Turismo e Lazer

Turismo de Portugal aposta nas emoções para promover o território

O Turismo de Portugal apresentou este mês, no Castelo de Porto de Mós, a campanha “Não Procures Mais Longe. Encontra o teu país.” Uma iniciativa de promoção do turismo interno que associa emoções a lugares reais do território nacional através de uma toponímia imaginada. Esta iniciativa chega num momento em que várias regiões acumulam ainda as consequências das tempestades do início do ano.

A ideia criativa parte de um princípio simples. Inventar nomes emocionais para lugares bem conhecidos de todos. A Cascata da Paz fica a cinquenta quilómetros de Vila Real. O Castelo de Certezas fica em Porto de Mós, a quinze quilómetros de Leiria. A Aldeia da Calma é o Talasnal, a trinta quilómetros de Coimbra, uma aldeia de xisto com ruas que andam devagar. A Praia do Espanto é a de Galapos, a cinco de Setúbal. A Serra da Quietude corresponde a Montesinho, a quarenta de Bragança, e o Rio Feliz é o Arade, a quinze de Portimão. Há ainda o Trilho da Leveza a 85 de Aveiro, por exemplo. A campanha percorre o território sem o inventariar, trocando a lógica da listagem pela da ressonância emocional.

A escolha do momento não é casual. Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, foi direto na apresentação: “Esta campanha resulta, efetivamente, da necessidade de dar uma resposta clara e rápida àquilo que foram as consequências das tempestades de 2026.” Os fenómenos climáticos do início do ano provocaram danos profundos em infraestruturas e no tecido económico de várias regiões com menor densidade turística, e a iniciativa assume-se explicitamente como instrumento de recuperação económica além de promoção turística. Carlos Abade sublinhou que o mercado interno representa já 30% do total da atividade turística em Portugal, sendo o principal mercado do país, e que o setor “pode e deve assumir um contributo ativo na recuperação e valorização dos territórios”.

O contexto setorial fornece o quadro mais amplo em que a campanha se insere. De acordo com os dados do Banco de Portugal relativos ao primeiro trimestre de 2026, as receitas turísticas ultrapassaram os 5,1 mil milhões de euros, um crescimento de 3,8% face ao mesmo período do ano anterior. Só em março, as exportações de turismo cresceram 6,7%, atingindo mais de dois mil milhões de euros. Ainda assim, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, reconheceu que o crescimento deste ano “tem sido mais moderado, refletindo o contexto internacional e os efeitos das intempéries”, para logo acrescentar que “o turismo continua a demonstrar a sua solidez e capacidade de geração de valor”. Os dados mais recentes do INE apontam, de resto, para uma queda do turismo interno em março, o que reforça a urgência da iniciativa.

A campanha terá duas fases de comunicação, maio a junho e setembro a novembro, com filmes de televisão, spots de rádio e conteúdos digitais. Para Castro Almeida, “durante muito tempo associámos o valor das férias à distância, como se mais longe fosse melhor”, e a campanha propõe exatamente o inverso: “O extraordinário está aqui, próximo, acessível e autêntico.” Uma afirmação que, no contexto de um ano ainda marcado pelos estragos do Inverno, serve também de argumento económico.