Portugal tem vindo a melhorar a sua posição nos indicadores europeus de inovação, aproximando-se da média da União Europeia e reforçando sinais positivos em áreas como produção científica, digitalização e investimento empresarial. Mas a inovação que mais conta para as empresas raramente se esgota nos rankings. Mede-se também na capacidade de transformar conhecimento em valor concreto, melhorar processos, qualificar serviços e responder de forma mais eficiente às necessidades do mercado.
No European Innovation Scoreboard 2025, índice anual da Comissão Europeia que avalia o desempenho em investigação e inovação, Portugal subiu do 19.º para o 16.º lugar entre os 27 países da União Europeia, atingindo 90,7% da média europeia. A Grande Lisboa foi classificada como Strong Innovator, sinal de maior dinamismo regional e de consolidação de capacidades ligadas ao conhecimento e à tecnologia.
Mais do que fechar uma leitura, estes dados ajudam a colocar a pergunta no plano certo. Ou seja, onde é que a inovação se transforma em valor económico? Nas empresas, muitas vezes, ela não aparece como rutura tecnológica ou criação de produto de raiz. Surge na reorganização de processos, na melhoria da experiência do cliente, na integração de ferramentas digitais, na redução de desperdício ou na adaptação da oferta a mercados mais exigentes.
Essa leitura é particularmente relevante numa economia onde os serviços continuam a ter grande peso. Turismo, comércio, restauração, consultoria, logística, saúde, tecnologia, educação ou atividades criativas dependem da capacidade de combinar conhecimento, execução e diferenciação. Inovar pode significar aplicar melhor a tecnologia disponível, usar dados com critério, simplificar operações ou tornar mais clara a relação com o cliente.
Para uma PME, este caminho é essencial. Uma empresa de turismo que usa dados para ajustar preços e prever procura, uma unidade industrial que automatiza uma etapa crítica ou um operador logístico que reduz tempos de entrega através de melhor planeamento estão a inovar com impacto económico, mesmo sem grande visibilidade pública. Para lá das estatísticas, a inovação ganha sentido quando melhora a forma como se trabalha, se decide e se cria valor. É nesse plano discreto que se joga uma parte importante da modernização da economia portuguesa.




