Turismo e Lazer

De Norte a Sul

De norte a sul, há um país que se constrói, que se percorre, que se mostra, que vive ao longo de estradas históricas intermináveis, ao longo de caminhos antigos, alguns sem nome, outros com nomes que não entram em placas. Mas que ligam terras e memórias.

A melhor forma de descobrir um lugar é a pé. Mas há limites no que os pés alcançam com conforto e sem risco. O carro, quando usado com a paciência certa, devagar numa estrada secundária, parando quando aparece qualquer coisa, entrando por caminhos abertos em sulcos marcados pelas rodas que ali passaram sucessivas vezes, consegue ser o aliado natural e a nossa extensão de liberdade. Dessa forma, lançamo-nos à descoberta do que existe e do que pode correr o risco de desaparecer. A cada regresso há sempre qualquer coisa que desapareceu desde a última vez. Uma casa antiga, um saber que ficou com a última geração que o detinha.

Não desistimos dos lugares, nem da ideia que ligue um país de uma ponta à outra. Não importa de onde se parte, e às vezes nem o destino, é mais por onde se passa. Em muitas viagens, são as pequenas paragens pelo caminho que ficam na memória. Algures entre a real, a nossa, e a não menos nossa que nos fica da literatura ou do cinema. Como um restaurante ou um café de beira de estrada, símbolo de uma inquietação humana que nos faz andar de um lado para o outro.

Sai-se tantas vezes sem saber o que se procura, talvez seja só “sair”. Ainda há lugares que nos recebem quando saímos assim, sem reserva nem roteiro definido. Só um mapa, mesmo que já não seja em papel, e a companhia… Há um país com mais vida do que os roteiros alcançam. Chamamos-lhe “Territórios Vivos”.