Ana Paula Oliveira e Elizabete Costa dirigem o Colégio Europeu Astoria — hoje Astoria International School —, uma escola internacional de currículo português no coração de Lisboa, no eixo Areeiro-Alvalade. A instituição oferece educação multilingue progressiva — Português, Inglês, Alemão e Francês — com certificação Cambridge International e Trinity College London, do berçário ao 9.º ano. Nesta conversa, Ana Paula Oliveira partilha a visão e as escolhas que fazem da instituição um projeto singular no panorama educativo lisboeta.
O seu percurso profissional está profundamente ligado à área da educação e à construção de projetos educativos. Que momentos ou decisões ao longo desse caminho foram determinantes para a visão que hoje imprime no Colégio Europeu Astoria?
A educação nunca foi, para nós, uma carreira — foi uma convicção. Desde cedo percebemos que a escola tem de ser o lugar onde se constrói carácter, se desperta curiosidade e cada criança descobre que é capaz. Essa crença moldou todas as decisões que tomamos. Um dos momentos mais decisivos foi a certeza de que a internacionalização da educação não podia ser um privilégio de elite. Famílias portuguesas de classe média, com legítima ambição para os filhos, mereciam acesso a uma formação verdadeiramente internacional — sem abdicar do currículo português ou comprometer o orçamento familiar.

Essa visão deu origem ao modelo do Astoria: quatro línguas integradas, certificação Cambridge, Goethe Institut e Alliance Française, e um investimento ao alcance de quem valoriza a educação como prioridade. Outra decisão determinante foi apostar numa equipa docente experiente e internacional. A qualidade de uma escola mede-se pela qualidade das pessoas que nela ensinam — e isso constrói-se com tempo e visão partilhada.
A instituição que administra tem vindo a afirmar-se como uma referência no ensino internacional em Lisboa. O que distingue verdadeiramente o vosso projeto educativo no contexto atual?
Somos a única escola de currículo português em Lisboa que oferece quatro línguas integradas — Inglês, Alemão e Francês — com certificação Cambridge, do berçário ao 9.º ano. É uma proposta sem paralelo no mercado lisboeta. Mas o que nos torna diferentes vai além da oferta académica. Trabalhamos com turmas pequenas, conhecemos cada aluno pelo nome, pelas forças e fragilidades. O acompanhamento individualizado não é um slogan — é a forma como operamos. E a continuidade pedagógica do berçário ao 3.º Ciclo permite às famílias um percurso estável e coerente. Para quem entra no 5.º ano, são cinco anos de estabilidade num ambiente que conhece e que o conhece.

O Astoria International School integra uma abordagem multilingue e multicultural desde muito cedo. De que forma essa dimensão internacional prepara os alunos para um mundo cada vez mais global?
O multilinguismo, no Astoria, não é uma disciplina — é uma vivência. Os nossos alunos vivem em inglês desde o berçário. A partir do 3.º ano, o alemão entra de forma estruturada. No 5.º ano, o francês completa o percurso. No 9.º ano, comunicam em quatro línguas com naturalidade. Uma criança que cresce neste ambiente desenvolve flexibilidade cognitiva e uma abertura cultural que nenhum manual consegue ensinar. Não se trata apenas de falar línguas — trata-se de pensar de formas diferentes. E a certificação Cambridge, Trinity, Goethe Institut e Alliance Française dá-lhes um passaporte reconhecido que abre portas em qualquer universidade do mundo.
O vosso modelo pedagógico inspira-se, entre outros, na teoria das inteligências múltiplas. Como é que isso se traduz, na prática, no dia a dia dos alunos?
A inspiração em Howard Gardner e no movimento da Escola Moderna não é teórica — é estruturante. Nem todas as crianças aprendem da mesma forma, nem todas brilham da mesma maneira. O nosso papel é criar condições para que cada uma descubra onde é excelente. Na prática, as artes, o desporto, o teatro e as ciências experimentais não são extras — são essenciais. Temos alunos que se descobrem no laboratório, outros que florescem no palco. E todos têm espaço. Complementamos com metodologias ativas e acompanhamento psicossocial com a Ordem dos Psicólogos. Não educamos para o ranking (23.ª posição no ano transato, entre escolas públicas e colégios privados). A nossa métrica mais importante: educamos crianças felizes.

Num contexto em que as famílias procuram cada vez mais uma educação personalizada, como é que conseguem equilibrar excelência académica com o acompanhamento individual de cada aluno?
Esse equilíbrio só é possível por uma escolha estrutural: turmas pequenas. É uma decisão com custo, mas que define a qualidade de tudo o que fazemos. Com turmas reduzidas, os professores conhecem cada aluno de forma profunda — sabem quando estão a evoluir e quando precisam de apoio. Acompanhamento individualizado não significa baixar a exigência — significa ajustar o caminho, respeitando ritmos sem abdicar do rigor académico. Para as famílias, isto é concreto: sabem que o seu filho não é um número e que existe atenção genuína ao percurso de cada criança.
Enquanto administradora, quais têm sido os maiores desafios e também as maiores conquistas no crescimento e consolidação do Astoria International School?
O maior desafio tem sido conciliar a ambição do projeto com a realidade operacional. Oferecer quatro línguas, certificação Cambridge, equipa qualificada e turmas pequenas — mantendo tudo isto sustentável — exige gestão rigorosa e escolhas constantes. Outro desafio é a notoriedade: o mercado lisboeta é competitivo e há escolas centenárias com reconhecimento consolidado.
O Astoria precisa de ser mais conhecido pelo que verdadeiramente é — e esse é um trabalho que estamos a fazer com determinação. Quanto às conquistas, a maior é a comunidade que construímos. Quando ouvimos pais dizerem que os filhos vão para a escola com um sorriso genuíno, sabemos que o caminho está certo. A confiança das famílias é a nossa verdadeira conquista — e renova-se todos os dias.

A relação entre escola e família é um dos pilares do vosso projeto. Como é que trabalham essa parceria no desenvolvimento das crianças e jovens?
A família não é um interlocutor externo — é um parceiro. A educação mais eficaz acontece quando escola e família partilham valores e comunicam abertamente. Cultivamos proximidade genuína: portas da direção abertas, canais diretos, transparência como regra. As famílias participam ativamente — em reuniões pedagógicas e relatórios de acompanhamento, mas também em momentos informais que criam comunidade. E queremos que confiem nas nossas decisões pedagógicas, mesmo quando exigentes. Confiança não se declara — constrói-se com coerência, respeito e resultados visíveis.

Olhando para o futuro da educação, que competências considera essenciais desenvolver nas novas gerações e como é que a instituição se está a preparar para esse desafio?
O futuro pertence a quem souber pensar de forma crítica, comunicar em várias línguas e adaptar-se a contextos que ainda não existem. As competências técnicas mudam cada vez mais depressa. O que permanece é a capacidade de aprender e de manter a integridade perante a incerteza. No Astoria, preparamo-nos com decisões já em curso: o programa multilingue, as metodologias ativas, o foco no bem-estar emocional e o acompanhamento individualizado. Mas a competência que considero acima de todas é a capacidade de ser humano num mundo cada vez mais tecnológico.
Empatia, ética, consciência social — é isto que queremos formar: não apenas alunos preparados para o mercado, mas pessoas preparadas para a vida. O Astoria não é apenas uma escola. É um projeto de vida.




