exposição relevante a choques externos que afetem os preços da energia, a mobilidade aérea e a confiança dos consumidores.
O alerta consta do European Economic Outlook da KPMG, que analisa os impactos económicos da atual instabilidade no Estreito de Ormuz e antecipa uma nova pressão energética sobre a Europa. Segundo o relatório, Portugal deverá continuar a apresentar um desempenho superior ao conjunto da Zona Euro.
A KPMG projeta um crescimento de 2,0% para a economia portuguesa em 2026 e de 1,7% em 2027, enquanto a Zona Euro deverá crescer 0,9% em 2026 e 1,2% no ano seguinte. O cenário confirma a resiliência relativa da economia nacional, mas também evidencia vulnerabilidades associadas ao peso do turismo, das exportações de serviços e da mobilidade internacional.
O documento identifica Portugal entre as economias europeias mais expostas a uma eventual perturbação da época turística de verão, caso se verifiquem constrangimentos no abastecimento de combustível para aviação. Uma redução da oferta de voos, cancelamentos ou alteração do comportamento dos consumidores, com mais turistas a optarem por férias próximas de casa, poderia penalizar as receitas externas e retirar dinamismo a um dos principais motores da economia portuguesa.
A análise aponta ainda para um contexto europeu marcado pela subida dos preços da energia e por potenciais perturbações no abastecimento de matérias-primas. Ao contrário da crise energética de 2022, centrada sobretudo na dependência europeia do gás russo, o atual choque poderá ter uma natureza mais global, com impacto no petróleo, no gás natural liquefeito, no alumínio, no hélio, no amoníaco e nos fertilizantes.
A inflação é outro ponto de atenção. A KPMG prevê que a taxa média na Zona Euro suba de 2,1% em 2025 para 3,1% em 2026, impulsionada sobretudo pela componente energética, antes de recuar para 2,3% em 2027. O aumento dos custos de transporte e energia poderá refletir-se também nos preços de outros bens e serviços, com impacto no rendimento real das famílias e no consumo privado.
Apesar deste enquadramento, o relatório considera improvável uma recessão generalizada na maioria das economias europeias. O consumo deverá continuar a ser a principal base de crescimento, apoiado pela resiliência do mercado de trabalho.




