Mulheres Inspiradoras

A arte floral como identidade de cada celebração

O que começou, em 2012, como resposta a um desafio pessoal e a um momento de incerteza, transformou-se no projeto que Cláudia Spínola lidera atualmente na ilha da Madeira. A CS Flowers Design acompanha clientes em celebrações, com especial destaque para casamentos, onde a organização de eventos, a assessoria e a decoração floral se cruzam para criar memórias para a vida.

A marca CS Flowers Design nasce com a vontade de “criar emoções”. Em que momento percebeu que o seu trabalho podia transformar ocasiões em memórias especiais?

Foi ao realizar a decoração do primeiro casamento que percebi verdadeiramente o impacto do nosso trabalho. Ao observar a reação do casal, entendi que as flores, a forma como são trabalhadas e a integração dos desejos dos noivos no espaço do evento têm o poder de transformar um momento em algo único. É essa atenção ao detalhe e essa ligação emocional que tornam cada ocasião autêntica e memorável.

Sendo este um projeto com raízes madeirenses, mas que já atravessa mares e fronteiras, com casais estrangeiros a escolherem este destino para casar, como a ilha influencia as suas criações?

Cada vez mais, os casais procuram experiências exclusivas, autênticas e, sobretudo, sustentáveis. A Madeira reúne naturalmente todas essas características, o que a torna um destino de eleição, especialmente para quem sonha com cenários paradisíacos.

É precisamente com base nesses elementos que me inspiro nas minhas criações: procuro integrar a essência da ilha em cada projeto, valorizando a sua beleza natural e singularidade. O objetivo é proporcionar aos casais uma experiência sensorial única, que se transforme numa memória duradoura e inesquecível.

O bouquet é, muitas vezes, o elemento mais simbólico de um casamento. Como torna cada criação única?

O bouquet é um elemento essencial no look final da noiva, funcionando como o detalhe que harmoniza todo o conjunto e reflete a sua personalidade. Cada criação é pensada de forma totalmente personalizada, tendo em conta o vestido, a altura da noiva e o estilo que mais a representa — seja ele simétrico, assimétrico, minimalista ou romântico.

Gosto de trabalhar com atenção ao detalhe e aos pormenores, procurando sempre incluir um elemento distintivo que torne cada bouquet único. No final, são esses pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

Quando um cliente chega com uma ideia muito vaga, ou até sem saber bem o que pretende, como começa a construir um conceito que faça sentido para essa pessoa?

A minha formação base em Política Social e a experiência no contacto direto com pessoas têm sido uma mais-valia nesta área. Quando um cliente chega com uma ideia vaga, o primeiro passo é criar empatia e confiança. É fundamental quebrar o gelo e conhecer verdadeiramente quem nos procura, para conseguir “ler nas entrelinhas”.

A partir daí, consigo desenvolver um conceito que reflete aquilo que a pessoa sente e deseja, mesmo quando ainda não o sabe traduzir em palavras.

Ao juntar wedding planning, assessoria e decoração floral, qual é o papel da sua equipa junto dos noivos?

A integração do wedding planning, da assessoria e da decoração floral revelou-se uma mais-valia tanto para a nossa equipa como para os noivos. Mais do que gestores de logística e de timings, assumimos hoje um papel essencial como gestores emocionais de todo o processo, acompanhando o casal em cada etapa.

Num contexto em que as pessoas dispõem de cada vez menos tempo para procurar e articular diferentes fornecedores, oferecemos um serviço completo e integrado, que transmite segurança e confiança. Os noivos sabem que podem contar connosco para uma solução “chave na mão”, com uma equipa dedicada, experiente e alinhada com a visão do projeto, garantindo que tudo decorre de forma harmoniosa e sem falhas.

A Cláudia afirma que gosta de desafios “quase impossíveis”. Pode partilhar um projeto em que tudo parecia improvável e como o conseguiu concretizar?

Ao longo do nosso percurso, já enfrentámos vários projetos desafiantes que nos colocaram verdadeiramente à prova. No entanto, um dos que mais me marcou foi o de um casal com uma estética assumidamente gótica. Respeitando o seu estilo de vida e o desejo de homenagear entes queridos que já haviam partido, pediram-nos que os centros de mesa fossem inspirados em caveiras mexicanas — um conceito bastante fora do convencional no contexto de um casamento.

Durante cerca de um mês, dediquei-me a estudar o significado e a simbologia associada a este elemento, procurando encontrar uma forma de o integrar de maneira elegante e coerente. Desenvolvemos moldes em 3D que depois foram preenchidos com flores, criando peças únicas e cheias de significado. O resultado foi surpreendente e muito bem recebido por todos os presentes.

Para além de casamentos, que outros momentos ou celebrações têm vindo a ganhar espaço no seu trabalho e o que muda na forma como os encara?

Para além dos casamentos, temos vindo a trabalhar cada vez mais em outros momentos especiais, como batizados, aniversários e primeiras comunhões, bem como em eventos corporativos e decorações sazonais em hotéis, nomeadamente em épocas festivas como o Natal ou a Festa da Flor. Cada um destes eventos exige uma abordagem distinta, adaptada ao seu contexto e propósito.

Enquanto nos casamentos o foco está na história e na identidade do casal, noutros eventos procuramos alinhar a criação com o ambiente, a ocasião e o público. A Festa da Flor, em particular, é um dos pontos altos do nosso trabalho, pois representa uma oportunidade única de homenagear a ilha, levando a sua beleza e tradição às ruas e celebrando aquilo que nos define.

Depois de tantos anos e projetos, o que continua a surpreendê-la ou a motivá-la neste trabalho?

Sem dúvida, o que me continua a surpreender e a motivar é a reação e a gratidão dos nossos clientes. Ao fim de quase 15 anos de percurso, é muito especial perceber que continuamos a fazer parte das suas histórias, acompanhando diferentes fases das suas vidas — desde o casamento aos batizados, primeiras comunhões e outras celebrações marcantes.

Continuo também a encontrar inspiração na ilha que me viu nascer, que é uma fonte inesgotável de beleza e autenticidade. E, claro, nada disto seria possível sem a equipa e a família que me acompanham diariamente, que dão sempre o melhor de si em cada projeto

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