Num setor em acelerada transformação, a SolarTecnica tem apostado numa abordagem de proximidade, soluções personalizadas e acompanhamento contínuo para ajudar famílias e empresas a alcançar maior autonomia energética. Em entrevista à IN Corporate Magazine, o CEO Diogo Ferreira fala sobre os desafios da transição energética em Portugal, a evolução do mercado solar e a ambição de afirmar a empresa como uma referência de confiança e qualidade no setor.
O que distingue a SolarTecnica no mercado das energias renováveis e quais têm sido os pilares do seu crescimento?
O grande diferencial da SolarTecnica é que o cliente contrata mais que instaladores, contrata parceiros. Não encaramos a energia solar como uma simples venda e instalação de equipamentos, mas como uma decisão estratégica para famílias e empresas, que requer acompanhamento contínuo ao longo de anos.
O nosso trabalho começa no diagnóstico do perfil de consumo, passa pela escolha da solução adequada, avaliação das condições técnicas de instalação e não termina na instalação. Pelo contrário, no fim da instalação inicia-se um processo de acompanhamento próximo que faz de clientes, embaixadores.
O primeiro degrau de reconhecimento foi competência técnica.
Consequentemente, investimentos numa estrutura de proximidade com o cliente. Hoje soma-se a qualidade dos equipamentos, o rigor na instalação e uma cultura interna muito orientada para responsabilidade e melhoria contínua.
Queremos crescer, mas não a qualquer custo. No nosso setor, a confiança é determinante. Por isso, temos investido continuamente em processos, equipa, acompanhamento e numa experiência de cliente que dê tranquilidade antes, durante e depois da instalação.
O vosso posicionamento assenta em soluções personalizadas. Qual é a importância dessa abordagem para garantir eficiência e resultados a longo prazo?
A personalização é essencial porque não existem duas casas ou duas empresas exatamente iguais. O consumo energético, a exposição solar, a orientação do telhado, as sombras, a instalação elétrica, os horários de maior consumo e os objetivos do cliente são sempre diferentes. Uma solução bem dimensionada evita dois erros muito comuns: vender menos do que o cliente precisa ou vender mais do que faz sentido.
Quando o projeto é feito com diagnóstico, a eficiência aumenta, o retorno do investimento torna-se mais realista e o cliente ganha confiança na decisão. Para nós, a boa solução não é necessariamente a maior; é a solução certa para aquele caso concreto. É isso que garante resultados consistentes a longo prazo, maior autonomia energética e uma relação mais transparente entre empresa e cliente.

Que tipo de soluções e serviços disponibilizam atualmente ao mercado e de que forma acompanham o cliente ao longo de todo o processo?
Atualmente disponibilizamos soluções fotovoltaicas para particulares e empresas, sistemas híbridos com bateria, soluções de backup energético, bombas de calor e acompanhamento de todo o processo de legalização e apoio administrativo associado ao autoconsumo. Temos também uma equipa de acompanhamento pós-instalação para garantir o maior usufruto ao longo dos anos e intervenções quando necessárias, antes do cliente sentir impacto de qualquer anomalia fatura.
O nosso objetivo é entregar uma solução chave-na-mão, para que o cliente não tenha de se preocupar com a complexidade técnica e burocrática, mas sinta que tem parceiros que acompanham e garantem o seu benefício.
O acompanhamento começa no primeiro contacto, com uma qualificação das necessidades, segue para a avaliação técnica e diagnóstico energético, passa pela proposta personalizada e continua com a instalação, legalização e apoio pós-venda e instalação.
Valorizamos muito esta continuidade, porque uma instalação solar não deve ser apenas bem vendida; deve ser bem explicada, bem executada e bem acompanhada. É aí que se constrói uma relação de confiança verdadeira.
Como avalia o ritmo atual da transição energética em Portugal e quais considera serem os principais fatores que o influenciam?
Portugal tem condições muito favoráveis para acelerar a transição energética, sobretudo pela excelente exposição solar e pela crescente consciência de famílias e empresas relativamente ao custo da energia. O ritmo tem aumentado, apesar de 2025 o mercado fotovoltaico ter contraído 21% face a 2024, fazendo-se sentir o fim dos apoios fiscais. Existe muito espaço para evolução.
A transição energética não depende apenas da vontade dos consumidores; depende também de informação de qualidade, estabilidade regulatória, simplificação de processos, capacidade técnica instalada, acesso a soluções financeiramente equilibradas e, por último, mas não menos relevante, políticas de incentivo ao sector.
O que vemos no terreno é que há cada vez mais interesse, mas também muitas dúvidas. O consumidor quer poupar, quer autonomia e quer segurança, mas precisa de sentir que está a investir com uma empresa credível. A ambiguidade de apoios como o Fundo Ambiental e a falta de previsibilidade leva muitas vezes o cliente a optar pela não decisão, postergando a instalação. Apesar disso, acredito que o setor vai crescer de forma sólida à medida que se tornar mais profissional, transparente e orientado para resultados reais.
De que forma tem evoluído a perceção dos consumidores relativamente ao investimento em energia solar?
A perceção mudou muito. Durante algum tempo, a energia solar era vista por muitos consumidores como uma solução distante, cara ou apenas associada a preocupações ambientais. Hoje, é vista cada vez mais como um investimento racional, com impacto direto na fatura, na autonomia energética e na valorização do imóvel.
Os clientes chegam também mais informados. Já perguntam sobre baterias, garantias, retorno, qualidade dos equipamentos, sistemas de backup e acompanhamento pós-venda. Isso é positivo, porque eleva o nível de exigência do mercado. Ao mesmo tempo, torna ainda mais importante o papel das empresas sérias, que explicam com clareza e não prometem aquilo que não conseguem cumprir. A energia solar deixou de ser uma tendência; passou a ser uma decisão estratégica de gestão doméstica e empresarial.

Quais são hoje os principais critérios que empresas e particulares devem considerar antes de investir neste tipo de energia?
O primeiro critério deve ser sempre o diagnóstico. Antes de falar em número de painéis ou preço, é preciso compreender o consumo, os horários de utilização, a sazonalidade de consumo, a capacidade do local, as condições técnicas de instalação e os objetivos do cliente. Depois, é fundamental avaliar a qualidade dos equipamentos, as garantias, a experiência da empresa instaladora, o apoio pós-venda e a transparência da proposta.
A recomendação que deixo é simples: não escolher apenas pelo preço. Uma instalação fotovoltaica é um investimento para 30 anos e deve ser vista com responsabilidade. O barato pode tornar-se caro quando não há acompanhamento, quando o sistema é mal dimensionado ou quando a instalação não respeita critérios técnicos exigentes. O cliente deve procurar uma solução clara, segura e bem fundamentada.
Que benefícios mais relevantes tem observado nas organizações que apostam no autoconsumo energético?
Nas empresas, o autoconsumo tem um impacto muito relevante porque a energia representa um custo operacional importante. Ao produzir parte da energia que consome, a organização reduz a dependência da rede, melhora a previsibilidade dos custos e ganha margem financeira. Em muitos casos, isto traduz-se numa vantagem competitiva direta.
Mas os benefícios não são apenas financeiros. Há também uma componente estratégica: maior resiliência energética, melhoria da imagem institucional, redução da pegada ambiental e alinhamento com objetivos de sustentabilidade. Para empresas com consumos elevados durante o dia, o autoconsumo pode ser particularmente interessante, porque permite aproveitar a produção solar no momento em que a energia é mais necessária. Quando bem dimensionado, deixa de ser apenas uma medida de poupança e passa a ser uma decisão de gestão.
Que visão tem para o futuro do setor e que papel ambiciona que a empresa venha a desempenhar nesse cenário?
Acredito que o futuro do setor passará por soluções cada vez mais integradas. Não será apenas instalar painéis solares; será combinar produção, armazenamento, backup Anti-Apagão, gestão inteligente de consumos, climatização eficiente e, progressivamente, mobilidade elétrica. O cliente vai procurar mais autonomia, mais controlo e mais segurança energética.
A ambição da SolarTecnica é ser uma referência nesse caminho, não apenas pelo volume de instalações, mas pela confiança, pela qualidade técnica e pela experiência que entrega ao cliente. Queremos continuar a crescer com responsabilidade, formar equipas competentes e contribuir para uma transição energética mais profissional em Portugal. Para mim, o verdadeiro crescimento acontece quando a empresa consegue gerar valor para o cliente, para a equipa e para o mercado onde atua.




