Para Cristina González Suárez, o design é uma ferramenta estratégica que gera valor e transforma espaços em experiências com retorno. À frente da Risueña Design, desenvolveu uma abordagem que parte do mercado, constrói um conceito coerente e o traduz com rigor na execução, respondendo às exigências do turismo e do imobiliário.
A Risueña Design combina artesanato e tradição com estratégia e rentabilidade. Como surgiu esta visão integral e o que a distingue no mercado atual?
Esta visão integral não nasceu da teoria, mas sim da prática num ecossistema que conectei de forma orgânica. A minha trajetória em Real Estate, Hospitality e Design de Interiores permitiu-me compreender que estas áreas não podem funcionar como ilhas isoladas. Percebi que um espaço é um organismo vivo, onde a estética deve, obrigatoriamente, nutrir-se da estratégia comercial.
O que nos distingue é uma filosofia de design baseada no lifestyle do cliente ideal. Não projetamos por mero capricho estético. Realizamos primeiro um estudo de mercado profundo para definir quem irá habitar o espaço e que experiência procura. Só após concretizarmos esse estilo de vida é que criamos o espaço ideal. Passamos da análise ao conceito, garantindo que o design seja o veículo para conectar emocionalmente com o utilizador final.
Acredita que um espaço também deve ser um ativo financeiro. Como equilibra a estética, a experiência e o retorno para o cliente?
Sem dúvida. No setor corporativo e turístico, um design que não é rentável não é um bom design. A minha “Metodologia Risueña” foca-se precisamente em transformar alojamentos em autênticos ativos financeiros, ou como gosto de dizer, em “máquinas de gerar valor”.
O equilíbrio é alcançado através da otimização estratégica. Os números são a linguagem de qualquer negócio, por isso o meu foco é gerar valor acrescentado que se traduza em maiores receitas por noite e melhores taxas de ocupação. Isso significa benefícios tangíveis para o investidor e uma maior satisfação com o meu trabalho. Na minha visão, a beleza é o íman, mas a funcionalidade e a rentabilidade são os motores que sustentam o projeto.

A sua marca tem uma abordagem única para o desenvolvimento de projetos. Como garante a coerência entre o conceito, a execução e os resultados?
A chave reside na comunicação transparente e na agilidade resolutiva. O desenvolvimento de cada projeto é um processo vivo de integração contínua com o cliente. Sabemos que podem surgir imprevistos ou necessidades de modificação, e é aí que a comunicação clara se torna fundamental.
Garantimos a coerência não apenas realçando os benefícios, mas também abordando os desafios e problemas de forma natural. É uma realidade do setor e deve ser tratada com honestidade. O meu papel é tranquilizar o cliente e apresentar soluções imediatas. Esta transparência radical assegura que o conceito original não se perca na execução, entregando um resultado que cumpre as expectativas iniciais.
Como fundadora e líder, que desafios teve de superar ao longo da sua trajetória e como influenciaram a pessoa e a profissional que é hoje?
Cada desafio tem sido uma ferramenta de polimento em direção à excelência. Sair da minha zona de conforto para desbravar um novo mercado como Portugal foi um dos passos mais enriquecedores: aprender o idioma, conhecer novos colaboradores e entender as normativas locais exigiu uma evolução constante.
Estes desafios moldam-nos e impulsionam-nos a escalar este processo de excelência turística. Foi desta experiência que criei um ecossistema 360º para alojamentos locais e turísticos: o meu novo clube Familia Risueña, onde lancei “El Viaje del Diamante” (A Viagem do Diamante). Este projeto ensina os proprietários a melhorar não só o interiorismo, mas também a gestão, a criação de experiências memoráveis e a automação tecnológica, através dos quatro pilares da minha metodologia. Atualmente, o projeto já é um sucesso em espanhol e lançaremos muito brevemente as versões em português e inglês.




