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Bolhão, quatro anos depois

Quatro anos depois da reabertura, o Mercado do Bolhão parece ter recuperado o lugar que durante décadas ocupou na vida do Porto. Desde setembro de 2022, recebeu cerca de 23,8 milhões de visitas e mantém 98% dos espaços comerciais ocupados. Entre as bancas e lojas continuam muitos dos comerciantes históricos, agora lado a lado com novos operadores.

A reabertura, em setembro de 2022, devolveu à cidade um dos seus edifícios mais reconhecíveis depois de uma longa intervenção. Quatro anos depois, os números ajudam a medir o impacto desse regresso. Só em 2026, o mercado recebeu mais de 3,9 milhões de visitas.

Hoje, o Bolhão conta com 79 bancas, 40 lojas e dez restaurantes, numa ocupação próxima dos 98%. A atividade comercial combina a continuidade de comerciantes que já faziam parte da história do mercado com a presença de novos operadores, mantendo uma função comercial que convive com a crescente procura turística da Baixa do Porto.

A recuperação do edifício trouxe também novas exigências à sua gestão. Desde 2024, o Município, através da GO Porto, investiu mais de 470 mil euros em melhorias e adaptações, incluindo alterações na divisão de lojas, sombreamento, reorganização de bancas e adaptação de instalações e equipamentos.

Manter em funcionamento diário um edifício com esta dimensão e valor patrimonial exige uma operação permanente. Entre manutenção, limpeza e segurança, são realizadas anualmente mais de 76 mil horas de trabalho. A gestão inclui ainda reuniões regulares com a comunidade interna do mercado e conversas individuais com os comerciantes.

O quarto aniversário foi assinalado nos dias 18 e 19 de setembro, com uma programação que cruzou gastronomia, cultura e música. Entre os momentos previstos estiveram um showcooking com o chef Ricardo Lanção, oficinas, a apresentação do Dicionário Ilustrado de Calão do Porto, de João Carlos Brito, e iniciativas ligadas à sustentabilidade. No sábado, o Coro do Bolhão juntou-se ao Coro Lira e David Bruno apresentou-se na Escadaria Principal, acompanhado por convidados.

Mais do que a celebração de uma data, os quatro anos permitem olhar para o Bolhão como uma obra que voltou a ter uma vida quotidiana. Os milhões de visitas medem a capacidade de atrair pessoas, mas são as bancas ocupadas, os comerciantes que permanecem e a atividade diária que dão ao edifício a dimensão de mercado. O Bolhão precisa de continuar a ser um lugar para visitar, mas sobretudo um lugar onde ainda se compra, se vende e se trabalha.