Sandra Jardim Fernandes é advogada e dedica a sua vida profissional ao Direito da Imigração e do Investimento Estrangeiro. Em 2022, decidiu dar forma ao seu próprio projeto e criou a SJF Immigration & Investments para acompanhar, de forma mais próxima e segura, quem escolhe Portugal para viver, investir ou recomeçar.
À primeira vista, o Direito parecia um destino improvável. Na escola, Sandra Jardim Fernandes revelava uma aptidão natural para as ciências exatas, pelo que a escolha da área de Humanidades chegou a surpreender alguns professores. A verdade é que o fascínio nunca esteve apenas na matemática ou nos números. Existia, desde cedo, uma inquietação maior: a vontade de resolver problemas e encontrar respostas para situações. Uma característica que, mais tarde, se revelaria essencial. “O Direito permitiu-me conciliar as duas vertentes. Queria trabalhar em áreas onde pudesse realmente fazer alguma diferença e construir soluções”, afirma.
Formada pela Universidade Católica Portuguesa em 1990, regressou à Madeira, de onde é natural, numa fase particularmente desafiante para a economia, começando por trabalhar no Direito Imobiliário e Societário. A crise financeira abalou profundamente o setor imobiliário e muitas empresas, o que resultou no adiamento de projetos e investimentos.
“Rapidamente percebi que não estava apenas a lidar com o setor imobiliário e societário. As pessoas estavam verdadeiramente desesperadas. Havia famílias, histórias, expectativas e sonhos por detrás de cada processo. Percebi que o verdadeiro valor do Direito está na prevenção dos problemas”.
A tomada de consciência da dimensão humana por detrás de cada processo marcou-a e levou-a, em 2013, a enveredar pela área da imigração.
Uma abordagem à medida de cada família
Através de um amigo, descobriu o Golden Visa, um programa que era ainda pouco conhecido em Portugal. A ligação entre o investimento, o imobiliário e a mobilidade internacional despertou-lhe interesse imediato, abrindo caminho à sua especialização nesta área.
Com o tempo, nasceu a vontade de criar um projeto seu. Em 2022, fundou a SJF Immigration & Investments, por sentir necessidade de ter proximidade com os clientes e participar numa fase mais precoce das suas decisões. “Queria chegar às pessoas antes da escolha estar feita. Perceber quem eram, o que pretendiam e ajudá-las a encontrar o caminho mais adequado”.

Hoje em dia, apoia cidadãos que procuram Portugal para residir e investir, ao abrigo de programas como o Golden Visa e os vistos D7, D8 e D2, de várias nacionalidades, sobretudo americanos, e acredita que, independentemente da origem ou cultura, as motivações humanas são surpreendentemente semelhantes.
“As pessoas pensam que estamos a falar de vistos. Na verdade, estamos a falar de transformações de vida. Uns procuram segurança. Outros desejam garantir oportunidades para os filhos. Muitos procuram simplesmente liberdade de escolha. No fundo, todos procuram as mesmas coisas: segurança, oportunidades e qualidade de vida para aqueles que amam”.
Inspirar como forma de liderança
Ao longo da carreira sempre esteve ligada à coordenação de equipas e ao crescimento de diversos projetos. Ainda assim, nunca se identificou com um modelo de liderança baseado na autoridade.
“Nunca consegui chefiar. Sempre preferi ensinar, formar, explicar uma visão e construir em conjunto, embora goste de inspirar”.
Curiosamente, a maioria dessas equipas é composta por mulheres e a advogada confessa que construí-las continua a ser uma das suas maiores motivações. “Identificar talento e vê-lo crescer é algo que me entusiasma. Admiro a rapidez com que as mulheres identificam os desafios e encontram soluções. Gosto de pensar fora da caixa, de olhar para o futuro e de descobrir, com elas, novas formas de fazer as coisas”.
Por ser mãe de duas filhas e um filho, valoriza a empatia, a escuta e a capacidade de olhar para diferentes pontos de vista.

O reencontro interior
Se a primeira metade da sua vida foi marcada pela procura de resultados, a segunda trouxe-lhe uma nova perspetiva. “Percebi que passava demasiado tempo preocupada com os resultados, com a minha família e muito pouco tempo a confiar em mim. Foi aí que tudo começou a mudar”.
Uma viagem ao Peru, em 2018, tornou-se um marco importante nesse processo. A meditação e o autoconhecimento passaram a fazer parte da sua rotina diária e tornaram-se ferramentas essenciais para enfrentar desafios profissionais e pessoais.
“Não há um dia que não comece com meditação. Para mim, é uma «higiene mental». Ajuda-me a ouvir melhor, a decidir melhor e a estar mais presente”.
Essa serenidade reflete-se também na forma como acompanha os seus clientes.
“Eu trabalho com decisões de vida. Embora o meu trabalho seja frequentemente associado a vistos, autorizações de residência ou enquadramentos legais, aquilo que mais valorizo é a verdade, a autenticidade e genuinidade que transmito”.
Portugal visto a partir do mundo
A advogada é uma presença assídua em conferências internacionais e membro do Investment Migration Council há mais de uma década. “É fundamental perceber o que está a acontecer noutros países, quais são as tendências internacionais e de que forma Portugal se posiciona nesse contexto”, revela.
Este mês, voltará a estar entre os principais nomes da sua profissão, ao participar no Investment Migration Forum 2026, que decorre em Paris e reúne profissionais, especialistas e representantes institucionais de várias partes do mundo para discutir o futuro da mobilidade internacional e dos programas de residência e cidadania.
“É importante ouvir diferentes perspetivas e perceber para onde o mundo está a caminhar. Quanto melhor compreendermos esse contexto, as tendências e os desafios que irão moldar o futuro da imigração, melhor conseguiremos aconselhar quem nos procura”.




