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Opinião de Rita Marques: “Os Caminhos de Santiago são um pilar central no reconhecimento de Portugal enquanto destino de fruição espiritual”

Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo
Milhares de peregrinos percorrem, anualmente, os Caminhos de Santiago, seja por motivos religiosos, espirituais ou culturais, ou apenas instigados pela aventura e na procura de uma experiência única. Em 2019, cerca de 350 mil peregrinos trilharam estes caminhos. Nos últimos anos, os Caminhos de Santiago de Portugal têm-se destacado pelo seu crescimento.

Os Caminhos de Santiago são um pilar central no reconhecimento de Portugal enquanto destino de fruição espiritual. Os Caminhos são relevantes do ponto de vista turístico não só pelas receitas que geram, como também pelo facto de atravessarem regiões de baixa densidade e por contribuírem para a redução da sazonalidade.

No trabalho sobre os Caminhos em Portugal, seguimos uma abordagem holística, com quatro pilares fundamentais: governança, estruturação da oferta, capacitação dos agentes, e promoção.

Ao nível da Governança, a cooperação entre entidades, o trabalho em rede, a nível nacional e internacional, é primordial. Num primeiro nível, a parceria entre o Turismo e a Cultura é fundamental. Num segundo nível, contamos com as entidades regionais de turismo e com as agências regionais de promoção turística. Os municípios e as CIM’s afiguram-se também como parceiros essenciais. Contamos ainda com as associações, com diversos agentes da oferta, e com os próprios caminhantes. É ainda de destacar a Comissão de Certificação, que integra as duas áreas mais relevantes para o tema, o turismo e a cultura, e que tem vindo a assumir um papel determinante para uma visão integrada na valorização dos Caminhos. Refira-se também o reforço da articulação com as regiões fronteiriças espanholas com interesses na temática. 

Pese embora tenhamos uma oferta com características únicas, ainda há muito a fazer ao nível da estruturação da oferta. Um passo muito significativo neste sentido foi a publicação do DL 51/2019 de 17/04, o qual regula a valorização e a promoção do Caminho de Santiago, através da certificação dos seus itinerários. A Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo já efetuou a submissão do requerimento de certificação relativo ao Caminho Central na região Alentejo Ribatejo, estando em preparação o processo relativo ao Caminho Nascente naquela região. Este é um passo importante que atesta o compromisso desta Região para com este programa. A Entidade Regional de Turismo do Centro está a preparar os processos de requerimento do Caminho Central e Nascente. A Entidade Regional de Turismo Porto e Norte será a entidade gestora no Caminho da Costa (região Norte), estando em curso o processo de preparação do requerimento. Nos restantes casos, Caminho de Torres (região Centro e Norte) e Caminho do Interior (região Centro e Norte), os municípios e entidades gestoras estão também a preparar os processos.

A par das certificações, impera assegurar a articulação entre os itinerários certificados, tendo em vista a sua continuidade territorial e a manutenção de um espírito de rede. Um outro aspeto a trabalhar é o da inclusão dos itinerários certificados portugueses nos caminhos certificados do Conselho da Europa.

Relativamente aos agentes da oferta, destaca-se o papel dos albergues, essenciais na experiência do caminhante. Nesta temática, deverá reforçar-se o trabalho com a ANMP e tutela das autarquias, ao nível de aspetos, como o enquadramento dos albergues de gestão associativa sem fins lucrativos e as competências legais dos municípios em termos de licenciamento/verificação das condições de funcionamento dos mesmos.

Ainda com relevância para a oferta e não de somenos importância, estamos atentos à questão das fontes de financiamento concretas para itinerários certificados. Reconhecemos que é um aspeto crucial para o sucesso do projeto.

Uma área que fortaleceremos é a da capacitação. A este nível, o Turismo de Portugal tem lançado iniciativas de capacitação de empresas e municípios para a interpretação do património religioso (católico e judaico), acolhimento de peregrinos e definição de pilotos para monitorização da procura. Acreditamos que a capacitação é um pilar muito importante em todo este sistema, pelo que deveremos alargar as ofertas de formação nestas temáticas da espiritualidade. 

O lançamento da plataforma de promoção dos Caminhos de Fé em Portugal (www.pathsoffaith.com), disponível em três idiomas, foi uma iniciativa relevante. Estamos, naturalmente, atentos à necessidade de desenvolver novos conteúdos para a área dos Caminhos de Santiago e criar maior tração para o website. As ARPTs fazem também um trabalho fantástico ao nível da promoção, incluindo ao nível de Fame presstrips. Não obstante, devemos manter uma estratégia nacional de comunicação e de valorização do caminho de santiago, que sirva de referência, que articule os planos parcelares regionais e que contribua para a imagem de Portugal como destino de fruição espiritual, em várias dimensões. 

Em 2021, teremos a Celebração do Ano Santo ou Ano Jubilar, em Santiago de Compostela, o que representa um grande desafio assim como uma grande oportunidade. Estamos a trabalhar num Plano de comunicação em articulação com a Galiza e, internamente, temos de ser capazes de evitar redundâncias e dispersão excessiva de iniciativas. Atentos a que a celebração do Ano Santo se traduzirá num grande acréscimo de peregrinos, interessa preparar as infraestruturas nacionais e aproveitar a oportunidade. Uma boa resposta em 2021 contribuirá para a imagem do país e ajudará na recuperação de um setor estratégico para a economia, como é o Turismo.

Aventure-se pelos Caminhos de Santiago e Buen Camino!

Agosto’2020

Artigo de opinião por Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo

Sobre este autor

Ana Sofia

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