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Se não há cultura, há saúde: Eis o novo Hospital do Porto

Foto: Facebook da Câmara do Porto

É no Pavilhão Rosa Mota (recém-transformado em Super Bock Arena) que a autarquia, liderada por Rui Moreira, está a montar uma unidade de saúde com mais de 300 camas para combater a pandemia de COVID-19.

Conhecido há muito pelos portuenses como Palácio de Cristal, o Pavilhão Rosa Mota voltou a ser notícia em 2019 quando, ao fim de décadas de deterioração, um investidor privado decidiu pegar no equipamento e renová-lo. A polémica instalou-se porque a antiga atleta olímpica Rosa Mota não gostou de ver que quem tinha suportado as despesas tinha colocado o seu nome antes do dela.

O que é certo é que se não fosse a marca de cerveja nortenha, hoje a cidade do Porto não teria um renovado Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota pronto a receber o novo hospital. A autarquia, liderada por Rui Moreira – que tem sido, aliás, um dos mais ativos no combate ao novo coronavírus -, decidiu reutilizar o equipamento, destinado a eventos culturais e desportivos, para ser mais uma unidade de saúde.

A unidade, que começou a ser montada esta terça-feira, 31 de março, terá mais de 300 camas, e terá gestão clínica do Conselho Regional da Ordem dos Médicos. Com o nome Hospital Porto. (assim mesmo, com ponto final, como tudo o que seja marca do atual executivo), deverá entrar em funcionamento dentro de cerca de uma semana.

A Câmara do Porto tem contado com o apoio dos dois centros hospitalares do Porto (São João e Santo António) e do Exército Português. Servindo de retaguarda àqueles hospitais, irá receber em breve os primeiros doentes infetados com COVID-19, mas assintomáticos ou com sintomas ligeiros, sem possibilidade de isolamento no domicílio. Os mais graves continuam a ser tratados no São João e Santo António.

O Hospital Porto. também pode ser usado por doentes infetados e com necessidade de cuidados médicos devido a outras patologias e servirá ainda para acolher doentes em fase de convalescenças, após infeção pelo novo coronavírus.

De acordo com a autarquia, num comunicado que emitiu, esta unidade “oferece condições excelentes relativamente aos normais hospitais de campanha”.

A transformação do Pavilhão Rosa Mota num hospital permitirá aliviar a pressão sobre os dois principais hospitais públicos da cidade, que têm estado na primeira linha de atuação à doença. A operação é possível graças à disponibilização do pavilhão por parte da Círculo de Cristal, concessionário do espaço.

Inicialmente, o pavilhão (localizado perto do Hospital Santo António) estava reservado pelo município para ser um dos centros de acolhimento dos idosos que tenham de ser deslocalizados dos lares da cidade, que desde domingo estão a ser testados de forma sistemática. Contudo, a Diocese do Porto disponibilizou, entretanto, o Seminário de Vilar para esse efeito, que, conjuntamente com a Pousada da Juventude, será “suficiente para cumprir o programa de isolamento após os rastreios”.

Lema “testar, isolar e tratar” cumprido à risca

Entretanto o presidente da câmara, Rui Moreira, continua na linha da frente de combate à COVID-19, especialmente no que à logística diz respeito.

Tal como frisa o semanário ‘Expresso’, esta segunda-feira chegaram a Portugal 5 mil kits de testes para a COVID-19, oferecidos pela Fundação Fusun e pela Gestifute à Câmara do Porto, que irão dotar o SNS de mais capacidade para testar os cidadãos.

Nos próximos dias chegarão à Invicta os primeiros de 50 ventiladores comprados pelo município a uma empresa tecnológica de Shenzhen (China), cidade geminada com o Porto, e que terão como destino os hospitais de São João e de Santo António. No âmbito da colaboração estabelecida com a Câmara de Cascais, cinco desses ventiladores seguirão para o hospital daquela cidade.

A operação de testes sistemáticos a idosos institucionalizados continua esta terça-feira pelo terceiro dia consecutivo, bem como a todos os seus cuidadores, iniciativa que conta com a colaboração dos agrupamentos de Centros de Saúde da cidade. Até ao momento já foram testados centenas de utentes, devendo o rastreio ficar completo em poucos dias.

A ideia da autarquia cumpre a máxima “testar, isolar e tratar” enunciado pela Organização Mundial de Saúde, distingue-se de outros rastreios por testar todos os utentes e não apenas grupos de risco ou sintomáticos, e por incluir todos os lares da cidade, numa população estimada em cerca de 3 mil pessoas, o que inclui os funcionários das instituições.

A montagem do Hospital Porto. garante também que, a partir da próxima semana, alguns dos idosos que testem positivo poderão ali ser acompanhados, caso seja essa a decisão clínica dos hospitais e autoridades de saúde.

Já que não há cultura, nem desporto, que haja – feliz e finalmente – saúde.

Créditos da foto da montagem do hospital no Pavilhão Rosa Mota: Facebook da Câmara do Porto