Arquitetura, Design e Decoração Cultura | Património Destaque Turismo

Almada na Rota do Turismo Industrial

Almada é costa, sol, luz, é mar e rio, vértice de união entre o Tejo e o Atlântico. Na nossa última edição destacámos o #ADN de Almada, desde logo os seus impressionantes 13 quilómetros de praias limpas (Qualidade Ouro e Bandeira Azul) de areia branca e fina. Mas também o seu património histórico e os seus espaços verdes (e são tantos neste concelho!). Para esta edição preparámos algo diferente, como que o outro lado do muito que este município tem para oferecer a quem o visita. Convidamo-lo assim a mergulhar na memória e na identidade de Almada (e do país) através desta rota industrial pelo concelho.

Usufruindo de uma localização geográfica privilegiada, com o rio e o mar como principais vias de acesso, ao longo de toda a margem do Tejo proliferaram fábricas ligadas à indústria conserveira, à construção naval, à cortiça ou à produção e armazenamento de vinhos e alimentos. A história industrial do Concelho de Almada remonta aos primórdios da indústria em Portugal, no século XIX. Contudo, da era de ocupação romana, no século I d.C., encontram-se vestígios arqueológicos de salgas de peixe com capacidade de produção em grande escala e, da era mourisca podem visitar-se as Covas de Pão, estruturas onde eram transformados e armazenados cereais.

Os itinerários propostos oferecem a oportunidade de ver e visitar alguns espaços de arqueologia industrial, apreciar as melhores vistas sobre Lisboa, conhecer o vasto património cultural e religioso, ou usufruir dos jardins e extensos parques urbanos que fazem de Almada uma das dez cidades mais verdes de Portugal.


Após uma emblemática viagem de Cacilheiro, numa rota circular, começamos no Chafariz de Cacilhas, no coração da freguesia, de onde se pode ver a localidade a 360º. Logo ali, está a Salga de Peixe Romana, operacional entre os séculos I e III D.C., que tinha grande capacidade de produção para a época. Junto ao rio, debruçado sobre o Mar da Palha desde 1886 está o Farol de Cacilhas; mais adiante, em doca seca, a
Fragata D. Fernando II e Glória, permite-nos viajar no tempo e ‘experienciar’ a vida a bordo no século XIX. Ao lado, notamos o submarino Barracuda que nos seus 42 anos de vida operacional percorreu o equivalente a 36 voltas ao mundo! Vemos também a igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, reconstruída após o terramoto de 1755 e, ao cimo da rua pedonal, onde se encontra a melhor oferta gastronómica da cidade, está o antigo edifício dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas onde funciona agora um posto de atendimento turístico.


Podemos ir de metro de superfície e apreciar as avenidas ladeadas de jacarandás até ao centro histórico de Almada. Da Praça São João Batista podemos caminhar até à Rua Capitão Leitão, passando pela moderna Igreja da Nossa Senhora da Assunção. Esta igreja é um dos exemplos da arquitetura moderna em Portugal, cujo projeto é dos arquitetos Nuno Teotónio Pereira e de Nuno Portas, construída em 1969. Depois, subimos pelo Jardim Dr. Alberto Araújo, onde é de apreciar o painel de cerâmica do pintor e ceramista Manuel Cargaleiro, e vamos até à Rua Capitão Leitão onde se situa a Fábrica Nacional
de Relógios Monumentais – “Boa Construtora”, prestigiada pelo fabrico de famosos relógios e maquinismos de carrilhão para monumentos nacionais e estrangeiros. Aqui, foram fabricados os relógios do Arco da Rua Augusta, do Museu Militar, do Mercado 24 de Julho e foi também reparado o maquinismo do carrilhão da torre sul do Convento de Mafra, entre outros exemplos.

Na mesma rua, ergue-se o edifício da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, fundada em 1848 – esta é a segunda coletividade mais antiga do país; e a Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense, fundada em 1895, como resultado de uma cisão entre associados da Incrível Almadense, que prosseguiu objetivos comuns. Ambas as coletividades desenvolveram, ao longo dos anos, relevantes valências culturais e desportivas que marcaram e marcam profundamente a história de Almada. Ao fundo está o belo edifício dos Paços do Concelho, cuja construção remonta ao século XVIII.

Penetrando nas ruas de casas baixinhas da Almada Velha, chegamos à Casa da Cerca que é de visita obrigatória. Não só é o Centro de Arte Contemporânea de Almada, com exposições de artistas de renome, como também alberga o Jardim Botânico Chão das Artes, que explora a relação entre a flora e as artes plásticas e permite descansar o corpo e a alma com vistas esplendorosas sobre Lisboa. Mais abaixo, descendo pelo Elevador Panorâmico da Boca do Vento, encontramos um belíssimo espaço de fruição junto à água, o Jardim do Rio, a partir do qual é possível aceder ao Museu Naval, que conserva um dos mais importantes espólios de memória e de identidade na área da construção e reparação naval. Logo ao lado, encontra-se a Companhia de Fiação de Tecidos Lisbonense, fábrica de algodão considerada a primeira instalação industrial do concelho de Almada. Nas zonas da Arealva, Olho de Boi e Ginjal, encontramos algumas das mais relevantes companhias e armazéns ligados às indústrias pesqueira, conserveira, vinícola, têxtil, corticeira, entre outras, que procuravam a facilidade de acesso à capital do país. Também os barcos da pesca do bacalhau, depois de benzidos no Mosteiro dos Jerónimos antes de saírem para a campanha, vinham abastecer-se de combustível e da boa água da Fonte da Pipa, que deu de beber aos marinheiros desde os Descobrimentos portugueses.

Novamente em Cacilhas, inicia-se uma outra rota rumo à Cova da Piedade. Seguimos em direção à Margueira, destacando os Estaleiros Navais Hugo Parry & Son, onde se fabricaram os primeiros navios de ferro e aço para a Marinha de Guerra Portuguesa no século XIX, e a Lisnave, uma das principais empresas de construção e reparação naval portuguesas, que marcaram indelevelmente a cidade de Almada, exponenciando o crescimento industrial, urbanístico e demográfico do Concelho e de Portugal. Estes e
outros espaços portuários e recantos panorâmicos, com vistas para o Tejo e o Mar da Palha, têm servido de palco a vários eventos culturais, desportivos e produções cinematográficos nacionais e internacionais.
Mais adiante, na Cova da Piedade, as zonas da Romeira e Caramujo guardam a memória de uma vida industrial plena, sobretudo na primeira metade do século XX. Aqui se localizou o núcleo corticeiro e a antiga Fábrica de Moagem que é o exemplo mais representativo da arquitetura industrial modernista, um testemunho etnográfico da vivência fabril e portuária. Outro Imóvel de Interesse Municipal é uma nora
de ferro de grandes dimensões que evoca o passado rural e industrial do território. O desenvolvimento industrial da zona deve-se sobretudo a António José Gomes – o principal proprietário e impulsionador da atividade agroindustrial do Concelho de Almada.


Os anos 70 do século XX trouxeram o encerramento destas fábricas, mas nos últimos anos tem-se assistido à revitalização da antiga zona industrial: os armazéns converteram-se em ginásios, ateliers e espaços de lazer e restauração; as paredes e os muros são também base para criações de arte urbana, num espaço onde se respira novamente inovação e modernidade.


Ainda na Cova da Piedade, o Museu de Almada – Casa da Cidade, completa a rota industrial, oferecendo uma visão geral da História de Almada e dos almadenses. A dois passos encontramos o Parque da Paz, o “pulmão da cidade”, com 60 hectares de bosque, sobreiros, lagos, pinheiros mansos, clareiras e jardins de grande biodiversidade em fauna e flora, convidando todos à contemplação, ao lazer e ao desporto. No
extremo norte do parque, uma ponte pedonal e ciclável liga-nos ao Pragal, onde o Santuário do Cristo Rei, ex-libris do Concelho, se ergue a mais de 100 metros de altura e permite apreciar a paisagem a 360º para terminar o percurso em beleza.


Para além do património industrial existente na cidade de Almada, também noutras partes do Concelho a atividade industrial teve, e ainda tem, grande expressão, sendo apreciáveis os elementos industriais que se destacam na paisagem. São exemplo os silos do Terminal de Granéis Alimentares da Trafaria, pertencentes à Silopor, que se destinam a receber os maiores navios graneleiros do mundo.


Almada na Rota do Turismo Industrial é complementada por muitos outros pontos de interesse, que são parte integrante de um destino onde se respira ar puro, arte, cultura e modernidade. Convidamo-lo, assim, a explorá-lo através da página cm-almada.pt/visitar ou descarregando a APP Descubra Portugal, selecionando o município de Almada.