Na Madeira, o turismo deixou há muito de ser apenas uma atividade ligada aos hotéis e às viagens organizadas. Tornou-se uma das bases da economia regional, com impacto direto no emprego, no investimento e numa parte significativa da atividade económica da ilha. Isso percebe-se nos números, mas sobretudo na rua.
No Funchal, há zonas onde praticamente tudo gira à volta da presença constante de visitantes. Hotéis, restaurantes, empresas marítimo-turísticas, rent-a-car, alojamento local, comércio, transfers, obras ligadas à hotelaria. A economia circula muito à volta desse movimento permanente entre aeroporto, porto e cidade.
Os dados mais recentes da Direção Regional de Estatística da Madeira mostram bem essa dimensão. Em 2025, a Região Autónoma da Madeira ultrapassou os 12,8 milhões de dormidas em alojamento turístico, um novo máximo histórico, com mais de 2,44 milhões de hóspedes registados ao longo do ano. Os proveitos totais do setor aproximaram-se dos 900 milhões de euros, num crescimento de 17,4% face ao ano anterior.
O crescimento continua particularmente visível no alojamento local, segmento que tem vindo a ganhar peso em praticamente toda a ilha. Só no quarto trimestre de 2025, as dormidas neste tipo de alojamento cresceram 18,6%, bastante acima da média do conjunto do setor turístico regional.
Mas a importância do turismo madeirense não se explica apenas pelos números. Numa região ultraperiférica, com território limitado e condicionada pela insularidade, dificilmente outro setor teria capacidade para gerar uma circulação económica comparável. Ao longo das últimas décadas, o turismo acabou por assumir esse papel, ajudando a transformar a própria paisagem económica e urbana da região.
Essa transformação é hoje visível muito para lá do Funchal. Das levadas aos percursos de montanha, das atividades marítimas à restauração, existe uma economia paralela que vive diretamente desta capacidade de continuar a atrair visitantes durante praticamente todo o ano.
Ao mesmo tempo, a região conseguiu consolidar uma posição relativamente distinta dentro do turismo nacional. A paisagem continua a ser um dos principais cartões-de-visita, mas o destino cresceu também através da combinação entre clima, segurança, natureza, conetividade aérea e uma operação turística menos dependente da sazonalidade extrema que carateriza outros mercados.




