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A mesa como espelho do território: Góis afirma a sua identidade através dos sabores únicos das serras e do rio

Entre as serras da Lousã e do Açor, unidas e separadas pelas águas do Rio Ceira, a identidade de Góis também se constrói à mesa. Aqui, a gastronomia não é apenas uma forma de saborear o território: é uma maneira de o contar, através de receitas, produtos e saberes que atravessaram gerações.

Integrado no território das Aldeias do Xisto e na rede Taste Coimbra Region, Góis tem vindo a afirmar a sua gastronomia como parte da experiência de quem visita o concelho. Porque conhecer um território passa também por provar aquilo que ele produz, preservar aquilo que sabe fazer e descobrir as histórias que cada receita transporta.

É nessa ligação entre terra, água e comunidade que está a singularidade da mesa goiense. A Tibornada, associada historicamente ao trabalho nos lagares de azeite do Vale do Ceira, evoca a importância do olival e dos seus saberes; o Cabrito do Sinhel transporta a tradição das zonas rurais e serranas; e as Trutas do Ceira remetem para a relação das comunidades com os rios e ribeiras. A estas especialidades juntam-se as Gamelinhas, a Sopa de Castanha e as Filhós com Mel, num receituário que transforma memória em património.

Mas uma tradição só permanece viva quando consegue encontrar novas formas de chegar ao presente. É também por isso que o Município tem apostado na valorização dos produtos endógenos e na aproximação entre tradição e inovação. O desafio “Góis com Mel”, integrado na iniciativa Páscoa de Sabores, mostrou precisamente esse potencial: através da criatividade da restauração local, o mel de urze ganhou novas interpretações e reforçou o seu lugar como produto identitário do concelho.

A mesma lógica está presente na Feira dos Santos, do Mel e da Castanha, que regressa ao Pavilhão Gimnodesportivo Municipal de Góis entre os dias 31 de outubro e 1 de novembro. Com raízes em 1957, o evento mantém a sua dimensão de encontro e celebração, juntando mercado, artesanato, gastronomia, showcooking, magusto comunitário, festival de sopas, música, etnografia e outras atividades. Ao mesmo tempo, cria oportunidades de promoção e comercialização para produtores/as, agricultores/as, apicultores/as, artesãos/ãs e restantes agentes locais.

É nesta combinação entre preservar e reinventar que a gastronomia assume uma dimensão que vai além da mesa. Através da “Carta Gastronómica da Região de Coimbra”, da participação em iniciativas como o Taste Coimbra Region e da presença em eventos como a Better Tourism Lisbon Travel Market (BTL) e a Feira Internacional de Turismo (FITUR), Góis leva os seus sabores para outros públicos e afirma a sua identidade para lá das fronteiras do concelho.

No fundo, a estratégia passa por transformar aquilo que é genuinamente goiense – os produtos, as receitas, os saberes e as histórias – numa experiência capaz de aproximar quem vive no território e quem o visita.

Porque, em Góis, cada sabor conta uma história. E, quando a mesa se transforma em território, a gastronomia deixa de ser apenas aquilo que se come: torna-se também aquilo que se recorda, se partilha e se leva consigo.

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