Turismo e Lazer

A ferrovia como eixo de coesão e turismo no centro de Portugal

O projeto “Viajar no Tempo, Ferrovia entre o Vouga e o Dão” sinaliza uma mudança de paradigma na região Centro. A transição da nostalgia ferroviária para um produto económico de alta rentabilidade e sustentabilidade.

Durante décadas, o património ferroviário português foi visto maioritariamente sob o prisma da memória e do abandono. Com o foco global na mobilidade sustentável e na procura por destinos não massificados, as antigas linhas de comboio estão a emergir como eixos de desenvolvimento para o interior do país. O projeto “Viajar no Tempo”, focado nos territórios de Vouzela, Tondela e Oliveira de Frades, é o exemplo mais recente desta estratégia de coesão territorial.

A iniciativa, que coloca o Centro de Portugal na rota do turismo industrial europeu, visa regenerar a identidade ferroviária destes municípios. O objetivo não passa apenas pela preservação de estações ou material circulante, mas pela criação de uma oferta integrada que ligue a história do caminho-de-ferro à gastronomia, à natureza e à cultura local.

Para a Turismo Centro de Portugal, este produto é estratégico. Em regiões de baixa densidade, a ferrovia funciona como um elemento diferenciador que permite atrair um perfil de visitante com maior permanência média e maior respeito pelo território. É a aplicação prática do conceito de “turismo de slow living”, onde a viagem é tão importante como o destino.

Rui Ventura, presidente da Turismo Centro de Portugal, sublinha que a valorização deste património está alinhada com as metas europeias de descarbonização e com a necessidade de redistribuir os fluxos turísticos. “Temos um valor histórico e simbólico que deve ser colocado ao serviço do desenvolvimento dos territórios”, afirma o responsável, destacando a capacidade de ligar a mobilidade à economia real das populações locais.

O setor empresarial também começa a olhar para estas “vias de memória” com outros olhos. O reaproveitamento de infraestruturas ferroviárias para fins turísticos tem demonstrado ser um modelo de negócio resiliente, capaz de atrair investimento privado para a recuperação de edifícios históricos e para a criação de serviços de apoio, desde a hotelaria de charme ao turismo de natureza.